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Retorno de Douglas Costa ao futebol brasileiro é uma das melhores notícias dos últimos meses

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como o novo camisa 10 do Grêmio pode ser aproveitado por Tiago Nunes na sequência da temporada

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Este que escreve não tem medo de soar exagerado ou precipitado quando afirma que o retorno de Douglas Costa ao Grêmio (seu time do coração) depois de onze temporadas no exterior talvez seja a melhor notícia do futebol brasileiro em muito tempo. Não somente pela (enorme) qualidade do agora camisa 10 do Tricolor Gaúcho, mas por todas as alternativas que o atacante pode oferecer ao time comandado por Tiago Nunes na sequência da temporada. A única incerteza é se Douglas Costa conseguirá se manter livre das lesões que tanto o atormentaram nos últimos anos. Seja como for, é praticamente impossível não se animar com a volta de DC10 ao futebol brasileiro. O Grêmio ganha um atacante de rara habilidade e velocidade para fazer companhia a Diego Souza e para servir de referência para os jovens Ferreira, Léo Chú, Léo Pereira, Ricardinho e outros valores da ótima base gremista. Baita contratação do Tricolor Gaúcho.

Douglas Costa ficou conhecido pela facilidade no drible e pela velocidade que colocava nas suas investidas ao ataque quando surgiu no Grêmio no final de 2008. Assinou com o Shakhtar Donetsk em 2010 e, desde então, acumulou passagens vitoriosas pelo Bayern de Munique (onde foi bastante elogiado por Pep Guardiola), pela Juventus e pela Seleção Brasileira. DC10 ganhou destaque jogando aberto pela direita para buscar a diagonal para o chute com a perna esquerda ou a tabela com os companheiros de ataque. É nessa faixa do campo que Douglas Costa se sente mais confortável. Com o tempo, aprimorou a leitura de jogo e passou a buscar a linha de fundo para gerar amplitude e profundidade além de, é claro abrir espaços no terço final. Não foi por acaso que muita gente lamentou sua série de lesões durante a Copa do Mundo de 2018, onde sempre correspondeu às expectativas quando foi utilizado por Tite no Mundial da Rússia.

Douglas Costa se sente mais confortável jogando a partir do lado direito de ataque. Além de buscar a linha de fundo e abrir espaços, o atacante mostra muita facilidade para entrar em diagonal para tentar a tabela ou o chute a gol de perna esquerda. Foto: Reprodução / TV Globo

Não é difícil imaginar Tiago Nunes utilizando Douglas Costa como atacante pela direita no seu 4-2-3-1 costumeiro e bem organizado. O poderio ofensivo do Grêmio aumentaria consideravelmente com um jogador que sabe buscar a linha de fundo como poucos e que ainda faria ótima dupla com Rafinha no setor. Ao mesmo tempo, Ferreira faria papel semelhante pela esquerda e ainda contaria com a criatividade de Jean Pyerre na distribuição das jogadas. Mais atrás, Thiago Santos faria o contraponto defensivo com Matheus Henrique aparecendo no ataque e pisando na área na variação para o 4-1-4-1. E isso sem falar em Diego Souza fazendo o trabalho de pivô e se apresentando para as tabelas. Com pequenos ajustes aqui e ali, Douglas Costa agregaria ainda mais qualidade a uma equipe que já tem bastante agressividade nas transições ofensivas e que vem conseguindo se adaptar muito bem a cada situação que o jogo apresenta.

Partindo do 4-2-3-1 usual de Tiago Nunes, Douglas Costa seria o atacante que entraria em diagonal a partir da direita para buscar o chute a gol ou a tabela com Diego Souza. Ao mesmo tempo, o camisa 10 faria uma ótima dupla com Rafinha.

Uma variação interessante (e plenamente possível) pode ser o posicionamento de Douglas Costa logo atrás de Diego Souza com Luiz Fernando (ou Léo Pereira) entrando no lado direito da linha de três meias. Na prática, ao invés do 4-2-3-1, teríamos um 4-4-2 de extrema mobilidade e de muita presença ofensiva com o camisa 10 mais próximo da área e com plenas condições de participar da criação das jogadas. Além disso, as obrigações defensivas diminuem um pouco nessa formação, mas fazem com que os volantes Thiago Santos (ou Darlan) e Matheus Henrique (além de toda a linha defensiva) se posicionem um pouco mais avançados para fechar o espaço na intermediária ofensiva. É o tipo de formação que pode ser utilizada em situações mais específicas do jogo. Especialmente quando o Grêmio precisar de gols e da habilidade de Douglas Costa perto da área adversária para abrir espaços e quebrar as linhas.

Douglas Costa pode jogar também mais por dentro no centro da linha de três meias ou como segundo atacante de fato numa variação para o 4-4-2 no Grêmio de Tiago Nunes. Essa formação pediria linhas mais avançadas para cobrir o espaço no meio-campo.

Se conseguir ter uma sequência de jogos e administrar bem o condicionamento físico, Douglas Costa tem todo o potencial para se transformar num dos melhores jogadores em atividade no futebol brasileiro. A experiência no Velho Continente e o trabalho com treinadores de bagagem imensa como Pep Guardiola, Mircea Lucescu, Carlo Ancelotti, Massimiliano Allegri e Hans-Dieter Flick só reforçam essa tese. Não estamos falando de qualquer atacante ou de alguém que “não deu certo na Europa e voltou para o futebol brasileiro” como alguns gostam de falar. Contra Douglas Costa, no entanto, pairam as dúvidas sobre suas condições físicas. No Bayern de Munique, DC10 perdeu vários jogos da temporada e teve uma briga pública com o conselho do clube bávaro. E na Seleção Brasileira, Douglas Costa não conseguiu ter uma sequência mínima de partidas e assumir o posto de Willian, que vinha em má fase na Copa do Mundo da Rússia.

Seja como for, o retorno de DC10 ao futebol brasileiro é uma das maiores notícias dos últimos meses. A qualidade do Grêmio de Tiago Nunes (que já é bem grande) pode aumentar ainda mais se o atacante tiver uma boa sequência de jogos e entrar em forma o mais rápido possível. Douglas Costa não é qualquer jogador. Ele faz parte daquele seleto grupo dos “diferenciados” e tem tudo para se tornar uma das principais armas ofensivas do Tricolor Gaúcho nessa temporada.

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