Estudantes brasileiros são campeões do maior torneio universitário de futebol dos EUA

Com seis estudantes brasileiros, o time da Marshall University é campeão da 1ª divisão da NCAA

Luís Martinelli
Jornalista, fã de esportes americanos (NFL, NHL, MLB e NBA), futebol australiano e de fantasy sports. Twitter: @LG_Martinelli Criador dos @BlogNEJ, @BrasilFooty e @ViciadoFSports

Crédito: Divulgação/Marshall University

Com uma campanha excelente, que acabou em um título inédito, com direito a “golden goal” na final. Foi assim que o time da Marshall University, que tem seis brasileiros, conquistou na segunda-feira (17), a NCAA Division I Men’s Soccer Tournament – ou College Cup -, principal campeonato de futebol universitário dos Estados Unidos.

Vitor Dias, Gabriel Alves, Pedro Dolabella, Vinícius Fernandes, João Peterlini e Davi Edwards são estudantes-atletas da universidade localizada em Huntington, em West Virginia, que conquistaram a taça do torneio. Os jogadores chegaram aos Estados Unidos por meio de bolsas de estudo esportivas, fruto do programa da 2SV Sports & Education, empresa de intercâmbio esportivo e acadêmico, focado em bolsas de estudos para os EUA.

“Nos Estados Unidos, competir por uma instituição de ensino é o caminho mais sólido para o esporte profissional, diferentemente do que ocorre no Brasil. Atletas do mundo todo estão sempre em busca de oportunidades e destaque nas Universidades e High-Schools norte-americanas. Portanto, esse título tem um peso enorme, representa uma grande vitrine para os estudantes brasileiros e um momento histórico para o intercâmbio esportivo do Brasil”, comemorou o CEO da 2SV, Ricardo Silveira, que há 17 anos trabalha na área, auxiliando estudantes brasileiros.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

Na segunda-feira (17), o time de Marshall chocou o mundo do futebol norte-americano ao derrubar Indiana, por 1 a 0, marcando o gol na prorrogação de morte súbita, levando o título para uma universidade que jamais tinha chegado à semifinal em sua história.

Trajetória de Marshall 

Atualmente, 187 equipes disputam a Primeira Divisão do futebol universitário dos Estados Unidos, divididos em 22 conferências. A partir dos playoffs, que teve 36 times, Marshall derrotou a Fordham University, a qual estava invicta até então; posteriormente, aplicou um upset na primeira colocada do Ranking Nacional, Clemson University, após empate no tempo regulamentar e vitória nos pênaltis; superou a atual campeã (edição 2019), Georgetown University; bateu a University of North Carolina na semifinal, que jogava em casa; enfim, derrotou Indiana University, terceira colocada no Ranking Nacional, na prorrogação da grande final.

O estudante brasileiro Vitor Dias, artilheiro da equipe, com seis gols em 17 partidas, fez a jogada do gol da consagração: finalizou a bola duas vezes até a bola bater caprichosamente na trave, antes de Jamil Roberts colocar a bola no fundo das redes e garantir o título do principal torneio universitário dos Estados Unidos. Nos últimos sete anos, cinco finais da NCAA foram decididas na prorrogação. “Ser campeão nacional é uma tarefa muito difícil. O maior desafio, com certeza, foi ganhar de Clemson, o time número 1 do país e depois ter que passar de Georgetown, o último campeão. Depois disso, nossa confiança cresceu. E a responsabilidade também, porque como se trata do maior título possível no College, ser campeão da NCAA Division I Men’s Soccer Tournament garante a oportunidade de mostrarmos nosso talento para o país inteiro. E foi isso que a gente fez”, afirmou Dias.

O atacante João Pedro Peterlini Souza concorda com o parceiro de time. “A nossa chance de sermos descobertos por olheiros e técnicos de times da MLS já eram grandes durante as partidas, mas elas aumentaram muito com a conquista do título. Isso nos dá esperança de que, em breve, vamos realizar nosso sonho de jogar profissionalmente”, disse.

Adolfo Miguel de Souza Júnior, pai de João, viajou de Cuiabá para os EUA para ver o filho ser campeão. No momento em que o título veio, ele afirma ter visto um filme passar pela sua cabeça. “O João veio para os EUA com 15 anos, sozinho, acreditando no sonho de ser jogador de futebol. Ele precisou abrir mão de muita coisa pra focar nesse objetivo. E a família apoiou porque aqui é possível unir educação e esporte. Hoje eu não tenho dúvidas de que fiz a coisa certa pelo meu filho”, conta emocionado.

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