Chelsea de Thomas Tuchel supera o Porto na base da paciência e da concentração; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória dos Blues no jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

Não foi uma daquelas atuações brilhantes, é verdade. E tampouco foi um daqueles jogos emocionantes e recheado de lances de perigo. No entanto, Chelsea e Porto mostraram que não chegaram nas quartas de final da Liga dos Campeões à toa. Muito por conta do trabalho tático das equipes de Thomas Tuchel e Sérgio Conceição em toda a competição. Só que quem riu por último no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha, foi o escrete inglês. A vitória por 2 a 0 em cima de um Porto aplicadíssimo e bem organizado teve a marca do técnico Thomas Tuchel. Muita paciência nas trocas de passe no meio-campo, atenção nas coberturas e muita concentração para esperar o momento certo de atacar. Destaque para as boas atuações de Mason Mount, Chilwell e Recce James na partida desta quarta-feira (7). Ótimo resultado que deixa o Chelsea muito próximo da vaga nas semifinais da Liga dos Campeões.

Sem contar com Taremi (suspenso) e Sérgio Oliveira (lesionado), o técnico Sérgio Conceição mandou o Porto a campo armado num 4-1-4-1 com Luis Díaz e Corona de olho nas subidas de Recce James e Chilwell e buscando Marega no comando de ataque. Mais atrás, Otávio e Uribe mais próximos de Grujic na proteção da zaga. Mas quem fazia a diferença na partida era Mason Mount. Não somente pelo (belo) gol marcado depois de passe de Jorginho e belo drible de corpo em cima de Zaidu Sanusi. O camisa 19 era o jogador mais perigoso do 3-4-2-1 de Thomas Tuchel e ainda fazia ótima dupla com Recce James pelo lado direito. Mesmo com o Porto desperdiçando boas chances no primeiro tempo, o Chelsea conseguiu se manter firme na marcação sem abrir mão do ataque (ainda que Timo Werner se mostre bem desconfortável jogando pelo lado do campo). Os Blues tinham mais consistência e provaram isso.

Chelsea vs Porto - Football tactics and formations

Sérgio Conceição montou o Porto num 4-1-4-1 para suprir as ausências de Sérgio Oliveira e Taremi e também para bloquear as saídas do Chelsea. Do outro lado, o escrete de Thomas Tuchel jogava de maneira muito organizada. Destaque para a boa dinâmica colocada por Recce James e Mason Mount no lado direito.

A impressão que a partida deixou foi a de que o Chelsea parecia mais seguro e mais ligado na execução do plano de jogo de Thomas Tuchel. Impossível não perceber uma certa afobação em Marega, Luis Díaz e companhia nas tomadas de decisão no terço final. Mesmo assim, o Porto ainda chegou com força no final do primeiro tempo com Pepe e Uribe, mas sem muito sucesso. Esse panorama foi mantido no início da segunda etapa. A equipe de Sérgio Conceição adiantou as suas linhas e criou boas chances com Luis Díaz e Marega, mas o escrete de Thomas Tuchel seguia ameaçando nos contra-ataques puxados por Mason Mount às costas de Zaidu Sanusi. De acordo com os números do SofaScore, o Porto teve 40% de posse de bola em todo o jogo e finalizou 12 vezes a gol (com cinco no alvo), pontos que mostram uma maior objetividade e um estilo muito mais vertical por parte do time português.

Jorginho encontrou Mason Mount no único espaço que havia na defesa do Porto. O camisa 19 aproveita o vacilo de Zaidu Sanusi e Luis Díaz na marcação, faz o giro rápido e chuta na saída de Marchesín. Gol que premiava a organização do Chelsea de Thomas Tuchel. Foto: Reprodução / Facebook Watch / TNT Sports

Mas tudo isso era feito sem o devido “acabamento” nas conclusões e no último passe. Thomas Tuchel mandou Giroud, Pulisic, Kanté e Thiago Silva para o jogo e rearrumou o Chelsea numa espécie de 5-3-2 com Azpilicueta um pouco mais preso na ala direita e o ótimo Chilwell um pouco mais solto no outro lado. Tanto que o Porto (mesmo com as substituições promovidas por Sérgio Conceição após a metade da segunda etapa) pouco ameaçaram a meta do goleiro Mendy. A equipe portuguesa sofria para encontrar espaços e via o Chelsea administrar a vantagem trocando passes no meio-campo sem ser muito incomodado. Isso até os 39 minutos, quando Jesús Corona dominou mal e permitiu que Chilwell avançasse em velocidade, passasse pelo goleiro Machersín e tocasse para o gol vazio. Vitória justa do que time que esteve mais organizado e que melhor aproveitou as chances que teve durante a partida em Sevilha.

Porto vs Chelsea - Football tactics and formations

O Porto tentou se lançar ao ataque no segundo tempo, mas não encontrou meios de entrar na área de um Chelsea que se fechou ainda mais na defesa. O gol da vitória acabaria saindo de uma falha do mexicano Jesús Corona em belíssima jogada de Chilwell no lado esquerdo de ataque. Ótimo resultado dos Blues.

É bem verdade que o Porto sentiu demais as ausências de Sérgio Oliveira e Taremi na derrota para o Chelsea. Embora a equipe de Sérgio Conceição tenha se desdobrado na marcação e explorado os contra-ataques, faltava o toque de qualidade dos dois desfalques desta quarta-feira (7). Só que a grande verdade é que o escrete de Thomas Tuchel conseguiu se recuperar da goleada sofrida para o West Bromwich no final de semana passado (pela Premier League) e conseguiu controlar as ações do jogo no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Mesmo sem ser brilhante e mesmo sem jogar um futebol vistoso. Mas primando pela organização, bom posicionamento na saída de bola, coordenação nos movimentos ofensivos e muita atenção nas trocas de passe para aproveitar o momento certo. Exatamente como aconteceu nos gols de Mason Mount (o melhor em campo na opinião deste que escreve) e Chilwell.

A prova de que Thomas Tuchel vem conseguindo dar liga ao Chelsea está na própria campanha da Liga dos Campeões. Os Blues eliminaram o sempre perigosos Atlético de Madrid de Diego Simeone e agora conseguem superar um Porto que é tão (ou até mais) organizado como o escrete colchonero. Tudo feito com muita paciência, muita concentração e muita dedicação dos jogadores. Principalmente Mason Mount, Azpilicueta, Chilwell e Kovacic.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Barcelona supera a retranca do Valladolid na base da garra e se aproxima da liderança do Campeonato Espanhol

Manchester City precisa jogar mais se quiser se livrar do “fantasma das quartas de final”; confira a análise

SIGA LUIZ FERREIRA NO TWITTER