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Palmeiras e Ferroviária mostram potencial para elevar ainda mais o nível do jogo praticado no Brasil

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa o empate entre as equipes de Ricardo Belli e Lindsay Camila neste domingo (18)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

É óbvio que ainda é muito cedo para se falar que esta ou aquela equipe são as favoritas ao título do Brasileirão Feminino edição 2021. Mesmo assim, algumas equipes já mostraram as suas credenciais logo na primeira rodada da competição. É o caso de Palmeiras e Ferroviária. O empate em 2 a 2 no Allianz Parque (como é bom ver nossos times femininos jogando em estádios e gramados bem cuidados) em partida emocionante realizada neste domingo (18) é a prova final de que o futebol feminino no Brasil está evoluindo a passos largos. Não somente pelo trabalho de treinadores como Ricardo Belli e Lindsay Camila, mas por tudo aquilo que temos visto dentro de campo. Intensidade, volume de jogo, boas ideias, variações táticas e vários lances de muita qualidade. Ao mesmo tempo, Palmeiras e Ferroviária mostraram que têm potencial para elevar ainda mais o nível do velho e rude esporte bretão praticado por aqui por estas bandas.

Este colunista sabe bem que o Brasileirão Feminino ainda está na sua primeira rodada. Mas é praticamente impossível não se empolgar com o belíssimo jogo disputado no Allianz Parque. Se a Ferroviária de Lindsay Camila repetia seu 4-4-2 básico (e utilizado na conquista da Libertadores Feminina no mês passado) com Aline Milene próxima de Ludmila e Sochor e Rafa Mineira pelos lados do campo, Ricardo Belli começava a colocar o poderio do seu Palmeiras em campo com uma formação altamente ofensiva. Bia Zaneratto e Chú se movimentavam constantemente na frente e abriam espaços para as chegadas de Camilinha (que jogou no meio-campo), Rafa Andrade, Thaís e Duda Santos trocando de posição e atacando os espaços. Não é exagero nenhum afirmar que o Verdão dominou quase todo o primeiro tempo aplicando essa estratégia de Ricardo Belli. O que faltava era capricho nas conclusões a gol e no último passe.

Enquanto a Ferroviária se organizou no 4-4-2 costumeiro de Lindsay Camila, o Palmeiras de Ricardo Belli avançou as suas linhas e procurou empurrar as linhas do seu adversário para trás. Tudo para abrir espaços para Bia Zaneratto, Chú e Camilinha chegarem ao gol de Luciana. Foto: Reprodução / BAND

Curiosamente, quem abriu o placar foi a Ferroviária com um golaço marcado por Rafa Mineira aos 47 minutos do primeiro tempo. No minuto seguinte, Tainara aproveitou o “apagão” na defesa adversária para empatar a partida para o Palmeiras. Mas quem voltou melhor do intervalo foi a equipe de Lindsay Camila. Com as linhas mais avançadas e exercendo uma pressão pós-perda mais intensa do que na primeira etapa, as Guerreiras Grenás ocupou o campo de ataque e colocou a goleira Taty Amaro para trabalhar. Rafa Mineira se movimentava demais pelos lados e trocava de posição com Aline Milene a todo momento. E isso sem falar na profundidade que Ludmila e Sochor davam às jogadas de ataque. O Palmeiras demorou para se encontrar nos primeiros minutos do segundo tempo e sofreu com todo esse volume de jogo das suas adversárias. Mais uma prova de que o futebol apresentado no Allianz Parque neste domingo (18) era de altíssimo nível.

Com Rafa Mineira se movimentando muito pelos lados do campo, a Ferroviária melhorou seu desempenho no segundo tempo e levou muito perigo ao gol do Palmeiras. As Palestrinas demoraram para se encontrar na partida e sofreram com a pressão pós-perda das Guerreiras Grenás. Foto: Reprodução / BAND

E assim como aconteceu nos primeiros 45 minutos, a equipe que vinha levando vantagem no campo acabou levando o gol. Depois de falha da goleira Luciana (que até vinha bem na partida disputada no Allianz Parque), Chú aproveitou a sobra e marcou o segundo do Palmeiras aos 23 minutos do segundo tempo. Por outro lado, a equipe de Ricardo Belli já mostrava variações interessantes no seu 4-2-3-1 inicial com Bruna Calderan se lançando ao ataque como uma ponta-direita, Camilinha e Duda Santos um pouco mais recuadas e Bia Zaneratto dando profundidade às jogadas de ataque na base da força e da habilidade. E como estamos falando de um jogo cheio de alternativas e possibilidades, as Guerreiras Grenás tiraram forças sabem os deuses do velho e rude esporte bretão de onde para empatar a partida aos 45 minutos do segundo tempo com Lurdinha aproveitando rebote de Taty Amaro após cabeçada de Sochor.

Mesmo com a melhora no desempenho da Ferroviária, o Palmeiras conseguiu mostrar boas variações táticas enquanto teve fôlego. Bruna Calderan se lançando ao ataque como ponta-direita e Bia Zaneratto dando profundidade às jogadas na base da força foram alguns dos trunfos das Palestrinas. Foto: Reprodução / BAND

Dentro de cada contexto e de cada estratégia, as equipes comandadas de Ricardo Belli e Lindsay Camila protagonizaram o jogo mais emocionante dessa primeira rodada do Brasileirão Feminino e mostraram um potencial imenso de crescimento ao longo da competição. Principalmente o Palmeiras, que abriu a carteira e trouxe jogadoras de bom nível para o elenco. Por mais que a equipe ainda precise de ajustes, ver todo o time jogando de maneira intensa e vertical e tentando se impor no campo adversário já mostra muito bem o que Ricardo Belli quer das suas jogadoras. O mesmo pode ser dito de Lindsay Camila. Mesmo com uma Ferroviária sem tantas estrelas, mas com atletas voluntariosas e que já começam a assimilar alguns dos conceitos de Lindsay Camila. Este que escreve, inclusive, se atreve a dizer que poderemos ver as Guerreiras Grenás jogando um futebol bem menos pragmático do que aquele visto na conquista da Libertadores Feminina.

O que é certo é que tanto Ferroviária como Palmeiras mostraram potencial suficiente para elevar ainda mais o nível do futebol feminino praticado aqui por estas bandas. Logo, não é exagero pensar que uma das duas equipes possa bater de frente com o Corinthians, o atual campeão brasileiro e paulista da modalidade num futuro próximo. Principalmente de Ricardo Belli e Lindsay Camila tiverem tempo e condições para trabalhar à frente das suas equipes.

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