Lá vem o Abelão… Internacional dá aula de contra-ataque e atropela o São Paulo em pleno Morumbi

Luiz Ferreira explica como Abel Braga deu um verdadeiro nó tático em Fernando Diniz na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

Este que escreve nunca gostou muito de dizer que este ou aquele técnico estão “ultrapassados” por entender que não é possível esquecer aquilo que se aprendeu durante anos de trabalho e experiência. Esse é exatamente o caso de Abel Braga. Você leu aqui na coluna PAPO TÁTICO que a grande missão do experiente treinador no Internacional era “trocar o pneu com o carro andando”. Depois da eliminação na Copa Libertadores da América para o Boca Juniors, o escrete colorado parece ter mudando da água… Para o vinho! A goleada implacável sobre um São Paulo inerte e completamente passivo foi a sétima seguida dos comandados de Abelão no Campeonato Brasileiro. O Internacional assume a liderança da competição e mostra muita consistência e competitividade num dos momentos mais importantes da temporada. E isso a sete rodadas para o final do Brasileirão.

É bem verdade que Abel Braga não vinha de bons trabalhos e muitos o consideravam como “acabado” para o futebol. Só que o mundo gira e a bola rola. Impossível não notar o “dedo” do treinador na escolha da estratégia para o jogo contra o São Paulo. O Internacional iniciou a partida com muita intensidade nas transições para não permitir que os comandados de Fernando Diniz pudessem ter tempo e espaço para trabalhar as jogadas. Muita pressão no portador da bola e força no jogo aéreo com Victor Cuesta abrindo o placar aos oito minutos do primeiro tempo. Foi o suficiente para fazer com que o Tricolor Paulista perdesse completamente a concentração e errasse lances bobos. Exatamente como na falha de Juanfran no gol de Caio Vidal aos 24 minutos. Com a vantagem no placar, o Inter ainda viu Luciano diminuir após cobrança de escanteio, mas seguia controlando bem o jogo no meio-campo.

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Sao Paulo vs Internacional - Football tactics and formations

Abel Braga apostou numa forte pressão no portador da bola e muita intensidade nas transições para desestabilizar um São Paulo que já não era muito confiante e errava demais. Patrick, Edenílson, Praxedes e Rodinei se multiplicavam em campo e causavam muitos problemas para o escrete comandado por Fernando Diniz.

O que mais impressionava na partida desta quarta-feira (20) era o fato do São Paulo não acelerar as transições e seguir jogando em “ritmo de treino” contra um adversário ligado em cada lance e atento a cada oportunidade. Os números do SofaScore (ver tweet abaixo) mostram bem que o Internacional abriu mão da posse da bola, mas manteve o volume de jogo quase insano. A equipe comandada por Abel Braga teve meros 30% de posse de bola, finalizou incríveis 19 vezes a gol (sendo sete no alvo) e balançou as redes de Tiago Volpi cinco vezes. E tudo isso a partir de um plano de jogo bem simples, mas muito bem executado em todos os sentidos. Abel Braga sabia que Fernando Diniz abriria ainda mais o São Paulo no segundo tempo e viu sua equipe explorar muito bem todos os espaços que surgiam entre o meio-campo e a última linha defensiva. Yuri Alberto que o diga.

Impossível não classificar o segundo tempo como um verdadeiro atropelamento. O São Paulo voltou ainda mais aberto na sua defesa com as entradas de Igor Gomes e Vítor Bueno nos lugares de Gabriel Sara e Léo respectivamente e viu seu adversário ficar ainda mais “mordido” com Daniel Alves dando passes para o lado e virando o rosto para o outro. O time comandado por Fernando Diniz simplesmente se desmanchou depois que Vítor Bueno errou na saída de bola e Yuri Alberto (o melhor em campo pelos gols e pela movimentação constante nos 45 minutos finais) aproveitou a sobra para fazer o terceiro gol colorado no Morumbi. A essa altura, Abel Braga já havia recuado as linhas do Internacional exatamente com o intuito de aproveitar os verdadeiros “latifúndios” que existiam no campo ofensivo. O escrete colorado simplesmente esperou o momento certo para encaixar os contra-ataques.

E num desses contra-ataques, Edenílson lançou o jovem Peglow na intermediária ofensiva e este fez o passe em profundidade para Yuri Alberto. O camisa 11 do Internacional passou por Tiago Volpi e devolveu a provocação a Daniel Alves ao chutar para o gol vazio e olhar para o outro lado. E quiseram os deuses do velho e rude esporte bretão que o camisa 10 tricolor “participasse” do quinto gol do Inter. Daniel Alves perdeu a bola no meio, Patrick lançou Yuri Alberto (novamente) no espaço vazio e este tocou na saída de Volpi. Com a goleada e a vitória assegurada, Abel Braga foi descansando seus jogadores já de olho no Gre-Nal deste próximo domingo (24). Do outro lado, Fernando Diniz (completamente atordoado) sentiu o golpe ao mandar o zagueiro Diego Costa para o jogo e recompor seu sistema defensivo. O Internacional teve uma das suas melhores atuações em toda a temporada.

Internacional vs Sao Paulo - Football tactics and formations

Enquanto Fernando Diniz desarrumava completamente o time do São Paulo, o Internacional de Abel Braga foi aproveitando os espaços que surgiam no ataque para construir uma sonora goleada dentro do Morumbi. Com o placar assegurado, o treinador colorado poupou seus principais jogadores de olho no Gre-Nal de domingo (24).

As sete vitórias consecutivas e o massacre em cima do São Paulo apenas atestam a qualidade do Internacional de Abel Braga. A defesa marca forte e em cima, o meio-campo acelera e cadencia as jogadas e o ataque sabe explorar bem os espaços que aparecem na frente. E isso sem mencionar as ótimas fases de jogadores como Patrick (nível de Seleção Brasileira na opinião deste que escreve), Edenílson, Rodrigo Dourado, Cuesta, Yuri Alberto e (pasmem) Rodinei. O São Paulo, por sua vez, já havia caído de rendimento após a eliminação da Copa do Brasil e parece ainda não ter se recuperado do golpe. Ao mesmo tempo, os jogadores já não executam os conceitos e o plano de jogo de Fernando Diniz com o mesmo afinco e precisão. Impossível não notar também que o desempenho da equipe caiu demais após os xingamentos do treinador dirigidos a Tchê Tchê na derrota para o Bragantino há duas semanas…

Seja como for, o Internacional assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro num dos momentos mais importantes da competição. É claro que ainda não há como garantir que o título virá para o Beira-Rio depois de 42 anos. No entanto, diante de tudo que eu e você vimos em campo nesta quarta-feira (20), a certeza que fica é a de que o Colorado entendeu como jogar nos erros do adversários sem perder a consistência ou abrir mão do ataque.

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