Na sombra do pai: carreira de Bruninho foi marcada por desconfiança do seu talento na seleção brasileira

Filho de Bernardinho e da ex-atleta Vera Mossa, Bruninho virou um dos maiores levantadores do vôlei mundial, mas conviveu com críticas ao longo da carreira

Luis Feitosa
Jornalista graduado e amante de futebol e futebol americano

Crédito: Reprodução/Facebook

Ser filho de um grande treinador do voleibol brasileiro não é fácil e conviver com desconfiança e suspeita da torcida por mais de uma década aumenta ainda o início de carreira de qualquer atleta. Foi assim com Bruno Mossa de Rezende, o Bruninho, que nesta quinta-feira completa 34 anos.

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Bruninho começou sua carreira em 2003 aos 17 anos de idade no Fluminense. Com um talento nato herdado dos pais, o levantador foi aos poucos crescendo e chamando atenção de todos por toda a habilidade. Não demorou muito para o jogador começar a jogar pela seleção brasileira. Tanto na base como no time principal, Bruninho era considerado o futuro da geração do país e a convivência com o ‘linha dura’ Bernardinho era um exemplo de que um jogador regrado e responsável seria formado.

Não deu outra. Bruninho correspondeu a expectativa de todos, mas a partir de 2007 que a carreira ficou marcada por um episódio em especial. Com a saída de Ricardinho que havia entrado em rota de colisão, o levantador foi chamado para ser o reserva de Marcelinho. Com isso, muitos questionamentos até do camisa 17 surgiram sobre um possível nepotismo do treinador em colocar seu filho na seleção. Apesar de todos os questionamentos, Bruninho e Bernardinho souberam conduzir bem a situação.

Enquanto o pai conseguia ser o grande comandante no masculino e manter o Brasil no topo mundial, o filho galgava seus passos em clubes do país e da Itália e aumentava ainda mais seu prestígio fora da seleção. Com a aposentadoria de grandes nomes, o time de Bernardinho teve que passar por uma reformulação profunda e que tinha Bruninho como um dos grandes nomes da geração. A disciplina e o talento do levantador comprovaram isso ao longo dos anos, mas só limpou de fato todas as desconfianças com uma performance de “ouro” nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016 quando a seleção ficou no lugar mais alto do pódio.

Mesmo 10 anos depois conseguindo acabar com todos os olhares negativos sobre seu talento e enfim ser apenas o “Bruninho”. O título em 2016 foi apenas um dos que marcaram a carreira do levantador vestindo a camisa amarela da seleção brasileira. São quatro títulos da Liga Mundial (2006, 2007, 2009 e 2010), dois da Copa do Mundo (2007 e 2019), dois ouros Pan-Americanos (2007 e 2011), cinco edições do Campeonato Sul-Americano (2007, 2009, 2011, 2013 e 2017), um Mundial (2010), três Copas dos Campeões (2009, 2013 e 2017) e um ouro olímpico (2016).

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