Ex-pivô defende mais investimentos para Brasil retomar auge no basquete: “Má gestão”

Kelly Santos afirmou que país precisa fortalecer seu campeonato nacional com as melhores jogadoras

Ricardo Antunes
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Divulgação/CBB

Um currículo de respeito. Kelly Santos é medalhista de bronze pelo Brasil em Sidney 2000. Ela demonstrou preocupação com a realidade do basquete. Em entrevista à Web Rádio Arena, a ex-pivô defendeu mais investimentos para que o protagonismo na modalidade possa ser retomado.

“Nós tínhamos um campeonato onde se contratava as melhores estrangeiras do mundo, as mais caras. Era um campeonato de altíssimo nível, isto há mais de 20 anos atrás. Então precisamos fazer mais investimentos nos nossos campeonatos locais, trazendo estrangeiras elevando o nível para cima no país”, afirmou.

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Kelly ressaltou que há um mau investimento feito pelo Brasil no basquete. De acordo com ela, há diversos pontos que precisam ser melhorados, mas não apenas nas quadras. Entre eles, está a estrutura para as jogadoras, os salários, o respeito à atleta e à mulher.

“Existe um mau investimento. Atletas de transição do juvenil ao profissional ganham salários baixíssimos e treinam oito horas por dia, de segunda a sábado. Tem falta de respeito, má gestão. O Brasil teve um trabalho de base excepcional, sou filha desse trabalho. Por isso, joguei em vários países, me mantive 16 anos fora. Existe pouco investimento, poderia se investir muito mais em termos de estrutura, salários, respeito à atleta, à mulher, tudo isso levo em consideração”, completou a ex-jogadora.

O Brasil passa por um momento bastante conturbado no basquete feminino. Isso porque a seleção não conquistou vaga para as Olimpíadas de Tóquio – adiadas para 2021 devido ao Coronavírus. Assim, vai ser a primeira vez, desde Barcelona 1992, que o país fica fora dos jogos na modalidade entre mulheres.

Confira outros temas da entrevista sobre o Brasil

Ausência por cinco anos da seleção do Brasil

“Estava na Turquia também cotada como melhor estrangeira em 2010/2011 e fui pra seleção brasileira para o mundial da República Tcheca. Renovei o contrato na Turquia, estava voltando a jogar no país, o treinador de basquete da seleção nos dispensou uma noite antes, eu conversei com o Bruno. diretor na época, a própria CBB mudou a minha passagem antecipada por pedido meu porque eu teria que chegar no Brasil e pedir um visto”.

“Meu time, o Besiktas, estava partindo para Grécia para amistosos. Como a CBB comprou a passagem, ela é a única que tem a autoridade para mudar as  passagens. Assim, ela mudou a minha passagem, eu peguei e fui embora. Logo veio a notícia de que a Hortência supervisora na época entendeu que eu estava abandonando a seleção brasileira”.

“A Hortência, jogadora excepcional, minha madrinha de casamento, pessoa excepcional, porém na gestão naquele momento ela entendeu isso, e isso me levou a ficar cinco anos fora da seleção brasileira”.

“As consequências pessoais, emocionais em mim foram terríveis. As pessoas falam “foi porque ela estava gorda”. Não, não é porque eu estava gorda. Eu saí da Turquia, do maior campeonato do mundo, como cestinha. Fui para uma seleção brasileira, fui sub-utilizada, pedi para que mudassem a minha passagem. A minha supervisora Hortência entendeu que eu estava mandando na seleção brasileira, não me convocou por cinco anos”.

Passagem pela seleção

“Disputamos uma semifinal com os EUA na Copa América de 1997,  que já era um jogo difícil, possível de ganhar e ganhamos. Fizemos a final com Cuba, fisicamente as atletas cubanas são uma bomba, muito boas. Nós ganhamos a final com o Ibirapuera lotado, primeira seleção adulta. Foi começar assim como pé direito, pra mim foi excepcional, foi maravilhoso”.

“O bronze nas Olímpiadas foi mais importante do que aquela Copa América. Depois daquela ganhei tantas quantas, toda Copa América que eu joguei eu ganhei, talvez perdi uma, não sei se agente perdeu uma, eu não me lembro agora, talvez o pré-olímpico a gente ficou em segundo”.

“Em 2000, na minha primeira Olimpíada, foi o que me lançou para o mundo. Eu voltei para o Brasil e fui campeã nacional. Depois fui draftada para o Detroit da WNBA. Dali fui para o Bourges. O Bruno, diretor da CBB, disse que tem uma foto minha no ginásio onde foi disputado o último pré-olímpico feminino na França. Aí eu fui jogar em Bourges a Euroliga, tinha 22 anose no time mais tradicional da época, eu preciso voltar nesse ginásio para ver esta foto”.

“A minha volta foi excepcional, no Pan de Toronto (2015) com o Zanon, gostei muito de trabalhar com ele. O treino dele é intenso, com fundamentos e pegada, gostei muito do treino dele. Eu vim para o Pan, a seleção brasileira precisou de mim de novo, aí eu fui com toda a minha humildade defender de novo a seleção brasileira”.

Olimpíadas de 2012

“Eu perdi as Olímpiadas de Londres, onde o Brasil perdeu o jogo da morte para Austrália com a Erika com cinco faltas no banco. Não tinha uma jogadora do nível da Erica para substituí-la. Entrou a Nádia, muito jovem, primeira Olímpiada perdida, foi o preço do mau entendimento, da má gestão de pessoas e da má gestão de ego”.

“Era um jogo ganhável, porém o jogo é feito de 12 peças, 12 atletas, várias situações. Então talvez se eu estivesse naquelas Olímpiadas, entrasse naquele jogo cinco minutos para ajudar a Erika, a se proteger de faltas, e substituí-la cinco, 10, 15 minutos, o que fosse para protegê-la. Ela que estava jogando super bem, voltar a quadra conservar um pouco as faltas dela, a história da seleção brasileira seria outra. É prepotência demais pensar isso, desculpa, mas é a minha leitura”.

“Estaria na minha quarta Olímpiadas, com nível de eficiência e experiência dentro da seleção brasileira. Posso dizer que aquela era a minha Olimpíada. Aquele era o meu momento e isso me trouxe emocionalmente distúrbios alimentares a ponto de eu engordar muito, me deprimir, foi muito difícil. Isso já após uma resiliência de lesão, um relacionamento interpessoal de boatos, de fofocas, uma carreira baseada em suposições, isso não existe”.

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