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Revolução, craques e vices: por que a Holanda é considerada uma das maiores seleções do mundo mesmo com apenas um título?

Única taça da Holanda foi a Eurocopa de 1988

Matheus Camargo
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), colaborador do Torcedores.com desde 2016, radialista na Paiquerê 91,7.

Crédito: Allsport UK/Getty Images

A Holanda é, para muitos, a maior seleção a nunca ter conquistado uma Copa do Mundo. A opinião provavelmente seja geral, mas outros colocam a equipe como maior que muitos países que inclusive já levantaram o caneco.

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Mas o que gera tanta simpatia e apreço por uma seleção que tem, em toda sua história, apenas um título?

Os fatores são muitos e gerais, o que prova que a Holanda é, sim, mesmo sem taças, uma das maiores potências da história do futebol.

Revolução
Historicamente a Holanda é o país das revoluções futebolísticas e trabalhou para que fosse reconhecida assim para sempre.

Sua primeira participação em Copas do Mundo foi em 1934, repetiu a dose em 1938, mas caiu no ostracismo até o fim da década de 60, quando seus clubes começaram a mostrar novidades em campo.

Foram praticamente 30 anos de mudanças no futebol holandês e o surgimento de mitos para o futebol. Rinus Michels transformou o Ajax em potência, viu o rival Feyenoord seguir o mesmo caminho para não ficar para trás e tudo espelhou a performance de uma seleção marcada para sempre: a Laranja Mecânica de 1974.

Comandados por Michels e com o revolucionário Johan Cruyff em campo, sempre bem acompanhado por Johan Neeskens, Theo de Jong, Rob Rensenbrink e Ruud Krol, os holandeses passaram por cima de todos os adversários, inclusive do Brasil, para chegarem à final como favoritos contra a Alemanha, dona da casa e com Beckenbauer, mas sem o brilho do adversário.

Mesmo assim o final foi triste, já que os alemães venceram por 2 a 0. Mas a revolução ficou e foi levada até 1978, quando já sem Cruyff a Holanda repetiu a dose e foi para a final da Copa do Mundo. Dessa vez a adversária foi a Argentina, mais uma vez contra a dona da casa. Os sul-americanos bateram os europeus e a Holanda ficou no caminho mais uma vez.

O único título
A geração da Holanda na década de 80 não tinha mais os nomes que brilharam em 1974 e 1978, mas trouxe jogadores como Ruud Gullit, Frank Rijkaard, Marco van Basten, Ronald Koeman e John Bosman.

Foram eles os responsáveis por defenderem a Holanda na Eurocopa de 1988 e brilharem com a conquista do único título da história do país.

Relembre os gols da final contra a União Soviética na voz de Galvão Bueno:

Com gols de Gullit e Van Basten, a Holanda levantou sua taça e chegou ao ápice. Vários dos atletas fizeram parte da geração da década de 90, mas viram outras estrelas aparecerem e o Ajax aparecer mais uma vez na Europa.

A equipe virou base da seleção holandesa, conquistou a Champions em 1994/95 e formou craques para o futebol mundial. Saíram dali nomes como Dennis Bergkamp, Frank e Ronald De Boer, Clarence Seedorf, Edgard Davids, Patrick Kluivert, Edwin Van Der Sar, Marc Overmars, entre outros jogadores talentosos que fizeram companhia a astros de outros clubes holandeses como Philipp Cocu, Jaap Stam e Boudewijn Zenden.

A seleção chegou à semifinal da Copa do Mundo de 1998 e, para muitos, merecia o título. Passou pela Argentina com autoridade e só parou no Brasil, já nos pênaltis, e viu a França levantar a taça.

O fracasso em 2002 e uma nova geração
A Holanda encanta por nunca deixar passar uma geração em branco, mesmo sem taças. O problema para a Laranja Mecânica é que a entressafra costuma ser dolorida e com fracassos que ficam marcados.

Com uma seleção veterana, a Holanda sequer conseguiu classificação para a Copa do Mundo de 2002. A partir dali, porém, formou os jogadores que brilhariam em 2010 e 2014 e que sairiam especialmente de PSV e mais uma vez do Ajax.

Marteen Stekelenburg, Mark van Bommel, Nigel De Jong, Rafael Van Der Vaart, Arjen Robben, Wesley Sneijder, Robin Van Persie, Dirk Kuyt, entre outros estiveram nos elencos que chegou à final da Copa do Mundo de 2010.

A decisão poderia ser diferente se o goleiro Iker Casillas, da Espanha, não defendesse a arrancada de Robben já no segundo tempo.

Em 2014, após perder a final para a Espanha, a mesma geração brilhou mais uma vez. Passou por cima dos rivais e chegou à semifinal contra a Argentina com domínio. Foi melhor que os sul-americanos, mas sucumbiu na prorrogação e mais uma vez saiu sem nada em mãos.

Foram três vice-campeonatos mundiais, um terceiro e um quarto lugar em Copas, mas muitos craques e um sentimento único de um país aos fãs de futebol.

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