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Alguns pitacos sinceros, honestos e impopulares sobre o empate do Flamengo com o Unión La Calera

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa os erros e acertos de Rogério Ceni no jogo desta terça-feira (11) pela Libertadores

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

Assim que o árbitro colombiano Andrés Rojas apitou o final da partida entre Flamengo e Unión La Calera (válido pela quarta rodada da fase de grupos da Libertadores), os comentários da torcida rubro-negra nas redes sociais eram um misto de alívio com o empate em 2 a 2 e de frustração com mais erros capitais do sistema defensivo. A grande maioria das críticas era dirigida ao zagueiro Bruno Viana, que vacilou de maneira incrível no lance do primeiro gol do escrete chileno. Só que o problema não estava apenas lá atrás. O ataque flamenguista sofreu para encontrar espaços diante da forte marcação de um adversário que usou as armas que tinha para conquistar um ponto importantíssimo jogando contra uma das equipes mais fortes do continente. Seja como for, a atuação do Flamengo e as escolhas de Rogério Ceni durante a partida em La Calera foram influenciadas por uma série de fatores.

É preciso dizer antes de qualquer coisa que nada justifica o vacilo imenso de Bruno Viana no gol de Ariel Martínez. O camisa 30 do Flamengo teve pelo menos duas chances de se livrar da bola, mas insistiu em sair jogando mesmo com a forte pressão dos adversários. Se o contexto da partida por si só já indicava uma certa dificuldade dos comandados de Rogério Ceni para se entender com o gramado sintético do Estádio Municipal Nicolás Chahuán Nazar, os erros da zaga rubro-negra condicionaram completamente o desempenho do escrete rubro-negro. O 4-4-2 inicial variava para o 3-2-5 com a movimentação de Isla (para o ataque) e Filipe Luís (fechando como terceiro zagueiro) com muita valorização da posse da bola e as já conhecidas linhas altas de marcação no Flamengo. O problema é que Gabigol, Everton Ribeiro, Arrascaeta e Bruno Henrique (principalmente este último) sofriam para encontrar espaços.

Union La Calera vs Flamengo - Football tactics and formations

O Flamengo tinha a posse da bola, controlava as ações no meio-campo, mas se via completamente condicionado pelo contexto do jogo. O time demorou para se achar no gramado sintético do Estádio Municipal Nicolás Chahuán Nazar e a defesa voltou a vacilar demais em lances aparentemente tranquilos.

As falhas da defesa nos dois gols do Unión La Calera deixavam bem claro que o time do Flamengo estava completamente desconcentrado em campo. E aqui vai uma opinião mais “impopular”. Este que escreve não viu um time desorganizado. Os jogadores estavam bem distribuídos e forçavam o erro na saída de bola do Unión La Calera. O problema todo estava na situação em que o escrete de Rogério Ceni se meteu nos primeiros minutos da partida. Os dois vacilos da defesa dificultaram a adaptação do Fla ao gramado sintético, visto que a equipe teve que se lançar ao ataque para correr atrás do prejuízo. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Gabigol diminuiu de pênalti e se tornou o maior artilheiro do Flamengo na história da Libertadores com 17 gols. Mesmo assim, o sistema ofensivo sofria para achar espaços diante de um adversário muito fechado e que procurava criar “arapucas” para os atacantes rubro-negros.

O Unión La Calera dificultou muito a vida do Flamengo com linhas bem fechadas e com pequenas “arapucas” que encaixotavam os atacantes rubro-negros na intermediária. Gabigol, Arrascaeta e companhia só levavam alguma vantagem quando aceleravam a troca de passes. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Acabou que o gol de empate veio apenas aos 31 minutos do segundo tempo, com Willian Arão se redimindo do gol contra em bela cabeçada após escanteio de Arrascaeta. Mas o jogo ficou nisso. Rogério Ceni ainda fez a sua parte ao colocar sua equipe no ataque numa espécie de 4-2-4 com as entradas de Matheuzinho, Ramon e Pedro nos lugares de Isla, Bruno Viana e João Gomes respectivamente. Tudo para aproveitar o recuo escessivo do Unión La Calera nos 45 minutos finais. Difícil compreender o que o técnico Luca Marcogiuseppe pretendia empilhando jogadores na frente da área e (consequentemente) dando o campo que o Flamengo tanto queria para criar suas jogadas de ataque. Mas faltou o acerto nos passes e nas conclusões a gol. O Flamengo circulava a bola, mas não tinha intensidade e nem mobilidade suficiente para quebrar as linhas do seu adversário. A única boa chance depois do gol de empate foi um chute de Arrascaeta. E nada mais.

Flamengo vs Union La Calera - Football tactics and formations

Filipe Luís virou zagueiro, Everton Ribeiro virou volante e o Flamengo se mandou para o ataque num 4-2-4 ofensivo e vertical no segundo tempo. A equipe de Rogério Ceni, no entanto, não conseguiu furar o bloqueio defensivo do Unión La Calera após o gol de empate marcado por Willian Arão.

De positivo temos a boa atuação de Gabriel Batista. O jovem goleiro rubro-negro foi seguro debaixo das traves, preciso com a bola nos pés e muito mais concentrado do que Hugo Souza. Além disso, João Gomes e Filipe Luís foram os melhores em campo pelo lado do Flamengo na humilde opinião deste que escreve. Por outro lado, é difícil não colocar boa parte da culpa pelo empate nas costas de Bruno Viana e de todo o sistema defensivo rubro-negro. Estamos falando de vacilos que poderiam ser evitados e que dificultaram ainda mais a adaptação do time ao gramado sintético do palco do jogo desta terça-feira (11). Fora isso, também é preciso observar que jogadores como Rodrigo Caio e Gerson fizeram muita falta na construção da saída de bola e nas transições para o ataque. Ao mesmo tempo, o jogo também pedia Vitinho ou qualquer outro jogador com mais ímpeto ofensivo do que um apagado Bruno Henrique.

Mas é preciso reconhecer que Rogério Ceni foi ousado nas substituições e tentou colocar o Flamengo no campo de ataque para pressionar o Unión La Calera e marcar o gol da virada. Poucos treinadores teriam a coragem de sacar fazer o que o treinador rubro-negro fez nesta terça-feira (11). Por mais impopular que essa opinião seja (e por mais que este colunista acredite que valia a pena mandar Vitinho para o jogo), Ceni “pensou fora da caixinha” na hora de mexer nas peças que tinha à disposição.

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