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Pequeno gigante: N’Golo Kanté é o grande símbolo do Chelsea na conquista da Liga dos Campeões da UEFA

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do escrete de Thomas Tuchel sobre o Manchester City de Pep Guardiola

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Chelsea FC

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Chelsea de Thomas Tuchel teve uma atuação monstruosa em todos os sentidos. Encarou a final da Liga dos Campeões da UEFA com uma concentração absurda, muita organização defensiva (um dos pontos fortes do time comandado por Thomas Tuchel) e uma precisão cirúrgica no ataque. A vitória por 1 a 0 sobre o sempre poderoso Manchester City de Pep Guardiola, no entanto, acabaria marcada pela atuação de um francês filho de imigrantes vindos malineses no início da década de 1980. Trata-se do “pequeno gigante” N’Golo Kanté. O camisa 7 dos Blues tem 1,68m de altura, mas seu futebol é do tamanho da conquista desse sábado (29), no Estádio do Dragão, em Portugal. Kanté se multiplicou em campo, defendeu, atacou, organizou a saída de bola e se transformou no grande símbolo do jogo coletivo altamente organizado de Thomas Tuchel no Chelsea (agora) bicampeão europeu.

A grande sacada do Chelsea no jogo decisivo da Liga dos Campeões foi manter a humildade e fazer o simples contra uma equipe que tem grande apreço pelo ataque. Tanto que a formação básica não mudou. Thomas Tuchel manteve o seu 3-4-2-1 básico com muita organização na defesa, transições precisas para o ataque e muita movimentação de Havertz, Timo Werner e Mason Mount entre as linhas do Manchester City de Pep Guardiola. Este, por sua vez, apostou num time mais leve com Gündogan e Bernardo Silva como volantes e Kevin De Bruyne, Phil Foden, Mahrez e Sterling no comando de ataque. No papel, um 4-2-3-1 sem referência. Na prática, um 3-2-5 que pouco ameaçou um Chelsea bem organizado e altamente concentrado em cada ação realizada em campo. Os Citzens tinham a posse da bola, mas levavam pouquíssimo perigo ao gol do ótimo Édouard Mendy e sofreram demais com as investidas de Havertz e Mason Mount entrando em diagonal.

Chelsea vs Manchester City - Football tactics and formations

O Chelsea levou vantagem sobre o Manchester City nesse primeiro tempo. O time de Thomas Tuchel explorou bem a movimentação do trio de atacantes às costas de Gündogan e Bernardo Silva, foi extremamente organizado na defesa e muito mais preciso nas transições ofensivas e defensivas.

Os alas Recce James e Chilwell levavam ampla vantagem sobre Walker e Zinchenko na imposição física e nas transições em alta velocidade para o ataque. A pressão exercida pelo Manchester City na saída de bola do Chelsea também pouco funcionou. Tanto que o gol do título dos Blues começou a ser construído quando o goleiro Mendy conseguiu desafogar o time e achou Chilwell pela esquerda. O camisa 21 encontrou Mason Mount que percebeu Havertz atacando o espaço aberto pela movimentação de Timo Werner. O gol do jovem atacante alemão era a justiça sendo feita no Estádio do Dragão. Mas foi a partir desse momento que o futebol de N’Golo Kanté apareceu ainda mais. O camisa 7 se agigantou na frente da sua área e foi preciso na perseguição a Kevin de Bruyne e aidna arriscou algumas chegadas no ataque. O encaixe do futebol do francês (e de todos os outros nomes) citados com a proposta de Tuchel era evidente.

Difícil não perceber que a formação escolhida por Pep Guardiola não surtiu o efeito desejado. A ideia do treinador espanhol era pressionar mais alto, aproveitar a qualidade de Gündogan e Bernardo Silva no ataque e tirar a velocidade do Chelsea nas transições. Só que o Manchester City teve um volume de jogo muito baixo para quem fez tanto nessa edição da Liga dos Campeões. Sterling era anulado por Azpilicueta, Rüdiger vigiava Mahrez e Christensen fechava o meio da área. E se Jorginho ajudava o substituto do lesionado Thiago Silva na marcação por N’Golo Kanté se agigantava na intermediária e tomava conta do setor com a mesma discrição e humildade que o caracterizam. Não estamos falando de um jogador conhecido pelos seus gols, mas por fazer o trabalho que ninguém quer fazer. E sem faltas ou lances ríspidos. Difícil não notar como o ponto mais forte do Chelsea é o jogo coletivo. Todos são importantes.

O segundo tempo marcou a superioridade de um Chelsea extremamente aplicado na marcação e atento em cada investida de um Manchester City afobado e sem muitas ideias. As coisas pioraram de vez quando De Bruyne teve que deixar a partida depois de um choque de cabeça com o zagueiro Rüdiger. Pep Guardiola apostou em Agüero, Fernandinho e Gabriel Jesus, apostou em bolas levantadas na área (no melhor estilo CUCABOL), mas pouco ameaçou o gol de Édouard Mendy. Os Blues seguiam impenetráveis e muito concentrados na marcação. Thomas Tuchel mandou Kovacic e Pulisic para o jogo com a clara intenção de fechar ainda mais a sua equipe e aproveitar a velocidade do norte-americano nas bolas longas. Acabou que o título ficou com a equipe que melhor entendeu a premissa de que o futebol é um esporte coletivo onde todos os jogadores e todas as decisões são importantes dentro de campo. O Chelsea foi gigante em todos os sentidos.

Manchester City vs Chelsea - Football tactics and formations

Pep Guardiola apostou nas entradas de Agüero, Fernandinho e Gabriel Jesus para tentar ao menos o gol de empate. Mas o Chelsea de Thomas Tuchel se fechou na defesa e se manteve fiel à sua proposta de jogo. Sempre com muita concentração, aplicação tática e intensidade nos movimentos.

Difícil não enxergar em N’Golo Kanté o grande símbolo do segundo título do Chelsea na Liga dos Campeões da UEFA. O camisa 7 é mais discreto e até um pouco tímido quando é entrevistado. Mas cumpre suas funções em campo com extrema maestria. O filho de malineses parece se multiplicar em campo com extrema facilidade e ainda tem qualidade para chegar no ataque e organizar as jogadas. Foi o melhor jogador da final em Portugal e pinta como forte candidato ao prêmio de melhor jogador do mundo na temporada ao final do ano de 2021. Este que escreve afirma sem medo de soar exagerado: qualquer lista que não tenha o nome do camisa 7 do Chelsea não merece atenção. Do mesmo jeito que Thomas Tuchel mostrou seu valor após ser demitido do Paris Saint-Germain sem muitas explicações. E do mesmo jeito que Thiago Silva (mesmo deixando o jogo no final do primeiro tempo) mostra que ainda pode somar muito.

Mas a grande estrela da decisão deste sábado (29) se chama N’Golo Kanté. A maneira como o francês trata a bola e “carrega o piano” no Chelsea de Thomas Tuchel é o grande resumo de uma equipe vitoriosa e que conseguiu um encaixe magnífico depois da fase de grupos da Liga dos Campeões. E que os nossos treinadores aprendam a lição deixada pelos dois personagens dessa finalíssima: humildade para fazer o simples nunca é demais. Título merecidíssimo dos Blues.

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