Ainda há esperanças? Botafogo mostra poder de reação e acaba com a sequência de derrotas no Brasileirão

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a virada dos comandados de Eduardo Barroca sobre o Coritiba dentro do Couto Pereira

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Vítor Silva / Botafogo

A frase “tem certas coisas que só acontecem ao Botafogo” ganhou mais um capítulo neste sábado (19). Quando tudo parecia perdido, os comandados de Eduardo Barroca tiraram forças sabe Deus de onde e não só conquistaram três pontos importantíssimos como acabaram com um período de quase dois meses sem saber o que é vencer uma partida. É bem verdade que tivemos momentos em que a vaquinha se encaminhava célere para o brejo mais próximo. Principalmente após o primeiro tempo cheio de erros técnicos e táticos, pela atuação ruim de toda a equipe alvinegra e pelo gol marcado por Neilton. Mas quiseram os deuses do Velho e Rude Esporte Bretão que o Botafogo reacendesse a sua chama no segundo tempo a partir das mexidas de Eduardo Barroca e da maneira como o Coritiba simplesmente “sentou em cima” da vantagem conquistada nos primeiros 45 minutos. Ainda há esperanças? Este que escreve acredita que sim.

É preciso dizer que o Botafogo não fez um primeiro tempo ruim apesar de todos os erros cometidos. A equipe de Eduardo Barroca marcava em cima, estava bem distribuída em campo e levou perigo ao gol defendido por Wilson em pelo menos três oportunidades com as boas descidas de Rafael Foster e Caio Alexandre pelo lado esquerdo de ataque. Só que faltavam dois ingredientes fundamentais num jogo de Campeonato Brasileiro: intensidade (em todas as transições) e compactação entre os setores. O Coritiba, por sua vez, espelhava o 4-2-3-1 do seu adversário e recuava as suas linhas. Bola roubada e passe rápido para Giovanni Augusto, o jogador mais avançado do escrete comandado por Pachequinho. Exatamente como aconteceu no lance do gol de Neilton, aos 26 minutos da primeira etapa. E isso tudo aproveitando os espaços generosos que o escrete de General Severiano concedia entre a defesa e o meio-campo.

Coritiba vs Botafogo - Football tactics and formations

O Botafogo tentou ocupar o campo de ataque com Honda se transformando quase num quarto atacante, mas a equipe de Eduardo Barroca concedia espaços demais entre seus setores. O Coritiba se fechou na defesa e explorou a velocidade de Neilton, Rafinha e Giovanni Augusto nos contra-ataques.

Vale destacar que Rafael Foster e Caio Alexandre eram os jogadores mais perigosos e os que mais produziam no Botafogo até o início da segunda etapa. Eles e o goleiro Diego Cavalieri. No entanto, era de se esperar que os dois acabassem sobrecarregados por conta da inércia e da passividade dos demais companheiros de equipe em todos os aspectos. Kalou pouco produziu na partida e Honda, embora tenha aparecido mais no segundo tempo, acabou saindo por conta de lesão muscular. Do outro lado, O Coritiba mantinha o controle da partida e poderia ter aumentado a vantagem se Rafinha, Pablo Thomas e Neilton caprichassem mais no último passe. Mas a grande verdade é que o Coxa Branca começou a sofrer a virada a partir do momento em que Pachequinho sacou seus melhores jogadores e trouxe sua equipe para trás. Isso antes da metade da segunda etapa. Era tudo que Barroca desejava: espaço.

Vale destacar aqui uma mudança clara no ímpeto e na postura dos jogadores do Botafogo. O time de General Severiano, mesmo errando demais, não parou de atacar. O gráfico acima (retirado do SofaScore) mostra bem isso. E por mais que as circunstâncias tenham forçado Eduardo Barroca a sacar Honda e Kalou da equipe, também é preciso dizer que as entradas de Cícero e Matheus Babi deram outro ânimo ao Glorioso. Os gols marcados por Pedro Raul (um deles em penalidade confirmada pelo VAR) foram o prêmio para a equipe que conseguiu se recuperar de um baque forte no primeiro tempo e a punição para a queda abrupta de rendimento do Coritiba e para as mexidas (no mínimo) questionáveis de Pachequinho. E isso sem mencionar a penalidade bisonhamente desperdiçada pelo zagueiro Sabino após intervenção do VAR já nos minutos finais. A noite desse sábado (19) era do Botafogo. Sem apelações.

Botafogo vs Coritiba - Football tactics and formations

Pachequinho mexeu muito mal na sua equipe e praticamente acabou com o sistema ofensivo da equipe do Coritiba. Já Eduardo Barroca (ainda que forçado pelas circunstâncias da partida) fez as substituições corretas e viu o Botafogo conquistar um resultado importantíssimo na luta contra o rebaixamento.

Este que escreve sabe muito bem que o time do Botafogo ainda precisa de muitos ajustes em todos os setores. Mesmo assim, a virada sobre o Coritiba já mostrou o caminho para Eduardo Barroca. Cícero ainda tem muito em criatividade e consistência defensiva. Além disso, Lecaros não pode ser reserva justo numa equipe que precisa tanto de velocidade nas transições ofensivas. Honda e Kalou (mesmo muito abaixo do que podem e devem render) ainda podem ser úteis numa equipe ajustada na defesa e com um plano de jogo claro e que atenda às necessidades mais urgentes do Botafogo: vencer. Por mais que os três pontos conquistados na capital paranaense tenham nascidos de erros de seu adversário, a impressão que ficou depois da partida é a de que esse elenco (mesmo com todos os problemas dentro e fora das quatro linhas) pode entregar mais do que vem entregando nas últimas partidas.

A vitória do Botafogo sobre o Coritiba dá sim um tremendo alívio para Eduardo Barroca montar o time e fazer os ajustes necessários. Apesar das esperanças da torcida (já tão castigada pelos resultados ruins e pelas lambanças da sua diretoria) terem se renovado, é preciso dizer que muita coisa precisa ser corrigida. Como o próprio treinador alvinegro ressaltou na coletiva após o jogo, a caminhada ainda é dura e tortuosa.

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