Juventus quebra invencibilidade do Milan com ótima atuação coletiva e noites inspiradas de Dybala e Chiesa

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa o clássico desta quarta-feira (6) válido pela 16ª rodada do Campeonato Italiano

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Juventus FC

Recordes, jejuns e marcas estão aí para serem superados e quebrados. É assim desde que o mundo é mundo e desde que alguns ingleses inventaram aquele que é o esporte mais amado e praticado em todo o mundo. Antes da bola rolar no San Siro, o Milan de Stefano Pioli era a única equipe invicta entre as principais ligas europeias na atual temporada. Só que quem acabou rindo por último foi a Juventus de Andrea Pirlo. A equipe de Turim teve calma e soube bem os momentos de acelerar e cadenciar o jogo para derrotar o escrete rossonero fora de casa e se aproximar ainda mais da parte de cima da tabela. Destaque para as boas atuações do meio-campo Federico Chiesa (autor de dois gols) e do argentino Dybala, os melhores em campo na opinião deste que escreve. Do lado do Milan, Calabria, Rafael Leão e Çalhanoglu foram os jogadores que mais deram trabalho para “La Vecchia Signora”.

É preciso dizer que o Milan só conseguiu se encontrar na partida depois que levou o gol de Chiesa aos 17 minutos do primeiro tempo. Do início da partida até aí, a Juventus controlava as ações no meio-campo com Cristiano Ronaldo e Dybala mais soltos no ataque, Ramsey, Bentancur e Rabiot fechando o meio e o já mencionado camisa 22 ajudando na recomposição defensiva pelos lados do campo. O crescimento de produção do Milan só aconteceu quando Rafael Leão começou a se movimentar mais no comando de ataque e (principalmente) Çalhanoglu foi jogar entre as linhas da Juventus. Com mais intensidade nas transições, mais organização no meio-campo e mais pressão do portador da bola, o escrete de Stefano Pioli conseguiu igualar o marcador no final da primeira etapa com Calabria acertando um belo chute da entrada da área no ângulo de Szczesny.

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Juventus vs Milan - Football tactics and formations

A Juventus fechou o meio-campo através do 4-3-3/4-4-2 de Andrea Pirlo, explorou as subidas de Chiesa às costas de Theo Hernández e a movimentação de Dybala para abrir o placar com um belo gol do camisa 22. O Milan, por sua vez, só se encontrou quando Rafael Leão e Çalhanoglu começaram a se movimentar mais no campo ofensivo. O 4-2-3-1 de Stefano Pioli ganhou corpo.

A questão aqui é que um clássico é feito de uma série de elementos importantes. Embora o Milan tenha mostrado a sua força nessas últimas partidas e até relembrado momentos gloriosos da sua história, a impressão que fica é a de que a equipe rossonera ainda precisa de um pouco mais de “casca” em jogos grandes. Coisa que a Juventus tem de sobra. Depois de um chute de Diogo Dalot e outro de Çalhanoglu, “La Vecchia Signora” tomou conta do jogo novamente e conseguiu retomar a vantagem no placar através da movimentação de Dybala e do poder de decisão de Chiesa. Falha de Theo Hernández, Romagnoli e Kessié na marcação do argentino que teve toda a liberdade possível para deixar seu companheiro de equipe na cara de Donnarumma. Essa foi a senha para Pirlo sacar os dois jogadores e mandar McKennie e Kulusevski para o jogo. Tudo para explorar os espaços que iriam aparecer.

E não demoraram para aparecer. Ainda mais quando Stefano Pioli empilhou atacantes na equipe do Milan. Brahim Díaz acabou embolando um pouco o jogo com Çalhanoglu e não deu o toque de velocidade que faltava ao escrete rossonero. Já a Juventus apenas cadenciava o jogo e buscava o melhor momento de atacar. E esse momento veio aos 30 minutos da segunda etapa justamente com a dupla formada por McKennie e Kulusevski. O meio-campo sueco partiu da direita (mais uma vez às costas de Theo Hernández) e deixou o jovem (e rápido) norte-americano livre dentro da pequena área para marcar o terceiro da “Vecchia Signora”. Stefano Pioli ainda tentou dar mais fôlego ao Milan com as entradas de Colombo, Maldini e Conti, mas sem sucesso. A Juventus foi “cozinhando” o jogo e conquistou uma vitória maiúscula na base do jogo coletivo consistente e bem praticado.

Milan vs Juventus - Football tactics and formations

McKennie e Kulusevski entraram muito bem na equipe da Juventus e mantiveram o nível de Chiesa e Dybala na produção ofensiva diante de um Milan que não teve lá muita força para se recuperar na partida. As mexidas de Stefano Pioli acabaram bagunçando o time ao invés de dar o toque de velocidade e intensidade que o escrete rossonero necessitava para superar um forte adversário.

O Milan segue na liderança do Campeonato Italiano, mas é impossível não notar que os comandados de Stefano Pioli perderam uma ótima oportunidade de abrir uma boa vantagem na primeira posição. A derrota desta quarta-feira (6), por outro lado, deve servir de aprendizado para um time que está recuperando o prestígio perdido pela equipe rossonera nos últimos anos. A Juventus (apesar da mudança no comando técnico) é uma equipe acostumada a jogos grandes e com um elenco de qualidade, coisa que o Milan ainda não tem. Calabria, Rafael Leão e (principalmente) Çalhanoglu têm muita qualidade, mas a impressão que ficou foi a de que carregavam o time nas costas em determinados momentos enquanto os demais jogadores se escondiam da partida. Mesmo assim, o resultado no San Siro pode ser a lição que faltava para um clube que quer voltar a ser protagonista no cenário mundial.

É bom que se diga que a disputa ainda está aberta no Campeonato Italiano. Embora ainda seja o líder, o Milan começa a ver a Internazionale, a Roma e (agora) a Juventus mais próximas. E isso sem mencionar o surpreendente Sassuolo e o sempre competitivo Napoli. Se conseguir criar “casca” em jogos grandes, o escrete rossonero pode ir bem mais longe do que se espera. O elenco é bom e Stefano Pioli vem fazendo um bom trabalho. É aprender com os erros e derrotas para voltar a vencer.

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