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Brasileiro relata visita no Parque Super Nintendo World no Japão: “ocupado normalmente”

Leandro Eidi, brasileiro que mora no Japão, visitou o novo Parque Super Nintendo World em Osaka; o Torcedores.com revela detalhes em entrevista

Gisele Henriques
MBA em Administração e Marketing, Pós Graduada em Jornalismo Esportivo, graduada em Licenciatura em Artes Visuais, Tecnologia em Marketing e Bacharelado em Administração, é graduanda de Direito e de Jornalismo.

Crédito: Imagem: Reprodução / Facebook Leandro Eidi

No último dia 06 de abril, foi anunciado que o Parque Super Nintendo World, em Osaka, Japão, irá reduzir o número de visitantes diários em 75%, como medida para controlar o avanço do coronavírus, em cooperação com as políticas dos governos locais. Com isso, o local poderá receber cerca de 5.000 visitantes diários, ao invés do público de 20.000 frequentadores.

O brasileiro Leandro Eidi é uma das pessoas que visitou o Parque Super Nintendo World no último final de semana antes da medida, e revela suas impressões ao Torcedores.com; confira abaixo:

Quais as suas impressões pessoais sobre o parque?

A primeira impressão ao entrar no parque é que você entrou em uma fase real de algum jogo do Mario. Já fui em vários parques temáticos no Japão e nos Estados Unidos, e a Super Nintendo World foi a que mais me passou a sensação de estar mergulhado em um outro mundo, mais até mesmo que a área baseada em Harry Potter, que até então era a campeã para mim. Quase todo centímetro foi cuidadosamente decorado e pensado.

É necessário dizer que o Super Nintendo World é bem pequeno. Com apenas duas atrações, duas lojas e um restaurante, quem tiver o interesse de ir lá apenas pelas atrações, andar e tirar fotos, em um par de horas terá feito tudo de importante. Mas para os verdadeiros fãs, é uma obrigação comprar a chamada Power-up Band, pois com ela, que é um bracelete vendido à parte com tecnologia RFID (Identificação por radiofrequência), baixando o aplicativo da Universal Studios Japan e linkando a Power-Up Band ao app através de um QR code na parte de baixo do bracelete, a interação com os itens do parque aumenta enormemente.

Todos os blocos “?” espalhados pelo parque se tornam interativos – socando a parte de baixo do bloco enquanto se usa o bracelete produz o som de moedas, tornando possível jogar diversos minigames espalhados pela área, sendo alguns para coletar chaves que permitirão enfrentar Bowser Jr. Realizar ações no parque e nas atrações rendem achievements. E tudo isso fica salvo no aplicativo. As moedas são usadas para rankings diários, então quem quiser experimentar o gosto de estar no topo, terá que se esforçar durante o dia todo para ficar na frente. E com uma extensa lista de achievements a serem coletados (exemplos: chegar ao fim da atração de Mario Kart sem atingir personagens do seu time, coletar todos os power-ups pelo parque, vencer todos os minigames…), incluindo alguns que só podem ser coletados durante certos meses, um verdadeiro fã vai levar um longo tempo para “platinar” o aplicativo. Sim, ironicamente, o que mais acrescenta diversão e conteúdo ao parque é um “DLC”.

Infelizmente não pude completar tanta coisa quanto eu gostaria, principalmente coletar chaves e enfrentar Bowser Jr. A Express Pass, que permite furar filas e garantir a entrada na área da Nintendo, estava absurdamente cara nesse período de estreia da Super Nintendo World, então me senti na obrigação de ir aproveitar também as atrações das outras partes da Universal que me permitiam furar fila. A título de curiosidade, a entrada normal da Universal mais o Express Pass para o dia 2 de abril custou 25.600 ienes, o que na cotação de hoje converte para 1.320 reais. Desses, 17.800 ienes (917 reais) foi só pelo Express Pass. Como eu não queria arriscar ir até lá e não conseguir entrar no Super Nintendo World, já que sem o Express Pass a entrada é controlada por fila de espera e sorteio, achei melhor comprar o passe.

