Manchester City se acerta depois do susto e começa a Liga dos Campeões com o pé direito; confira a análise

Luiz Ferreira destaca a vitória dos Citzens sobre o Porto na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Manchester City

Muito se espera dos times de Pep Guardiola na Liga dos Campeões da UEFA e com o Manchester City não é diferente. A expectativa gerada em torno do time de Kun Agüero, Sterling, Phil Foden, Fernandinho, Ederson e Bernardo Silva é sempre muito grande em cada início de temporada pelo potencial do elenco dos Citzens e pelo dinheiro investido. Esse talvez tenha sido o principal motivo pelo qual muita gente se surpreendeu com os primeiros minutos da vitória por 3 a 1 sobre o Porto nesta quarta-feira (21). O (belo) gol de Luis Díaz deu a impressão de que a equipe inglesa fosse sofrer mais uma vez com as oscilações já bem conhecidas do seu torcedor. Mas bastou que o City colocasse a bola no chão para que o bom futebol fluísse conforme o esperado. Agüero, Gündogan e Ferrán Torres garantiram a primeira vitória do time comandado por Pep Guardiola na UEFA Champions League de 2020/21 sem muito esforço e apresentando um ótimo jogo coletivo principalmente nos 45 minutos finais da partida. A saber somente se o Manchester City finalmente vai justificar as expectativas criadas em torno dele.

Diante do poderio ofensivo do seu adversário, o técnico Sérgio Conceição apostou num 3-4-2-1 bastante fechado na frente da sua área. O objetivo do comandante do Porto era explorar os espaços que apareceriam às costas da zaga formada por Rúben Dias e Eric García. A estratégia deu resultado logo aos 13 minutos de partida, quando Luis Díaz roubou uma bola na intermediária, passou por toda a defesa do Manchester City e chutou cruzado para abrir o placar. Em outros tempos, o gol da equipe portuguesa até poderia ter desmanchado toda a estrategia elaborada por Pep Guardiola. Mas o Manchester City igualou o placar três minutos depois, quando Pepe fez penalidade tola em cima de Sterling. Agüero (a referência ofensiva no 4-3-3 usual de Pep Guardiola) bateu e igualou o marcador. Daí para o final do primeiro tempo, as duas equipes mais se estudaram do que buscaram o ataque. O Porto teve boa chance com Marega, mas se manteve fechado na defesa para suportar a pressão do Manchester City, que pressionava bastante com Mahrez e Walker, que faziam boa dupla pelo lado direito de ataque.

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Manchester City vs Porto - Football tactics and formations

Pep Guardiola armou o Manchester City no seu já conhecido 4-3-3 com Rodri na proteção da zaga, Gündogan e Bernardo Silva encostando no trio ofensivo e avanço constante de Walker e João Cancelo ao ataque. O Porto se fechava com uma linha de cinco à frente do gol defendido por Marchesín e tentava sair em velocidade com Marega e Luis Díaz a partir do lado esquerdo. Jogo equilibrado no primeiro tempo.

Mesmo com a aplicação tática do Porto, o Manchester City começou a impor seu ritmo de jogo a partir do meio-campo e dos espaços que a movimentação de Agüero, Sterling e Mahrez no campo de ataque. Mas a equipe de Sérgio Conceição se fechava bem no seu campo e buscava a saída rápida pelos lados do campo. Muita intensidade e muitas trocas de posição no campo ofensivo para confundir Mbemba, Pepe e Sarr e encontrar os espaços para chegar na área de Marcehsín (que fez grande defesa em chute de Bernardo Silva logo no começo da segunda etapa). O volume de jogo dos Citzens era absurdo, mas a equipe inglesa só conseguiu transformar essa superioridade em gols através da cobrança de falta de manual realizada por Gündogan aos 19 minutos. Logo depois, Ferrán Torres (que havia entrado há pouco tempo no lugar de Kun Agüero) marcou o terceiro gol do Manchester City em boa jogada iniciada por Phil Foden. Os comandados de Pep Guardiola tinham o controle total da partida, impunham seu ritmo e nem precisaram suar tanto para construir o resultado dentro dos seus domínios.

Do lado do Porto, Sérgio Conceição bem que tentou dar sangue novo ao seu time. O treinador dos Dragões desfez o 3-4-2-1 e apostou num 4-4-2 com as entradas de Evanílson (ex-Fluminense), Nakajima, Taremi e Nanú nos lugares de Sarr, Sanusi, Fábio Vieira e Corona respectivamente. Mas quem ameaçou de verdade foi o Manchester City (que seguiu jogando no 4-3-3/4-1-4-1 usual de Pep Guardiola depois das entradas de Fernandinho, Phil Foden e Ferrán Torres). A equipe inglesa encontrava espaços generosos e levava a defesa do seu adversário à loucura sempre abusando da intensidade nas transições e aplicando uma forte pressão pós-perda de bola nos atletas adversários. O goleiro Marchesín evitou aquele que seria o quarto gol dos Citzens (em chute de Mahrez). Dois minutos depois, Rodri acertou a trave em chute de fora da área. O Porto tinha mais gente no ataque, mas não conseguia ficar com a bola. A força ofensiva que faltava na equipe portuguesa, sobrava no Manchester City que passou apenas a controlar o jogo até o apito final. Resultado mais do que justo na Inglaterra.

Porto vs Manchester City - Football tactics and formations

Sérgio Conceição desfez o 3-4-2-1 e tentou fazer sua equipe reagir num 4-4-2 que abriu ainda mais a defesa do Porto. Já o Manchester City manteve sua formação e explorou bem os espaços que encontrava no campo ofensivo. Marchesín salvou os Dragões em duas oportunidades e a cobrança de falta de manual de Gündogan descomplicou a partida para os comandados de Pep Guardiola.

Por mais que ainda tenhamos que relativizar cada análise e observar bem esse contexto de jogos sem torcida por conta da pandemia de COVID-19, a grande verdade é que ainda se espera muito do Manchester City e também de Pep Guardiola. O susto tomado no primeiro tempo com o gol marcado por Luis Díaz poderia ser a senha para que a equipe inglesa se perdesse dentro de campo como aconteceu mais de uma vez na temporada passada (e justo num momento em que os Citzens tinham plenas condições de ir mais longe na Liga dos Campeões). O que se vê na prática é uma tentativa de Pep Guardiola de adaptar seu jogo de posição ao futebol cada vez mais físico e mais intenso dos nossos dias. As escolhas por ataques mais móveis e jogadores mais fortes não é por acaso. E ainda assim, o Manchester City sempre pinta como favorito nas principais competições da temporada. Talvez essa seja a grande dificuldade dos Citzens. A pressão para justificar as expectativas e levantar as taças esperadas por torcida e imprensa esportiva é bem grande. E não é todo elenco que consegue lidar com essa situação.

Certo é que Pep Guardiola começou a Liga dos Campeões da UEFA com o pé direito e conseguiu se impor depois de sair atrás no placar. O Manchester City tem plenas condições de ir longe nessa e em outras competições, mas terá que lidar com todo esse contexto imposto pela pandemia de COVID-19 e manter seu elenco em forma. Não é tarefa fácil. Ainda mais com as expectativas lá em cima.

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