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Manchester City adota o estilo “Muhammad Ali” e conquista virada importantíssima em cima de um aplicado PSG

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do time de Pep Guardiola no jogo de ida das semifinais da Liga dos Campeões da UEFA

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

“Flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha”. Era dessa maneira que o lendário Muhammad Ali definia seu estilo de luta. Um dos seus combates mais famosos aconteceu em 1974, quando enfrentou George Foreman em Kinshasa, no Zaire. Muhammad Ali flutuou, correu, apanhou e cansou seu adversário antes de partir para o ataque e levar Foreman para a lona. Fazendo um paralelo com o velho e rude esporte bretão, é mais ou menos isso que o Manchester City fez com o Paris Saint-Germain nesta quarta-feira (28). A equipe de Pep Guardiola sentiu a boa marcação da equipe de Mbappé, Neymar e companhia no primeiro tempo, mas manteve a estratégia e foi aproveitando os momentos de cansaço e desconcentração para conquistar uma vitória importantíssima na briga por uma vaga na decisão da Liga dos Campeões da UEFA. A comparação com o melhor boxeador de todos os tempos não é mero exercício de retórica.

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Diante de um adversário que sabe muito bem como preencher espaços e aplicar bem os movimentos dentro do cada vez mais preciso “jogo de posição” adotado por Pep Guardiola, Mauricio Pochettino apostou num 4-4-2 de forte marcação no meio-campo, linhas bem fechadas e saída em alta velocidade nos contra-ataques. Com Di María voando pela direita e com os volantes Paredes, Gueye e Verratti (um dos melhores da partida enquanto teve fôlego), o PSG conseguiu deixar o Manchester City completamente desconfortável nos primeiros 45 minutos no Parque dos Príncipes. Enquanto De Bruyne, Bernardo Silva, Gündogan, Phil Foden e Mahrez tentavam construir as jogadas sem sucesso, o PSG também levava perigo nas bolas paradas. E nesse ponto, é impossível deixar de falar da grande fase de Marquinhos, perfeito nas antecipações e cada vez mais decisivo na frente. O primeiro tempo foi todo do time de Mauricio Pochettino.

Se Di María mostrava mais uma vez a sua importância no Paris Saint-Germain, o trio de volantes formado por Paredes, Gueye e Verratti também tinha atuação destacada na partida. Principalmente quando se notava que o Manchester City quase não tinha espaço para circular a bola na frente da área de Keylor Navas. E não é exagero nenhum afirmar que muita gente esperava que Pep Guardiola fosse fazer ao menos uma única modificação na sua equipe. No entanto, os Citzens voltaram do intervalo sem mudanças e com uma postura muito mais agressiva e intensa do que nos primeiros 45 minutos. O estilo “Muhammad Ali” de jogo começou a dar resultado logo depois da entrada de Zinchenko no lugar de João Cancelo. Ao invés de um lateral que cortava para o meio, Guardiola apostava num lateral que abria o campo e dava profundidade. Tudo para dar mais espaço para Kevin de Bruyne fazer aquilo que sabe fazer muito bem.

Bastou uma queda no ritmo do Paris Saint-Germain para que De Bruyne empatasse a partida com De Bruyne aproveitando vacilo de Keylor Navas aos 18 minutos do segundo tempo. E assim como aconteceu no duelo entre Muhammad Ali e George Foreman, o City aproveitou bem o momento em que seu adversário “sentiu o golpe” e “abriu a guarda”. Aos 25 minutos, viria o gol da virada dos Citzens. Gueye cometeu falta em cima de Phil Foden na entrada da área. Mahrez cobrou, Kimpembe e Paredes deixaram a bola passar e deixa o goleiro do PSG completamente vendido no lance. Com o advesário atordoado e sem fôlego para conter o ímpeto ofensivo de um Manchester City cada vez mais envolvente na partida (exatamente como fez no primeiro tempo), o PSG viu suas forças se esvaírem de vez quando o volante Gana Gueye (que até que fazia boa partida no Parque dos Príncipes) cometeu falta feia em cima de Gündogan e levou o cartão vermelho.

Há como se discutir se De Bruyne também merecia ser expulso depois de pisão em Danilo Pereira. O que não se discute é como Pep Guardiola tem segurançaa sobre suas escolhas e como o Manchester City já incorporou quase que totalmente o “jogo de posição”. O volume ofensivo da equipe inglesa impressiona. Assim como a maneira com a qual os Citzens construíram a virada na casa do Paris Saint-Germain. Com muita movimentação, passes precisos e a total confiança no trabalho realizado pelo seu treinador, o Manchester City deu um passo importantíssimo rumo à sua primeira final de Liga dos Campeões da UEFA. E nesse ponto, também é impossível não exaltar o futebol de Kevin de Bruyne. Seja no meio-campo ou adaptado como referência móvel na equipe inglesa, o camisa 17 vem mostrando como Pep Guardiola tem a capacidade incrível de potencializar talentos em prol do jogo coletivo por onde passou.

A lição que fica da partida desta quarta-feira (28) é que tática e estratégia são importantíssimas no esporte. Vencer seus adversários no futebol (foco desta humilde análise) requer estudo sério e trabalho dedicado de todos os que participam e pensam o jogo. Sobre a luta contra George Foreman (que ficaria conhecida como “The Rumble in the Jungle” pela imprensa da época), Muhammad Ali sabia que correria riscos ao adotar a estratégia que adotou. Mas também é preciso ter coragem para vencer. E foi isso que o Manchester City teve contra o PSG.

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