Presidente do Inter projeta longa continuidade de Ramírez e admite dificuldade para pagar “luz, água e dia a dia”

Alessandro Barcellos, presidente do Inter, concedeu entrevista à Rádio Gaúcha nesta semana

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Reprodução/YouTube

Se irritou a torcida colorada sobretudo pela forma como ocorreu, a derrota de 1×0 do Gre-Nal do último sábado, na Arena, pelo Gauchão, não ameaçou em nada a confiança do presidente do Inter, Alessandro Barcellos, no técnico espanhol Miguel Ángel Ramírez.

Em entrevista concedida nesta semana à Rádio Gaúcha, Barcellos fez comentários sobre o clássico e projetou uma longa continuidade de Ramírez, que tem contrato até dezembro de 2022.

“As nossas chances foram a partir de jogadas trabalhadas neste novo modelo de jogo, e isso dá uma noção de aperfeiçoamento. Tomamos o gol de uma bola tradicional do Grêmio, este corte para dentro com chute certeiro. O resultado foi 1 a 0 mas poderia ter sido empate ou vitória nossa”, disse, antes de falar do treinador:

“Quando fizemos a contratação do Miguel sabíamos que era uma mudança muito grande na forma de jogar. O torcedor reclamava há muito tempo de um modelo reativo, e voltar a ter o modelo que domina a partida e busca o gol, é um trabalho que precisa de tempo e evidentemente de muito treinamento. Estamos iniciando este trabalho com convicção de que ele terá vida longa e muita importância daqui para frente”, confirmou.

Presidente do Inter fala das dificuldades financeiras

De forma bastante sincera, Barcellos falou das dificuldades financeiras que o clube vem vivendo. No balanço final de 2020, foi registrado o maior déficit da história do clube em torno de R$ 90 milhões. Segundo o dirigente, a venda de jogadores – embora não exista propostas na mesa neste momento – serão fundamentais para o pagamento de contas básicas do dia a dia como luz e água.

“Precisamos vender jogador para pagar a água, a luz, o dia a dia. Queremos que isso acabe no Inter. Seguiremos vendendo jogadores para o Brasil e para o mundo, mas reinvestir este dinheiro para seguir fazendo boas equipes”, disse, antes de ampliar:

“O Inter está passando por um processo de rupturas importantes que vão precisar do esforço de todos. Nosso objetivo é estancar essa dívida e buscar o equilíbrio financeiro, mas também é olhar para frente, em uma ideia que temos permanentemente, que é de não depender mais da venda de jogadores, como alguns clubes do Brasil já fazem com superávit e receitas recorrentes, algo que não acontece hoje no Inter”.

Para gerar uma economia de cerca de R$ 1,5 milhão por mês, o Inter realizou nesta quarta-feira a demissão de cerca de 63 funcionários, dentre eles os ex-atacantes Iarley, funcionário das categorias de base e Fabiano, que trabalhava no Relacionamento Social.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA E, ABAIXO, UM RESUMO DA CRISE FINANCEIRA VIVIDA NO BEIRA-RIO:

O Internacional anuncia nesta quarta-feira (7) o desligamento de funcionários de diferentes áreas do clube.

Já era previsto que o momento atípico que o mundo está vivendo, com a pandemia da COVID-19, causasse grandes impactos nas receitas e colocasse o Clube em uma nova realidade. O momento é de transição e de adaptação ao novo cenário.

Gostaríamos de agradecer a todos pela dedicação e respeito que sempre tiveram ao Colorado.

Com o orçamento de 2021, o Clube precisou criar um conjunto de ações, que já estão sendo executadas desde o começo da atual temporada. O objetivo é conseguir enfrentar o momento difícil de pandemia.

Dentre essas medidas estão: redução de contratos com parceiros, fornecedores e suprimentos; redução de investimentos e redução da folha de pagamentos e do quadro funcional, ajustando o Clube para a nova realidade.

A venda de atletas também será necessária em 2021 para viabilizar o pagamento de todas as despesas ordinárias.

É fundamental salientar que as ações partem da premissa de não prejudicar a performance esportiva do Internacional, uma vez que essa gestão tem como objetivo principal manter o clube como protagonista no cenário esportivo conjugado com o equilíbrio financeiro

PARA ENTENDER AS DIFICULDADES FINANCEIRAS DO INTER

– O clube registrou o maior déficit de sua história em 2020, cerca de R$ 90 milhões

– O planejamento orçamentário aprovado pelo Conselho Deliberativo prevê superávit de pouco mais de R$ 100 mil para 2021

– Para isso, o clube necessita vender jogadores. Mas diz que não tem nenhuma proposta oficial na mesa. Praxedes e Vinícius Tobias são os jogadores mais cobiçados no momento

– Nesta quarta, foram promovidas as demissões de cerca de 60 funcionários, entre eles Iarley e “Uh” Fabiano. Estas demissões devem gerar uma economia mensal de R$ 1,5 milhão

– Em relação aos jogadores que já saíram, casos de D’Alessandro, Musto, Fernández, Matheus Jussa, entre outros, a economia na folha salarial foi de cerca de R$ 2 milhões

– Em entrevista à Rádio Gaúcha, o presidente Alessandro Barcellos admitiu a necessidade de vender jogador para ajudar em contas básicas como luz e água

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