Com a maior marca da franquia, o que há de bom no Pittsburgh Steelers em 2020?

 

Lucas Silva
Jornalista | Fundador e editor-chefe do Saida Falsa | ADM no Athletic Club Brasil. Apaixonado pelo futebol americano desde 2008, sofro semanalmente com Corinthians, New Orleans Saints, Miami Heat e Edmonton Oilers.

Crédito: Arte: Lucas Silva

Última equipe invicta na temporada, o Pittsburgh Steelers lidera a AFC Norte e a Conferência Americana com atuações que convencem o torcedor e os alçam a favoritos ao Super Bowl. Depois da vitória no último domingo contra os rivais Cincinnati Bengals (2-6-1) por 36 a 10, o time segue em mais um passo a confirmação do título de sua divisão e lutar até o final da temporada pela seed #1 na AFC. Mas o que fez dos Steelers essa equipe que está surpreendendo a todos até este ponto da temporada? O que há de excelente nos comandados Mike Tomlin e o que pode melhorar para essa segunda metade da temporada?

Uma defesa sólida e que força turnovers

O grande trunfo desse time dos Steelers talvez more em sua unidade defensiva. Mike Tomlin e Keith Butler, coordenador defensivo, organizam sua defesa baseada no sistema 3-4 com jogadores mais dinâmicos e explosivos. O front seven da equipe, ancorado em caras como Cameron Heyward e T.J. Watt, é capaz de chegar com muita facilidade ao quarterback, pressionando-o a sair da zona de conforto e forçar passes incompletos ou interceptações. Não à toa, a unidade é uma das cinco primeiras da liga enviando blitzes aos adversários, com uma média 14,2% de hurries por dropback. A ausência de Devin Bush, que rompeu seu ligamento cruzado anterior, ainda é sentida, mas a temporada de T.J. Watt vem suprindo a falta de Bush, somando nove sacks até aqui.

A defesa, como um todo, é a quarta melhor da liga, cedendo pouco mais de 2,8 mil jardas. A secundária de Pittsburgh é a quinta melhor da liga em jardas por jogo e muito disso está na capacidade de conseguir turnovers. Minkah Fitzpatrick e Terrell Edmunds fazem uma dupla formidável no fundo de campo, Joe Haden e Steven Nelson são dois sólidos cornerbacks que fornecem segurança pelos lados do campo. O time já forçou 11 interceptações, uma das melhores da liga até aqui.

Alvos talentosos

Ben Roethlisberger vem fazendo grande temporada até aqui depois de perder todo o ano de 2019 por conta de lesão. O quarterback de 38 anos soma mais de 2,2 mil jardas aéreas, 22 touchdowns e apenas quatro interceptações. O debate entre quem deve ser o Comeback Player of the Year acirra cada vez mais e, em caso de vitória de “Big Ben”, não devemos nos surpreender. Mas, neste ano, o que vem ajudando e muito o camisa 7 são suas opções no backfield.

JuJu Smith-Schuster, Diontae Johnson, James Washington e Chase Claypool compõe um corpo de recebedores jovens e muito talentosos. JuJu, por mais que não seja aquele recebedor elite que parte da torcida dos Steelers esperava, vem se provando ano após ano como um sólido alvo: um aproveitamento de 77,1% nas recepções, melhor entre os wide receivers, além de somar 54 recepções para 516 jardas. Outro grande destaque é Chase Claypool: o canadense vem fazendo um 2020 surpreendente para um calouro e ainda no início do ano estava sendo colocado nas discussões de Rookie of the Year. Até o momento, soma 500 jardas e um aproveitamento de 61,4% nas recepções.

Nem tudo são flores

O grande ponto negativo (se é que podemos colocar assim) está no jogo corrido. A unidade ocupada por James Conner e Jaylen Samuels é nona pior da liga (média de 101.8 jardas por jogo) e a entrega vem sendo baixa. Em especial, Conner vem sendo mais explorado em passes, porém seu rendimento pessoal até aqui é baixo: menos de quatro jardas por tentativa e cinco touchdowns. Olhando seu desempenho até aqui, claramente há uma queda de produção. Da Semana 6 até a Semana 10, estas foram as médias de carregada por tentativa de James Conner: 5.05, 4.10, 3.13, 2.44 e 2.77. Já se passaram dez semanas e o jogo corrido precisa ser mais eficaz porque pode ser sentido na pós-temporada.

De toda a forma, os Steelers vem produzindo em alto nível e são candidatos ao título e, quem sabe, dar a glória ao seu quarterback já em fase final de carreira.