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Organização, dedicação e perseverança: Chapecoense dá verdadeira lição de futebol no Brasileirão da Série B

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória dos comandados de Umberto Louzer em cima da Ponte Preta

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Márcio Cunha / Associação Chapecoense de Futebol

A Chapecoense é o tipo de clube que já se transformou em sinônimo de perseverança e renascimento. Não somente pela tragédia de Medellín e por toda a tristeza que tomou conta de todo amante do futebol. É muito mais do que isso. A Chape conseguiu se reerguer após o rebaixamento ocorrido em 2019 e já garantiu presença na elite em 2021 jogando um futebol eficiente que alia intensidade, organização e a já conhecida perseverança de sua torcida. A vitória suada por 1 a 0 sobre uma aguerrida Ponte Preta (com gol de pênalti marcado por Perotti aos 50 minutos do segundo tempo) foi mais uma amostra do que a equipe de Umberto Louzer pode fazer dentro de campo. Com o resultado conquistado dentro da Arena Condá nesta quinta-feira (21), a Chapecoense se aproxima ainda mais do título inédito do Brasileirão da Série B e pode fazer história mais uma vez em Santa Catarina.

É bem verdade que a Ponte Preta pode (e deve) reclamar de um pênalti em cima de Dawhan não marcado pelo árbitro Rodrigo Batista Raposo logo nos primeiros minutos de partida. Mas nem isso tira o mérito da Chapecoense na sua organização dentro de campo e na imposição do seu jogo através da execução dos movimentos do 4-2-3-1/4-3-3 de Umberto Louzer. Denner aparecia por dentro como “camisa 10” e se alinhava a Ronei Gebing para gerar superioridade no meio-campo. E com Paulinho Moccelin voando pela esquerda, a Ponte Preta de Fábio Moreno (que se fechava numa espécie de 4-4-1-1 com Camilo armando as jogadas de ataque) perdeu a saída pelo lado direito com a velocidade do folclórico Apodi. Nem mesmo a lesão de Mike e a entrada do rápido Aylon diminuíram o volume de jogo e o ímpeto ofensivo de uma Chapecoense ligada, organizada e muito intensa nas suas transições.

Chapecoense vs Ponte Preta - Football tactics and formations

Denner se movimentava por todo o campo e dava o tom do 4-2-3-1/4-3-3 de Umberto Louzer na Chapecoense. Ao mesmo tempo, Anselmo Ramon saía da área e abria espaços para as entradas em diagonal de Paulinho Moccelin e Aylon nos espaços entre os zagueiros e laterais da Ponte Preta. Muito volume de jogo.

A tola expulsão de Luan Dias aos 39 minutos do primeiro tempo ajudou a complicar mais ainda a vida da Ponte Preta. Principalmente por ter que obrigado o técnico Fábio Moreno a recuar ainda mais as linhas da sua equipe para atacar apenas “na boa” (numa espécie de 4-4-1 com Camilo jogando pelo lado do campo). Ao mesmo tempo, Umberto Louzer colocava a Chapecoense para jogar no campo adversário com as entradas do atacante Perotti no lugar do volante Ronei. O jovem camisa 77, Willian e Aylon perderiam grandes chances de abrir o placar no início da segunda etapa por pura afobação. Ou azar mesmo. Mas nem isso abalou as estruturas da Chape. A equipe da Arena Condá seguia organziada e mantendo a bola no campo de ataque. Os números do SofaScore mostram bem isso. Foram 55% de posse de bola com 18 finalizações a gol (sendo que apenas quatro foram na direrção do gol de Ygor Vinhas).

A Ponte Preta poderia ter saído da Arena Condá pelo menos com um empate se Guilherme Pato não tivesse desperdiçado uma chance incrível de balançar as redes depois de um dos poucos contra-ataques que sua equipe encaixou na partida. Ao mesmo tempo, a Chapecoense não diminuía o ritmo e conseguiu chegar ao seu gol com um pênalti (bem marcado) de Apodi em cima do lateral-esquerdo Roberto (substituto de um exausto Alan Ruschel). E coube ao jovem Pedro Perotti a tarefa de marcar o gol da vitória da Chape aos 50 minutos do segundo tempo em cobrança de manual. Os comandados de Umberto Louzer mostravam mais uma vez a sua força diante de um adversário que competiu enquanto teve fôlego para tal, mas que não teve pernas para segurar tanto volume de jogo e nem concentração para aproveitar as poucas oportunidades que tiveram ao longo dos noventa (e poucos) minutos de partida.

Com a vitória conquistada dentro de casa, a Chapecoense retomou a liderança da Série B e chegou aos 70 pontos na tabela (um a mais do que o América Mineiro de Lisca Doido). Aliás, a campanha da Chape na competição fala por si só: em 36 jogos, a equipe de Umberto Louzer venceu 19, empatou 13 e perdeu apenas quatro vezes, com 39 gols marcados e apenas 18 sofridos (melhor defesa da Série B). A Chape não é um time de muitos gols, é verdade, mas mostra muita consistência e muito equilíbrio em todos os setores além de uma organização tática de dar inveja a muita equipe que disputa a Série A do Brasileirão. É uma verdadeira lição de como se pensar a estratégia de uma equipe que nem era tão badalada assim antes do início da competição, mas que foi mostrando sua força no decorrer das partidas. Em tempo: Umberto Louzer faz um grande trabalho à frente da Chapecoense.

Essa não será a última vez em que eu e você vamos ver esse clube ressurgindo das cinzas. É possível até dizer que essa camisa verde dá poderes especiais para quem a veste. A Chapecoense reúne organização, garra, entrega, disciplina tática e a já conhecida perseverança do Índio Condá para se superar mais uma vez e se aproximar ainda mais de um título que ainda não tem em sua sala de troféus. A Chape segue gigante.

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