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Preciso no ataque e seguro na defesa: Santos conquista bom resultado diante de um Grêmio sem muitas ideias

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa o empate entre o Peixe e o Tricolor Gaúcho pela Copa Libertadores da América

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos FC

Enfrentar o Grêmio em Porto Alegre (mesmo nesse contexto imposto pela pandemia de COVID-19) é sempre uma tarefa ingrata para qualquer equipe do Brasil. Não somente pela qualidade do escrete comandado por Renato Gaúcho, mas por toda a boa fase do Imortal na temporada. Só que o Santos teve três grandes trunfos na partida desta quarta-feira (9): solidez defensiva, aplicação tática e precisão no ataque. Por mais que Kaio Jorge (autor do gol santista) tenha desperdiçado boa chance na segunda etapa, os comandados de Cuca tiveram atuação quase perfeita diante de um adversário que conhece muito bem os caminhos da Copa Libertadores da América. O empate em 1 a 1 dá uma senhora vantagem para o Santos no jogo da volta, marcado para a próxima quarta-feira (16), na Vila Belmiro. A lamentar somente a arbitragem confusa e enrolada do paraguaio Juan Benitez.

Antes de mais nada, é preciso dizer que Renato Gaúcho errou a mão na escalação da sua equipe. Maicon tem muita qualidade e muita visão de jogo, mas já não consegue acompanhar o ritmo de partidas mais intensas. Como era o caso do jogo contra o Santos nesta quarta-feira (9) pela Libertadores. Mesmo tendo iniciado a partida em ritmo acelerado e criado boas chances com Pepê e Kanemmann, o Grêmio acabaria sucumbindo à ótima marcação do seu adversário por conta da lentidão e da hesitação dos seus principais jogadores. Se Matheus Henrique tentava acelerar, Maicon, Victor Ferraz e Diogo Barbosa não acompanhavam o ritmo. E sem o talento de Jean Pyerre, o Tricolor Gaúcho não conseguia imprimir intensidade nas suas transições para o ataque. Pepê e Luiz Fernando chegaram a mudar de lado para tentar encontrar espaços na bem postada defesa santista, mas sem muito sucesso.

Santos vs Gremio - Football tactics and formations

Mesmo sem Jean Pyerre, Renato Gaúcho armou o Grêmio no seu 4-2-3-1 costumeiro diante de um Santos extremamente ligado em cada jogada e muito intenso nas suas transições defensivas. A forte marcação do Peixe acabaria sendo bastante facilitada pela lentidão do meio-campo gremista nas jogadas de ataque.

Cuca, por sua vez, apostou num 4-1-4-1 que negava espaços ao meio-campo gremista com encaixes individuais e perseguições longas a partir da intermediária. Sandry ficava com Pinares, Diego Pituca vigiava Maicon e Jobson colava em Matheus Henrique. Tudo era feito com muita intensidade e muita atenção nos movimentos para não sobrecarregar a linha defensiva formada por Pará, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan. A disposição dos jogadores do Peixe em campo obrigava o Grêmio a girar a bola e se movimentando na intermediária, mas não encontrava espaços. Quando Kaio Jorge abriu o placar aos 35 minutos do primeiro tempo (em falha do goleiro Vanderlei e de toda a defesa gremista), o Santos já executava a sua estratégia de maneira quase perfeita, seja acelerando nos contra-ataques ou tirando a velocidade do jogo para se posicionar corretamente em campo.

O Grêmio sentiu demais a falta de Jean Pyerre para furar o eficiente bloqueio defensivo do Santos. Cuca apostou em linhas bem compactadas e perseguições longas a partir do meio-campo para anular os principais jogadores do escrete comandado por Renato Gaúcho. Foto: Reprodução / FOX Sports / ESPN Brasil

O Santos voltou do intervalo com a mesma pegada e conseguiu criar pelo menos quatro boas chances de gol no início do segundo tempo. A mais clara delas aconteceu em lance desperdiçado por Jobson após belo cruzamento de Felipe Jonatan. Na defesa (conforme o frame acima mostra), o time da Vila Belmiro fechava espaços e travava o meio-campo do seu adversário. A entrada de Alison no lugar de Jobson reforçou a marcação do Peixe, mas fez com que o time perdesse qualidade no passe curto. Do outro lado, Renato Gaúcho empilhava atacantes no Grêmio, mas abria espaços generosos na sua defesa. Acabou que a expulsão tola de Diego Pituca e o pênalti convertido por Diego Souza aos 56 minutos do segundo tempo (em toque de Vinícius Beliero dentro da área) salvaram o Tricolor Gaúcho da derrota. Mesmo assim, é preciso dizer que o Santos jogou melhor na maior parte do tempo.

Os números do SofaScore (no tweet acima) mostram com clareza que a estratégia escolhida por Cuca deixou o Santos muito mais intenso e perigoso nas transições para o ataque. Ainda que a equipe da Vila Belmiro tenha diminuído o ritmo depois da metade do segundo tempo. O Peixe aliou solidez defensiva com muita precisão no ataque e leitura correta dos movimentos do seu adversário. Já o Grêmio, mesmo com a ausência bem sentida de Jean Pyerre, abusou da lentidão em determinados momentos e deu a impressão de não ter lá muitas ideias para vencer o forte bloqueio defensivo do seu adversário. Ainda mais com a marcação encaixada em cima dos três jogadores pela criação no meio-campo. Faltava criatividade, intensidade e (principalmente) mais coordenação nos movimentos pertos da área do Peixe. Mesmo assim, Matheus Henrique fez boa partida e Darlan entrou bem no lugar de Maicon.

Apesar da (pequena) vantagem do Santos no jogo de volta, a disputa pela vaga nas semifinais da Copa Libertadores da América ainda está em aberto. O Peixe viu sua estratégia dar certo na casa do adversário e encontrou espaços que podem ser muito bem explorados na próxima semana. Já o Grêmio de Renato Gaúcho precisa aprender com os erros cometidos nesta quarta-feira (9). Há como o Tricolor Gaúcho entregar mais do que entregou na sua Arena.

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