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Você lembra? Galvão Bueno deixou a Globo para tentar erguer emissora na década de 90, mas voltou após 10 meses

Narrador virou sócio da OM, mas viu negócio dar errado e voltou atrás

Matheus Camargo
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), colaborador do Torcedores.com desde 2016, radialista na Paiquerê 91,7.

Crédito: Reprodução

Galvão Bueno já era um dos nomes fortes da Rede Globo em 1992, quando deu um passo curioso na carreira e deixou a emissora carioca para assinar com a Rede OM (Organizações Martinez) para virar sócio na área de Esportes do novo canal.

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O narrador entrou no negócio para trabalhar na produção e dividiria a operação do nicho na emissora, além de tratar dos direitos de transmissão.

Galvão se tornou uma espécie de diretor de Esportes da Rede OM e simulou o que Luciano do Valle fez com a Bandeirantes nos anos 80 e 90, mas tudo foi por água abaixo.

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SAI QUE É SUA, TAFFAREL! Um grito que marcou uma geração e que transformou o goleiro brasileiro em um mito debaixo das traves, mas que existe devido a um nome e sobrenome histórico para o esporte brasileiro. Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno (@galvaobueno) completa 70 anos neste dia 21 de julho e a melhor forma de homenageá-lo é relembrando aquele que é, talvez, seu maior grito fora um gol ou um título. Além de colocar na história uma defesa de pênalti em semifinal de Copa do Mundo, mostrou a potência na voz de quem narrou o tetra e o penta e é até hoje o principal narrador brasileiro. Galvão não é mais o mesmo de duas décadas atrás, mas carregou em sua voz momentos épicos que jamais esqueceremos 🎥 TV Globo #galvao #galvaobueno #narracao #narrador #futebol #taffarel #brasil #selecao #selecaobrasileira #holanda #penaltis #aniversario #birthday #goleiro

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O profissional chegou a conseguir negociar a exclusividade da Copa Libertadores de 1992 e bateu recordes de audiência com a transmissão da final entre São Paulo x Newell’s Ols Boys, quando narrou e teve Roberto Avallone como seu comentarista principal.

A OM bateu 34 pontos de audiência e ficou à frente da Globo, que tentou comprar os direitos para dividir a transmissão, mas Galvão não aceitou.

“Eu não poderia trair meu time, os colegas que tinham topado aquele desafio comigo”, disse o narrador em sua biografia, “Fala, Galvão!”.

A OM era apenas uma retransmissora da Record até 1991, quando o dono, o político José Carlos Martinez, em 1992, decidiu dar um passo além e fechou acordo para ficar com o horário das 18h às 0h da TV Gazeta.

Foi aí que Galvão entrou na jogada como diretor de Esportes. O narrador conseguiu ainda os direitos da Copa do Brasil de 1992 e narrou o título do Internacional. O profissional foi ainda a voz do Campeonato Paranaense e narrou o título histórico do Londrina, já que a OM era uma emissora de Curitiba.

O problema é que o investimento foi tão alto na emissora que o dinheiro não voltou tão rapidamente quanto Martinez desejava. Mesmo com bons números no esporte, o dono cortou 60% da equipe de pessoal.

“Não me pagavam o que me deviam, os cheques sem fundo se acumulavam, não tinha mais nenhuma possibilidade de continuar lá”, disse Galvão em 1993, em entrevista ao Jornal do Brasil.

O narrador, que era contestado na Globo e que tinha problemas internos na emissora após reclamar publicamente por ter sido preterido por Osmar Santos na Copa do Mundo de 1986, voltou ao canal carioca e como nome principal do esporte.

A Globo assumiu que Galvão era um chamariz de audiência após erguer a OM durante os dez meses que seguiu no canal.

A emissora de Martinez foi extinta em maio de 1993 e seu sinal foi repassado à atual CNT (Central Nacional de Televisão).

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