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Corinthians usa volume de jogo e consistência para superar um aguerrido Cruzeiro pelo Brasileirão Feminino

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação das comandadas de Arthur Elias no jogo que fechou a oitava rodada da competição

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Corinthians Futebol Feminino

É bem verdade que o time do Corinthians jogou um futebol abaixo daquilo que eu e você estamos acostumados. Natural até pelo longo período de inatividade e pelo cenário imposto pela pandemia de COVID-19, sempre é bom lembrar. Talvez seja por isso que, ao ver apenas o placar final da partida, muita gente pode pensar que o escrete comandado por Arthur Elias não encontrou lá muitas dificuldades para vencer o Cruzeiro. O que se viu, no entanto, foi uma partida cheia de alternativas, lances de efeito e golaços. Principalmente no primeiro tempo, quando as Cabulosas chegaram a equilibrar a partida com a ótima movimentação de Micaelly e Duda entre as linhas do Corinthians. Só que a equipe de Gabi Zanotti, Tamires, Cacau e companhia se impôs na base do volume de jogo e da consistência para construir mais uma vitória e seguir na briga pela liderança do Brasileirão Feminino.

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Antes de mais nada, é preciso dizer que o Cruzeiro fez uma partida correta na primeira etapa. Diante do ataque mais posicional do Corinthians (que tinha bom toque de bola, mas pecava pela lentidão no campo ofensivo), a estratégia do técnico Jorge Victor era compactar as linhas e sair em alta velocidade para o ataque com a velocidade de Duda, Mariana e Micaelly. A camisa 11 das Cabulosas, inclusive, era quem mais incomodava as zagueiras Giovana Campiolo e Erika, exigindo que Gabi Zanotti e Andressinha se movimentassem ainda mais para qualificar a saída de bola e corrigir o posicionamento do escrete corintiano dentro de campo. Mesmo com menos posse de bola, no entanto, o Cruzeiro conseguiu levar perigo e mostrar um caminho possível para vencer esse ótimo time do Corinthians. Mesmo que seja através de um estilo de jogo muito mais reativo do que o normal.

Diante de uma equipe que ataca a todo momento, o técnico Jorge Victor apostou num estilo mais reativo e que alternava saída em contra-ataque em alta velocidade com pressão na saída de bola do adversário. Micaelly, Mariana, Duda e Miriã incomodaram bastante o time do Corinthians. Foto: Reprodução / Twitter / Brasileirão Feminino.

Mas o Corinthians possui jogadoras de alta qualidade no seu elenco. Uma delas é Gabi Zanotti. A camisa 10 do Timão abusa da visão de jogo e da criatividade na hora de distribuir passes no meio-campo. Mesmo depois de abrir o placar com um golaço que merec e ser visto e revisto, a jogadora já chamava a atenção das companheiras para o fato de que a equipe não estava bem postada em campo e cedia demais. O intervalo, inclusive, foi muito útil para que Arthur Elias corrigisse o posicionamento das suas atletas e permitisse que o futebol de Gabi Zanotti crescesse ainda mais na partida desta segunda-feira (7). Tanto que foi dela o passe certeiro para Cacau receber no lado esquerdo, dominar e chutar cruzado sem chances para a goleira Mary Camilo. Mesmo sem jogar aquilo que se espera, o Corinthians conseguia chegar aos gols na base de uma consistência impressionante.

Com a equipe mais organizada em campo, Gabi Zanotti teve com quem dialogar no campo ofensivo. Depois de marcar um golaço, a camisa 10 ainda descolou o lançamento milimétrico para Cacau entrar pela esquerda e marcar o segundo gol do Timão na partida. Foto: Reprodução / Twitter / Brasileirão Feminino.

E como se já não fosse suficiente, Tamires ainda entraria no segundo tempo para jogar no meio-campo (alô, Pia Sundhage!) e faria cruzamento de manual para Gabi Portilho fazer o terceiro gol corintiano. Mas o Cruzeiro se manteve vivo e ameaçou o gol de Lelê em algumas oportunidades. A mais clara de todda segunda etapa saiu de jogada rápida de contra-ataque puxada por Mariana ainda na intermediária defensiva. A camisa 25 partiu e viu Micaelly se lançando às costas da última linha das adversárias. A camisa 11 só não marcou o segundo gol das Cabulosas por puro capricho dos deuses do velho e rude esporte bretão. A partir daí, o Cruzeiro se desmanchou e apenas observou o Corinthians retomar o controle das ações da partida e chegar ao quarto gol com Pamela aproveitando apagão do seu sistema defensivo após cobrança de escanteio do lado esquerdo. Ficam as lições.

Mariana parte em velocidade do campo de defesa e vê Micaelly atacando o espaço à sua frente. A estratégia mais reativa do técnico Jorge Victor mostrou que há meios de se incomodar o bom time do Corinthians. O grande problema das Cabulosas no jogo desta segunda-feira (7) foi a execução das jogadas. Foto: Reprodução / Twitter / Brasileirão Feminino.

O Corinthians goleou o Cruzeiro e venceu com a autoridade que eu e você conhecemos apesar da atuação abaixo de seu potencial. Entretanto, é preciso destacar que a estratégia proposta pelo técnico Jorge Victor incomodou o atual campeão da Copa Libertadores da América e mostrou que há como atacar esse que é um dos melhores times do continente. Duda, Micaelly e várias outras atletas do escrete celeste mostraram muita qualidade apesar da nítida falta de “casca” para encarar um Brasileirão Feminino na elite. Isso virá com o tempo e ele é o melhor dos remédios. Ainda mais para um time de futebol que mostrou gana, organização e boas ideias na temporada passada na Série A2. Foi assim com o próprio Corinthians, que construiu uma equipe sólida, consistente e extremamente difícil de ser batida. Se o projeto for mantido, a tendência é que as Cabulosas cheguem bem longe.

O Brasileirão Feminino vem mostrando grandes partidas e ótimas ideias de jogo. É lógico que o longo tempo de inatividade prejudica qualquer um que queira praticar futebol em alto nível. Mas o que se tem visto por aqui dá muitas esperanças por um futuro melhor. E esse confronto entre Corinthians e Cruzeiro é a prova real dessa evolução clara e cristalina desses últimos anos.

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