John Arias autorizou o Flamengo a negociar com os seus representantes (Credit: SPP Sport Press Photo. /Alamy Live News)
O Fluminense decidiu frear uma negociação que caminhava de forma positiva no mercado internacional. A diretoria passou a reavaliar suas prioridades após a sinalização de que o Palmeiras formalizou uma proposta por Jhon Arias. O movimento fez o clube colocar em espera a tentativa de contratar Denis Bouanga, do Los Angeles FC, enquanto analisa possíveis cenários financeiros e esportivos.
A mudança de rota ocorre em meio a um momento delicado da janela. Com recursos limitados e decisões estratégicas a tomar, o clube das Laranjeiras passou a tratar a situação como uma escolha de impacto direto no planejamento para a temporada de 2026.
Avanço por Bouanga entra em compasso de espera
Antes da movimentação envolvendo Arias, o Fluminense avançava nas conversas por Denis Bouanga. O clube apresentou uma oferta próxima de 15 milhões de dólares ao Los Angeles FC. O valor gira em torno de R$ 78 milhões e foi bem recebido pelos norte-americanos.
Bouanga terminou a última temporada como vice-artilheiro da MLS. Ele marcou 32 gols e distribuiu 12 assistências em 46 partidas. Os números pesaram a favor da negociação, já que a comissão técnica busca um atacante decisivo, capaz de mudar jogos com frequência.
Apesar disso, a negociação foi congelada. A diretoria entendeu que o novo cenário exige cautela, principalmente diante da possibilidade de precisar investir um valor ainda maior para manter Arias fora do alcance de um rival direto.
Proposta por Arias muda o cenário do mercado
O interesse do Palmeiras por Jhon Arias gerou impacto imediato nos bastidores do Fluminense. O colombiano, atualmente no Wolverhampton, foi vendido pelo clube carioca em julho de 2025 por 22 milhões de euros. No contrato, ficou estabelecida uma cláusula de prioridade em caso de proposta de outro clube brasileiro.
Essa cláusula garante ao Fluminense o direito de igualar qualquer oferta nacional. O prazo para manifestação termina nesta quarta-feira. A proposta palmeirense gira em torno de 25 milhões de euros, cerca de R$ 154 milhões.
Para exercer o direito e impedir a transferência, o Fluminense precisaria cobrir integralmente esse valor. O montante é consideravelmente superior ao que vinha sendo negociado por Bouanga, o que acendeu o alerta interno.
Dilema financeiro e esportivo da diretoria
A decisão não envolve apenas números. Arias é um jogador identificado com o clube, adaptado ao futebol brasileiro e com papel central em campanhas recentes. Seu retorno traria impacto esportivo imediato e reduziria riscos de adaptação.
Por outro lado, o Fluminense contratou Savarino recentemente, com a ideia de utilizá-lo majoritariamente pelo lado direito. Esse é o setor onde Arias costuma atuar, o que levanta dúvidas sobre encaixe e distribuição de funções no elenco.
A diretoria avalia se faz sentido investir pesado em um jogador para uma posição já reforçada ou se o melhor caminho é diversificar o setor ofensivo com um perfil diferente.
Ataque pode passar por reformulação em 2026
Caso Bouanga chegue, o Fluminense passaria a contar com quatro opções para o comando de ataque. Cano, Everaldo, John Kennedy e o possível reforço disputariam espaço ao longo da temporada.
Internamente, a tendência é de enxugamento do setor. Everaldo aparece como principal candidato a sair. O Athletico-PR demonstrou interesse, e a avaliação é de que uma mudança pode ser positiva para todas as partes, especialmente diante do desgaste com a torcida.
Ainda assim, a diretoria evita avançar em qualquer saída antes de garantir uma reposição. Cano segue entregue ao departamento médico, o que reduz as alternativas imediatas para o técnico Luis Zubeldía.
Decisão exige equilíbrio e timing preciso
No momento, Zubeldía conta apenas com Everaldo e John Kennedy como referências ofensivas. Por isso, o clube trabalha com cautela para não enfraquecer o elenco no curto prazo.
O Fluminense tenta equilibrar razão e contexto. A escolha entre cobrir uma proposta elevada por um ídolo recente ou investir em um novo nome do mercado internacional deve definir os rumos da janela. A resposta precisa vir rápido, mas o impacto será sentido por muito mais tempo.

