Com um século de atraso, Real Madrid anuncia feminino e confirma evolução da modalidade na Europa

Equipe entra de vez na modalidade 32 anos após o rival Barcelona e terá brasileiras no elenco principal

Papo de Mina
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Crédito: Divulgação CD Tacón | Real Madrid incorporou a equipe do CD Tacón após sócios aprovarem fusão

A entrada do Real Madrid no futebol feminino, com escudo e alcunha iguais ao do time masculino, já era aguardada para a próxima temporada. Desde que firmou contrato em 2019 com o CD Tacón para disputar a primeira divisão da liga espanhola, o clube merengue dava sinais de que não tardaria a incorporar de vez a equipe feminina. Aliás, uma incorporação historicamente tardia considerando os 118 anos de existência do time madridista.

Será a primeira vez que mulheres vestirão profissionalmente o manto ‘blanco’, mesmo com o crescente mercado da modalidade na Espanha, e na Europa como um todo.

“A cena desse futebol espanhol já é muito estruturada, muito receptiva para que clubes invistam na modalidade feminina e isso demorou muito pra acontecer com o Real Madrid”, explicou a historiadora e pesquisadora de futebol feminino Aira Bonfim.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

“A gente está falando de um episódio que marca a entrada desse clube espanhol dentro de uma estrutura de um futebol feminino que ofereceu muitas outras oportunidades para esse evento acontecer. Ele acolhe o Tacón, que já é uma equipe que tem uma presença dentro desse cenário. Acolhe também duas jogadoras brasileiras, que é sempre muito bom para projetar o nosso futebol nacional.”

Duas representantes brasileiras, que já eram jogadoras do Tacón, integrarão a equipe principal: a meio-campista Thaisa Moreno e a zagueira Daiane Medeiros.

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O presidente Florentino Pérez sempre foi um resistente ao assunto, alegando diversos motivos, inclusive financeiros, para não investir. No entanto, com os rivais Barcelona e Atlético de Madrid indo em direção a finais e títulos, ficou cada vez mais difícil ignorar a popularidade da modalidade e se “render”. Aliás, foram ambas as equipes que protagonizaram o recorde mundial de público do futebol feminino, em março de 2019, em partida no Wanda Metropolitano, com 60.739 presentes.

Além da equipe profissional, o Real divulgou a formação de duas categorias de base, dando ainda mais espaço para desenvolver o talento de jovens atletas.

“Ver Barcelona e Atlético de Madrid se tornando potências dentro do futebol feminino com certeza foi um dos fatores que incentivou o Real Madrid a finalmente entrar na categoria, com 32 anos de atraso [se considerarmos a fundação do Barcelona feminino]”, disse Marcela Natra, fundadora do Meu Madrid. “O objetivo é o mesmo do masculino, desde que Florentino passou a mudar a estrategia de contratação, e trazer os craques do futuro e terminar de formá-los em casa”, acrescentou.

Tendência na Europa 

Além do Real, outros como Schalke 04 e Borussia Dortmund também anunciaram seus times femininos. A crescente em todo o Velho Continente traz ainda mais segurança para os entusiastas da modalidade de que não é apenas uma faísca após o sucesso da Copa do Mundo de 2019, na França, mas sim uma tendência que está ganhando cada vez mais adeptos.

“A entrada de uma marca desse tamanho estimula a categoria e ganha as capas dos jornais. É o Real Madrid, a marca mais forte do mundo, com um amplo domínio no mercado. Os holofotes são apontados e isso é tudo que o futebol feminino precisa para crescer ainda mais: atenção e profissionalismo”, concluiu Marcela.

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