O Corinthians ainda é o time a ser batido no futebol feminino brasileiro?

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do time de Arthur Elias sobre o Napoli-SC na rodada de abertura do Campeonato Brasileiro Série A1

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

A vitória do Corinthians (o atual campeão campeão brasileiro) por 3 a 0 sobre o Napoli-SC (dono do título da Série A2) foi protocolar. Na prática, a equipe de Caçador teve apenas duas chances em todo o jogo disputado na Fazendinha, ao passo que as comandadas de Arthur Elias colocaram em prática todo aquele volume ofensivo bem conhecido de todos os que acompanham a modalidade. E isso tudo mesmo com os desfalques das oito jogadoras que estavam com a Seleção Brasileira. Diante do que foi visto neste último sábado (17), ainda que estejamos na primeira rodada do Brasileirão Feminino, é muito difícil não colocar o Corinthians como um dos grandes favoritos ao título. Por outro lado, a pergunta do título desta humilde análise se mantém. Será que o Timão ainda é a equipe a ser batida no futebol feminino brasileiro? Ou será que finalmente teremos outros clubes batendo de frente?

Um dos pontos mais fortes do Corinthians nas últimas temporadas é a transição ofensiva. Tudo é feito em alta velocidade e com muita movimentação inteligente por parte das jogadoras. Gabi Zanotti jogou mais recuada ao lado de Bianca Gomes na proteção da zaga (que tinha Katiuscia e Diany improvisadas no setor). Mais à frente, Cacau e Gabi Portilho abriam bem o jogo e Grazi se aproximava a todo momento de Jheniffer, a referência ofensiva do time de Arthur Elias. Dependendo da movimentação, o Timão podia se organizar num 4-2-3-1, num 4-4-2 ou até num 4-3-3. Tudo baseado num ataque posicional de respeito e muito volume ofensivo. O gol da ex-atacante do Internacional logo aos cinco minutos de partida deu a tranquilidade que faltava às atletas corintianas para trabalhar a bola e explorar bem os problemas defensivos de um Napoli que parecia sentir demais o peso da partida na Fazendinha.

Mesmo com quase um time inteiro de desfalques, o Corinthians manteve o volume ofensivo e já abriu o placar logo aos cinco minutos com Jheniffer. Arthur Elias conseguiu potencializar bastante os talentos de cada atleta no seu ataque posicional. Foto: Reprodução / YouTube / MyCujoo

Na prática, o primeiro lance de perigo do Napoli-SC só saiu aos 38 minutos do primeiro tempo, com um chute de Thaini da entrada da área bem defendido pela goleira Kemelli após desvio na zaga. Quem trabalhava de verdade era Gaby. A goleira do escrete catarinense foi muito bem em chutes de Cacau e Grazi além de ter saído muito bem em bola lançada para Bianca Borges no final do primeiro tempo. Na volta do intervalo, a técnica Carine Bosetti organizou um pouco a sua equipe e posicionou Malu e Naiane um pouco mais à frente e com o corpo orientado para receber as bolas longas às costas da defesa do Corinthians. Tudo para aproveitar a hesitação de Katiuscia e Diany, lateral e volante que jogavam improvisadas na zaga do escrete de Arthur Elias. A jogada deu certo duas vezes e as atacantes do Napoli-SC conseguiram chegar na área adversária. Mas a conclusão a gol não foi das melhores.

O Napoli-SC conseguiu explorar os espaços às costas da última linha do Corinthians através das bolas longas para Malu e Naiane no campo adversário. A estratégia funcionou duas vezes, mas faltou perna para trabalhar melhor as jogadas e concluir a gol. Foto: Reprodução / YouTube / MyCujoo

Apesar de ter levado certo perigo ao gol de Kemelli, o Napoli-SC acabou sentindo o volume de jogo imposto pelo seu poderoso adversário. Tanto que Gaby fez defesa de cinema após chute de Bianca Borges logo no início do segundo tempo. O Corinthians, por sua vez, seguia explorando bem a velocidade de Cacau e Gabi Portilho (principalmente esta última) pelos lados do campo ao passe que Paulinha e Yasmim apareciam mais por dentro. Mas a grande demonstração de força do escrete de Arthur Elias veio do bom aproveitamento nas bolas paradas. Se Gabi Nunes aproveitou falha coletiva da defesa do Napoli-SC para fazer o segundo do Timão (aos 26 minutos), Gabi Zanotti aproveitou a movimentação da camisa 11 (que puxou toda a zaga adversária) e apenas escorou falta cobrada de Yasmim para as redes de Gaby. É a tal da bola parada que resolve partidas complicadas e que o Corinthians domina como poucos.

Gabi Nunes se movimenta para fora e atrai a zaga do Napoli-SC. Yasmim cobra a falta exatamente no espaço deixado pela camisa 11 que agora é ocupado por Gabi Zanotti. O Corinthians tem uma das bolas paradas mais fortes e eficientes do futebol brasileiro. Foto: Reprodução / YouTube / MyCujoo

A vitória sobre o Napoli-SC era o resultado esperado de uma equipe que ganhou quase tudo o que disputou nas últimas temporadas. Difícil não esperar grandes coisas de um Corinthians que encantou a todos na última edição do Brasileirão Feminino e do Campeonato Paulista, mas que acabou falhando na Libertadores Feminina. O ponto aqui é que Arthur Elias conseguiu fazer que sua equipe se impusesse na base da qualidade e do preparo físico mesmo com um time inteiro de desfalques. Grazi segue impecável tanto no meio-campo como no ataque. Jheniffer pode ser ótima opção para mudar o estilo do ataque corintiano. E Gabi Portilho e Cacau pintam como alternativas para se acelerar o jogo pelos lados. E isso sem falar na qualidade de Gabi Zanotti como volante ou como meia mais avançada. A quantidade de peças no elenco também facilita e muito a vida de Arthur Elias dentro de cada cenário.

Resta saber se o Corinthians vai seguir nadando de braçadas no futebol feminino brasileiro ou se (finalmente) alguma equipe vai bater de frente. O Palmeiras pinta como um dos candidatos, mesmo com a necessidade de entrosamento entre os vários reforços que chegaram ao clube. Internacional, Santos, São Paulo e Ferroviária também podem incomodar. O que é certo é que o Timão ainda está um nível acima dos demais adversários. Vamos ver o que acontece daqui pra frente.

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