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Competitividade, organização e o dedo de “Gordiola”: os trunfos do Ceará na conquista da Copa do Nordeste

Luiz Ferreira destaca o trabalho de Guto Ferreira no Vozão e a conquista do bicampeonato invicto da “Lampions League” na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Guto Ferreira é o tipo de treinador que não costuma ser lá muito badalado pela imprensa esportiva. Primeiro pelo físico mais rechonchudo (que lhe renderia o carinhoso apelido de “Gordiola”). E depois pelo fato de não “falar difícil” como alguns outros técnicos mais festejados que sequer conquistaram metade daquilo que o treinador do Ceará conquistou. E esse belo trabalho à frente do Vozão foi coroado com o bicampeonato invicto da Copa do Nordeste nesta quarta-feira (4) em nova vitória (1 x 0) sobre o Bahia. Guto Ferreira conseguiu aliar organização, intensidade e muita competitividade na sua equipe mais uma vez e fez com que o Ceará jogasse um futebol bastante eficiente e consistente nas duas partidas da decisão da “Lampions League”. O nono título da carreira de “Gordiola” coroa mais um dos seus belos trabalhos.

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É bem verdade que o Ceará entrou com o regulamento e a vantagem obtida no jogo de ida debaixo do braço. Mas isso não impediu que Guto Ferreira repetisse a estratégia utilizada no último sábado (1): linhas compactadas, forte marcação e muita intensidade nas transições. O 4-2-3-1 do Ceará funcionava muito bem pela direita (onde Samuel Xavier, Fabinho e Fernando Sobral faziam ótima partida) e nem fazia tanta questão de ficar com a bola. Sabendo que o Bahia de Roger Machado é mais reativo e precisava de gols para se manter vivo na briga pelo Copa do Nordeste, Guto Ferreira simplesmente fechou sua equipe na frente da área defendida por Fernando Prass e viu o Tricolor de Aço tropeçar no próprio nervosismo e nas próprias dificuldades para criar jogadas. Rodriguinho (mais uma vez) esteve inoperante. Assim como todo o time do Bahia.

Assim que sua equipe voltou do intervalo, Roger Machado sacou João Pedro e Lucas Fonseca e para as entradas de Nino Paraíba e Clayson respectivamente. Com Gregore na zaga, o Bahia se rearrumou num 4-3-3 de forte presença no campo de ataque, mas sem o volume de jogo necessário para furar o eficiente bloqueio defensivo do Ceará. Na prática, o Tricolor de aço não teve uma chance clara de marcar em toda a partida desta quarta-feira (4). E isso mostra bem como o Ceará jogou e não deixou seu adversário jogar nas duas partidas da decisão. Enquanto isso, Guto Ferreira fazia mexidas pontuais, como a entrada de Rafael Sóbis no lugar de Vinícius (que saiu machucado). O gol do título saiu de bela jogada de Leandro Carvalho e Bruno Pacheco (o melhor em campo na humilde opinião deste que escreve) pela esquerda e que contou com a conclusão precisa de Cléber.

Guto Ferreira manteve a formação até o apito final. E prova do seu bom trabalho foi a manutenção postura da equipe em todo o restante da partida mesmo após as entradas de Mateus Gonçalves, Alyson e Bergson. Além do já citado Bruno Pacheco, também é preciso elogiar a atuação do volante Fabinho. Mesmo com o erro no jogo de ida, o camisa 19 marcou bem, não perdeu uma disputa no meio-campo e ainda chegou ao ataque com eficiência fazendo boa trinca ofensiva com Fernando Sobral e Samuel Xavier. Até mesmo o veterano Rafael Sóbis (que já vinha dando ótimo exemplo ao aceitar a reserva e entender que já não rende como em outros anos) entrou muito bem na partida e ajudou a cadenciar o ritmo quando necessário. Se o Ceará comemora mais uma Copa do Nordeste, é porque Guto Ferreira e seus comandados jogaram em alto nível e traçaram uma excelente estratégia.

É preciso dizer que Roger Machado é bom técnico e já se mostrou flexível a ponto de montar um Bahia rápido e organizado na saída de bola como no primeiro turno do Brasileirão de 2019. No entanto, sua equipe vem falhando nos momentos decisivos e mostrando uma dificuldade imensa para vencer sistemas defensivos bem montados (exatamente como aconteceu contra o time de Guto Ferreira nas duas partidas da decisão). O elenco (muito mais badalado que o do Ceará) também não rendeu o esperado. Principalmente Rodriguinho, camisa 10 e referência técnica da equipe tricolor. A gestão correta fora de campo, com ações sociais e salários em dia, precisa de títulos que bons resultados para manter a crise longe dos bastidores. Ainda mais com o Campeonato Brasileiro de 2020 por começar e a decisão do Campeonato Baiano chegando. Mais do que nunca, é preciso abrir o olho.

O Vozão conquista a Copa do Nordeste e dá a impressão de que pode fazer um bom Brasileirão. Aliás, se Rogério Ceni fez o Fortaleza sonhar alto em 2019, Guto Ferreira faz o mesmo no Ceará. Sem tanta badalação e tanta “grife”. Mas com muita eficiência e a seriedade de quem já entrega bons trabalhos há pelo menos oito temporadas no país. O nosso querido “Gordiola” precisa ser mais valorizado. Principalmente depois da conquista da Copa do Nordeste sem perder um jogo sequer. Não é pouca coisa.

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