Tite indica manutenção da base e do estilo de jogo da Seleção Brasileira

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a convocação para os jogos contra Venezuela e Uruguai

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Manutenção da base e do estilo de jogo. Essas são as grandes novidades da lista de convocados para os jogos da Seleção Brasileira contra Venezuela e Uruguai, marcados para os dias 13 e 17 de novembro. Por mais que alguns velhos conhecidos do torcedor estejam de volta ao escrete canarinho, Tite indica claramente que pretende manter uma base na sua equipe e que também gostou do que viu nas primeiras partidas do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. O ataque mais posicional e o volume de jogo apresentados contra bolivianos e peruanos ajudaram bastante nas escolhas do treinador da Seleção Brasileira. Está cada vez mais claro que Tite quer sua equipe ocupando o campo de ataque e aplicando bastante intensidade nas suas transições em depender tanto do talento de Neymar. Há uma ideia bem clara de jogo e a lista de convocados mostra isso com clareza.

As únicas mudanças promovidas por Tite com relação aos jogos contra Bolívia e Peru foram os retornos de Arthur, Vinícius Júnior, Gabriel Jesus e Éder Militão (Bruno Guimarães, Rodrygo, Matheus Cunha e Felipe ficaram de fora dessa última lista). O goleiro Alisson também está de volta ao escrete canarinho e foi chamado no lugar de Santos, do Athletico Paranaense. No mais, são jogadores que se adaptam perfeitamente ao jogo de posição utilizado pelo treinador da Seleção Brasileira nas primeiras partidas da sua equipe nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Principalmente Renan Lodi, Danilo (laterais que cumpriram funções diferentes dentro da filosofia de jogo de Tite e que se destacaram bastante) e Douglas Luiz. Aliás, o ex-volante do Vasco deu ainda mais dinâmica ao meio-campo do escrete canarinho sem que este setor perdesse consistência na marcação.

Brasil - Football tactics and formations

Danilo jogou mais por dentro e Renan Lodi foi praticamente um ponta pela esquerda na variação do 4-1-4-1 para o 2-3-5 da Seleção Brasileira nos jogos contra Bolívia e Peru. No meio-campo, Douglas Luiz foi muito útil na proteção da zaga e na organização da saída de bola. Boas sacadas de Tite.

É óbvio que as partidas contra Venezuela e Uruguai (principalmente contra a Celeste Olímpica) serão bem diferentes daquelas que acompanhamos no início desse mês de outubro. Será também uma boa oportunidade para que Tite coloque sua filosofia de jogo diante de situações novas e de adversários mais qualificados do que Bolívia e Peru. Por outro lado, vale lembrar que Tite ainda não fechou a sua lista e o retorno de jogadores como Arthur, Vinícius Júnior e Éder Militão indicam que o treinador ainda busca soluções para alguns problemas que o escrete canarinho apresentou nas duas últimas partidas. Principalmente no lado direito de ataque, onde Tite observou Éverton Cebolinha e Richarlison, mas ainda não encontrou o nome ideal para ocupar aquele setor. Esse é um dos motivos pelos quais a Seleção Brasileira tende a concentrar as jogadas mais pelo lado esquerdo.

Mesmo com boa distribuição dentro de campo, a Seleção Brasileira ainda tende a concentrar as jogadas pelo lado esquerdo de ataque muito por conta da boa dupla formada por Neymar e Renan Lodi naquele setor. Everton Cebolinha e Richarlison tiveram atuações discretas jogando na direita. Foto: Reprodução / TV Brasil

A tendência (pelo menos nesse primeiro momento pós-convocação) é que Tite mantenha boa parte da equipe que venceu Bolívia e Peru e só faça mudanças na equipe em caso de necessidade. Por outro lado, o técnico da Seleção Brasileira pode pensar em novas formações e até mesmo uma variação no desenho tático da sua equipe. Vinícius Júnior e Gabriel Jesus podem ser aproveitados no ataque ao lado de Neymar e até mesmo Éverton Ribeiro pode ganhar uma chance entre os titulares. Há como se adaptar o 4-1-4-1/2-3-5 de Tite para acomodar esses jogadores e até mesmo criar novas alternativas para diferentes situações de jogo. E vale lembrar que estamos falando de jogadores que já estão plenamente adaptados à visão que o treinador do escrete canarinho tem e daquilo que ele quer que sua equipe faça dentro de campo. Há opções interessantes em todos os setores do escrete canarinho.

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Vinícius Júnior, Éverton Ribeiro e Gabriel Jesus podem ser muito úteis dentro da filosofia de jogo proposta por Tite na Seleção Brasileira. Os três podem entrar no decorrer das partidas ou até mesmo como uma maneira de dar descanso aos jogadores considerados titulares pelo treinador do escrete canarinho.

É bem verdade que toda lista de convocados para a Seleção Brasileira traz consigo uma série de questionamentos sobre a ausência deste e a presença daquele outro jogador. Há como se questionar, por exemplo, a insistência de Tite em Arthur e Éder Militão, dois nomes que não somaram tanto nas últimas convocações e que não jogam com frequência pelos seus clubes. O primeiro só começou a entrar nas partidas da Juventus há pouco tempo e o segundo só ganhou a vaga na zaga do Real Madrid por conta da lesão de Sergio Ramos. Mesmo assim, são jogadores que podem ser úteis dentro de um elenco coeso e que cumpra aquilo que Tite deseja da sua equipe. Este, inclusive, é um ponto importante. Há atletas que não são chamados justamente por não se encaixarem no estilo de jogo da Seleção Brasileira. E isso é mais do que natural em qualquer equipe de futebol do mundo.

A lista de convocados é boa e tem ótimas opções para Tite montar um time forte. Ela também deixa claro que o treinador do escrete canarinho tem um plano de jogo e uma ideia bem clara daquilo que ele quer dos atletas que escolheu. E isso é muito importante quando pensamos na Seleção Brasileira a médio e a longo prazo. Afinal, a Copa do Mundo de 2022 já começou.

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