O restaurante principal Kinopio’s Café (Kinopio é o nome japonês de Toad) é também muito bem decorado, e a oferece comidas temáticas bonitas e gostosas. Outros dois balcões vendem lanches mais simples como pipocas e bebidas. As lojas são obviamente lotadas de itens temáticos e exclusivos do parque. Sair sem gastar muito é um desafio grande!

Quais medidas são tomadas para evitar contaminação por covid durante a visitação no parque?

A Universal Studios Japan anunciou que estava tomando medidas com relação a covid, e é possível notar alguns esforços como álcool nas entradas e saídas de todas as atrações, lojas e restaurantes, marcações no chão para indicar o espaçamento ideal entre as pessoas, e alertas sonoros por todo o parque para usarmos máscaras e tomarmos cuidado. A Universal também diz ter limitado o número de entradas disponíveis por dia.

Porém, comparando com a Tokyo Disneyland, onde fui em setembro do ano passado, senti que a Universal Studios deveria fazer mais. Na Disney, os funcionários eram enfáticos em fazer com que o espaço entre as pessoas na fila e áreas de espera de atrações fosse respeitado. Na Universal, apesar das marcações no chão, muita gente não respeitava e era comum ver pessoas muito próximas nas filas. E em áreas de espera, os funcionários até pediam para que ocupássemos os espaços vazios pra caber mais gente.

Ainda comparando os parques, na Disney eles tentavam manter distância entre pessoas de grupos diferentes, como deixar espaços vazios nas atrações, ou fileiras vazias em shows. Na Universal todos os espaços eram ocupados normalmente. Agora que a cidade vai entrar em um novo estado de emergência, espero que a Universal Studios seja mais rígida com relação à prevenção.

Qual atração do parque chamou mais sua atenção?

Há somente duas atrações grandes, uma baseada em Mario Kart, e outra em Yoshi. Entretanto, a atração de Yoshi chamada Yoshi’s Adventure é bem voltada a crianças. É só um carrinho no formato de Yoshi que anda bem devagar em um cenário baseado em Yoshi’s Island. É bonitinho, mas considero Mario Kart a única verdadeira atração.

Em Mario Kart entramos em um carrinho, com volante e botões, que anda em trilhos, e nós usamos um visor de realidade aumentada. Então conseguimos ver ao mesmo tempo o cenário do mundo real, e no visor vemos outros personagens do nosso time como Peach e Luigi, adversários que são os Koopalings, e inimigos diversos como Koopas, Goombas, Boos, e até Bowser. Ganha-se moedas ao virar o volante no momento que uma seta aparece no seu visor, e ao atirar cascos em inimigos e adversários mirando ao olhar para eles e apertando o botão no volante. Já atingir personagens do seu time te faz perder moedas. No final da “corrida” há um ranking daqueles que conseguiram coletar mais moedas.

Mario Kart é bem legal, mas logo depois que saí percebi um problema… Prestar atenção na seta, nos inimigos, nos adversários, e na quantidade de cascos restantes se torna tão caótico, que nem mesmo prestei atenção na decoração do cenário de dentro da atração. A fila até o carrinho se passa dentro do castelo de Bowser, muito bem decorado, e me senti decepcionado de não ter prestado atenção na qualidade da decoração durante a corrida. Pensei em ir novamente sem o visor, mas pela longa fila sem o Express Pass (que só pode ser usado uma vez na mesma atração), não teria tempo para isso.

Como você vê o avanço tecnológico das diversões eletrônicas? Acredita que o futuro é essa fusão entre virtual e real?

Em parques temáticos, eu espero cada vez mais ver tecnologias como RFID e realidade aumentada sendo utilizadas. Sem tais tecnologias, por mais bem-feitos que sejam novos parques temáticos ou novas áreas, eu sinto que se torna cada vez mais difícil fascinar o público já acostumado a visitar tais locais. Há alguns anos começarem a misturar óculos 3D com atrações, mas mesmo isso já é considerado normal e não chama mais tanta a atenção. Portanto, usar mais tecnologia para aumentar a imersão e interação é crucial para as empresas continuarem atraindo o público e fazê-lo pagar as caras entradas para os parques.

