Ceará mostra organização e boa proposta de jogo no primeiro round da decisão da Copa do Nordeste

Luiz Ferreira destaca a vitória de virada do Vozão sobre o Bahia e o que ainda está em jogo na Copa do Nordeste aqui na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Felipe Santos / cearasc.com

Já faz bastante tempo que o futebol do Nordeste vem entregando ótima estrutura, salários em dia e (principalmente) jogos atrativos e ótimas ideias dentro e fora de campo. Não por acaso que a Copa do Nordeste é uma das competições que mais chama a atenção do torcedor nesses últimos anos. Prova disso é foi o jogo movimentado entre Ceará e Bahia neste sábado (1) no Estádio de Pituaçu. Acabou que o Vozão saiu na frente na briga pelo título ao vencer o Tricolor de Aço por 3 a 1 (de virada) com boa atuação coletiva dos comandados de Guto Ferreira. O time fechou bem os espaços, soube como trabalhar a bola em velocidade, se mostrou bastante concentrado para explorar as fragilidades da equipe treinada por Roger Machado e conquistou uma boa vantagem na disputa pelo bicampeonato da “Lampions League” nesse atual formato.

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Ceará e Bahia entraram em campo organizados no 4-2-3-1 mas com diferenças significativas entre as duas propostas de jogo. Enquanto o Vozão tentava trabalhar bem a bola com saída pelo chão e laterais espetados, o Tricolor de Aço colocava bastante pressão no portador da bola e sempre tentava sair em alta velocidade para o ataque. De início, o primeiro jogo da final da Copa do Nordeste acabou marcado por uma certa lentidão. Mas bastou que o volante Fabinho vacilasse na intermediária para que Flávio roubasse a bola e deixasse Fernandão livre dentro da área para abrir o placar. Esse lance mostra um pouco do estilo de Roger Machado: um volante sai da sua posição e consegue roubar a bola num momento em que mais três jogadores do Bahia fechavam as linhas de passe de Fabinho e aproveitavam o fato do volante do Vozão não ter opções.

Flávio avança, força o erro de Fabinho, rouba a bola e deixa Fernandão em plenas condições de abrir o placar. Roger Machado apostou em alta intensidade na marcação e alta velocidade nas transições. Foto: Reprodução / YouTube / Copa do Nordeste

O que pouca gente esperava era a lambança protagonizada por Juninho Capixaba e Anderson que resultaria no gol de empate marcado por Fernando Sobral apenas dois minutos depois do gol de Fernandão. No mais, Ceará e Bahia bem que tentaram, mas não conseguiram criar muita coisa além disso. Esse panorama mudaria no segundo tempo. Guto Ferreira reorganizou sua equipe, distribuiu melhor os jogadores dentro de campo e viu o Ceará crescer a partir dos seis minutos após boa chance de Leandro Carvalho. E vale a pena destacar como o treinador do Vozão aproveitou a queda no ritmo do seu adversário ao usar e abusar das triangulações. O gol da virada é um exemplo dessa movimentação. Volantes abrem o campo, pontas aparecem por dentro e laterais chegam no ataque com espaço para cruzar. Tal como Samuel Xavier fez ao colocar a bola na cabeça de Cléber aos 11 minutos.

Fabinho recebe na direita, Fernando Sobral puxa a marcação e Samuel Xavier recebe com espaço para cruzar na cabeça de Cléber. Mesmo organizado, o Bahia abriu espaços e permitiu que o Ceará circulasse a bola na sua intermediária. Foto: Reprodução / YouTube / Copa do Nordeste

Roger Machado mandou o Bahia para o ataque com as entradas de Daniel e Rossi nos lugares de Gregore e Clayson respectivamente. No entanto, o Tricolor de Aço não encontrava espaço para criar e nem se movimentava o suficiente para criar esse espaço. Do outro lado, o Ceará apenas esperou o momento certo para encaixar o contra-ataque e matar o primeiro jogo da decisão da Copa do Nordeste. E o frame abaixo mostra bem essa desorganização do Bahia diante de um Vozão melhor distribuído em campo. Fernando Prass manda a bola pra frente e ela chega em Mateus Gonçalves (que havia entrado no lugar de Leandro Carvalho não tinha muito tempo). O camisa 7 (em posição legal) se lançou às costas de Juninho Capixaba, entrou na área, se livrou da marcação e chutou no canto direito de Anderson. O gol só seria confirmado após consulta ao VAR.

Enquanto o Bahia se desarrumou completamente depois de levar o segundo gol, o Ceará se manteve organizado e esperou o momento certo de matar o jogo. Destaque para o bom posicionamento de Mateus Gonçalves na hora do lançamento de Fernando Prass. Foto: Reprodução / YouTube / Copa do Nordeste

Um dos grandes trunfos dos comandados de Guto Ferreira foi a concentração. Tirando o lance da falha de Fabinho no único gol do Bahia, toda a equipe do Ceará esteve bastante ligada na execução dos movimentos pedidos pelo 4-2-3-1 do seu treinador e ainda teve inteligência para abrir espaços na defesa adversária. Fora a boa combinação pelos lados do campo com as duplas Samuel Xavier / Fernando Sobral à direita e Bruno Pacheco / Leandro Carvalho à esquerda. Tudo bem coordenado com as chegadas dos volantes Charles (ótimo jogador e desfalque sério para o Ceará no jogo de volta) e Fabinho e do meia Vinícus. Enquanto isso, o Bahia de Roger Machado sofria para criar algo além das bolas levantadas na área em busca de Fernandão. Faltou mais participação de Rodriguinho no meio-campo e mais chegada pelos lados.

É preciso dizer, no entanto, que a decisão da Copa do Nordeste ainda está aberta. Mesmo com a boa vantagem obtida pelo Ceará neste sábado (1), o Bahia tem peças em seu elenco capazes de surpreender e Roger Machado tem como fazer seu time jogar mais do que jogou na partida de ida da final da “Lampions League”. Por outro lado, o “primeiro round” mostrou um Vozão mais inteiro e organizado. E isso faz muita diferença.

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