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Ponte Preta leva a melhor no Dérbi 197 e indica caminhos a serem seguidos por Marcelo Oliveira; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como a Macaca superou o Guarani sem muitas dificuldades no Majestoso

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Álvaro Júnior / Ponte Press

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Dérbi Campineiro foi um bom exemplo da situação de Ponte Preta e Guarani na tabela do Campeonato Brasileiro da Série B. Enquanto a Macaca segue na briga por uma vaga no G4, o Bugre sofre com os maus resultados e amarga o penúltimo lugar da competição. Por outro lado, mais do que a vitória no clássico de número 197 entre as duas equipes, a atuação da Ponte indicou um caminho a ser seguido por Marcelo Oliveira, novo técnico da equipe. Intensidade nas transições, bom posicionamento em campo e bastante velocidade nos contra-ataques são alguns pontos que podem ser ainda mais reforçados e explorados pelo experiente treinador a partir da próxima rodada. Já o Guarani segue sem rumo, sem confiança e com a impressão de que não tem forças para sair da zona da degola. A sequência sem vitóras na Série B já chega a seis partidas.

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O auxiliar Fábio Moreno, diante da situação do rival desta terça-feira (6) resolveu apostar numa estratégia simples, mas eficiente. Armou a Ponte Preta num 4-2-3-1 com Matheus Peixoto no comando do ataque, abriu Bruno Rodrigues e Moisés pelos lados e deixou João Paulo na armação das jogadas. Apesar de praticamente abrir mão da posse da bola em toda a partida (35% contra 65% de posse em toda a partida de acordo com o ótimo SofaScore), a Macaca era sempre mais perigosa nos contra-ataques. Muito por conta da boa marcação e da compactação das linhas do time de Fábio Moreno. Do outro lado, o Guarani de Ricardo Catalá encontrava seríssimas dificuldades para criar as suas jogadas por conta da lentidão na saída de bola e do espaço que existia entre os volantes e o quarteto ofensivo. O Bugre simplesmente não conseguia jogar e criava muito pouco na partida.

Bruno Rodrigues e Moisés se juntavam a Dawhan e Neto Moura numa variação para o 4-4-2 sempre que o Guarani tinha a posse da bola. A boa marcação da Ponte não permitia que Lucas Crispim e Murilo Rangel (os meias abertos do 4-4-2 de Ricardo Catalá) recebessem a bola limpa. Foto: Reprodução / SporTV.

A Ponte Preta construiu a sua vitória no Dérbi número 197 através da intensidade nas suas transições (num jogo mais reativo, mas que executava bem os movimentos no ataque) e na bola aérea. Dawhan e Luizão aproveitaram as falhas da zaga (e do goleiro Gabriel Mesquita) para balançar as redes e garantir o resultado sem muitos problemas. Com a vantagem no placar, a Ponte Preta apenas esperou os momentos certos para encaixar os contra-ataques. E quando o fez, aplicou a já mencionada intensidade nas transições e simplesmente bagunçou a defesa do Bugre com toques rápidos e envolventes. A Macaca seguia pressionando a saída de bola do Bugre e aproveitando bem os espaços às costas do lateral Bidu (que vacilou bastante na marcação). São esses pequenos detalhes que fizeram muita diferença no jogo desta terça-feira (6). Melhor para a Ponte Preta que riu por último.

Mesmo com a vantagem no placar, a Ponte Preta seguiu adiantando as suas linhas de marcação e pressionando bastante a saída de bola do Guarani. O objetivo era recuperar a posse e acionar o quarteto ofensivo em alta velocidade para chegar no ataque em condições de balançar as redes. Foto: Reprodução / SporTV.

De chances reais de gol para o Guarani, apenas um chute pra fora de Murilo Rangel (ainda no primeiro tempo), uma cabeçada de Didi no ângulo (que Ivan foi buscar numa das defesas mais impressionantes da temporada) e só. Muito pouco para quem disputava um clássico e (principalmente) para quem precisa pontuar desesperadamente para sair da zona do rebaixamento. Do outro lado, a Ponte Preta deixa boas impressões para Marcelo Oliveira que, por sua vez, deve ter gostado da atuação do seu novo clube. A grande missão do experiente treinador é acabar coma irregularidade da Macaca na Série B e dar ainda mais consistência ao time. O 4-2-3-1 utilizado por Fábio Moreno é uma formação que pode e deve ser repetida nas próximas partidas sempre mantendo o equilíbrio defensivo e apostando na intensidade nas transições para o ataque. É um caminho a ser seguido.

Marcelo Oliveira assume a Ponte Preta em boas condições e com meios de fazer o time render ainda mais na Série B. Já o Guarani precisa rever muita coisa se não quiser ser rebaixado. Ainda há muita coisa pela frente, mas as perspectivas que se desenham no futuro do simpático Bugre Campineiro não são nada boas. Ainda mais diante do futebol que a equipe tem apresentado nessas últimas semanas.

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