Eu já tinha experimentado um exemplo de RFID com as varinhas de Harry Potter, que ativam certos itens pelo cenário do parque quando certos movimentos são feitos na localização correta. Apesar de limitados, já davam uma camada extra de interação em partes do parque que caso contrário seriam apenas cenário. Porém, as Power-Up Bands em conjunto com o aplicativo gamificaram o parque de uma forma que eu não esperava. Bater em um bloco “?” não apenas faz o som de moeda, como também reflete no aplicativo o total de moedas coletadas, e apenas isso já me faria sair andando pelo parque inteiro tentando acertar todos os blocos (aliás, acertar todos os blocos do parque em um só dia lhe rende um achievement!). Você também tem motivos para ir várias vezes na mesma atração e tentar coisas diferentes. E o visor de realidade aumentada em Mario Kart permite que o usuário possa ver e interagir com itens como seria impossível de outra forma.

Tem alguma história inusitada que aconteceu durante a sua visita?

Fui ao parque com um amigo, e ao vermos um bloco “?” comprido, decidimos tirar uma foto com nós dois fingindo que estávamos “socando” o bloco ao mesmo tempo. Pedimos para duas meninas que estavam perto para tirarem a foto para nós. Em vez de simplesmente tirar a foto, elas sugeriram pularmos de verdade e elas tentariam tirar a foto quando ambos estivéssemos no ar. Entre contagens regressivas e tentativas falhadas, elas continuaram animadas e nos incentivando a tentar de novo mesmo quando falamos “assim está bom” para uma foto mais ou menos. Mesmo já acostumado com a gentileza japonesa, essa animação e esforço para que dois estranhos tivessem uma foto boa foi uma boa surpresa.

Como está o momento atual aí no Japão, com relação à pandemia?

O número de mortes por covid se manteve relativamente baixo desde o começo da pandemia, sendo o total de 9.198 pessoas até o momento que escrevo este texto. Não se sabe exatamente o porquê, talvez seja pelos japoneses terem aceito melhor o uso de máscaras, já que em tempos normais é comum pessoas usarem quando estão um pouco resfriadas, ou até mesmo o baixo nível de obesidade, já que relatórios indicam maior mortalidade em países com alto número de pessoas com sobrepeso. O número, portanto, é bastante baixo se pensarmos que no Japão a população é mais que a metade da população do Brasil. Entretanto, ondas de aumento de contágio continuam acontecendo.

O governo retirou o país do estado de emergência após a terceira onda no final do inverno, mas como resultado agora estamos enfrentando um aumento que pode indicar a quarta onda. O temor se torna maior porque passamos recentemente pelo período em que as cerejeiras florescem em todo o país, quando muita gente se reúne em parques para fazer piqueniques e observar as flores.

Coincidentemente, a cidade de Osaka, onde fica a Universal Studios Japan, registrou um aumento repentino de contágio nos últimos dias e vai entrar em outro estado de emergência nesta semana, poucos dias depois da minha visita ao Super Nintendo World. No estado de emergência anterior cancelaram a abertura da parte da Nintendo, mas a Universal Studios continuou abrindo com horário mais limitado. Como o Super Nintendo World já foi inaugurado, não acho que irão fechá-lo, mas talvez o número de pessoas e horário de funcionamento sejam mais limitados.

Deixe um recado para os brasileiros que se apegaram nos games nesse momento tão triste que a pandemia se tornou:

A situação mundial ainda continua bem complicada, principalmente no Brasil. Entretanto, como gamers temos a sorte de ter um hobby que podemos fazer em casa! Então até que a vacina seja aplicada na maior parte da população, fiquem em casa o quanto possível, se protejam bem, aguentem mais um pouco, que em breve vocês poderão vir aqui no Japão conferir o parque pessoalmente!

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