Sete momentos de superação em Jogos Olímpicos

Torcedores.com traz uma lista de fatos históricos vistos nas Olimpíadas

Ruan Nascimento
Colaborador do Torcedores

Crédito: (Reprodução/Jogos Olímpicos) Gabriela Andersen-Schiess completou a maratona de 1984 no sacrifício

Em 125 anos de história, os Jogos Olímpicos são repletos de inúmeros momentos de superação. Afinal de contas, falamos de um evento esportivo que reúne atualmente 33 modalidades esportivas, e com a presença de mais de 11 mil atletas, que representarão mais de 200 países.

A 62 dias da próxima edição das Olimpíadas, em Tóquio, o Torcedores.com apresenta para você momentos históricos envolvendo a superação dos atletas. Em alguns casos, a superação veio durante a própria prova, encerrada de forma épica, eternizada nas memórias de qualquer fã do espírito olímpico.

Gabriela Andersen-Schiess – o importante era completar

O momento mais marcante dos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos, foi a chegada da maratona feminina. Mas não foi a vitória da norte-americana Joan Benoit que se eternizou na memória das Olimpíadas, e sim, a dramática conclusão da prova pela suíça Gabriela Andersen-Schiess

Em uma tarde de calor escaldante, completar os 42.195 metros da maratona já é digno para a conclusão de um enorme desafio. E desistir não era uma opção para Gabriela Andersen-Schiess. Mesmo debilitada, alcançou o Los Angeles Memorial Coliseum para completar a corrida. Com passos lentos, à beira do esgotamento físico, e sob o incentivo de um estádio lotado, ela ultrapassou a linha de chegada para ser amparada pela equipe médica que estava de prontidão para atendê-la. A atleta finalizou a prova na 37ª posição, mas seu nome está eternizado na história do esporte, por conta de jamais ter desistido.

Vanderlei Cordeiro de Lima – o bronze eterno

Vinte anos depois do feito de Gabriela Andersen-Schiess, nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, o Brasil inteiro acompanhava com otimismo a maratona masculina. Afinal de contas, o atleta Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova com sobras, desbancando qualquer favorito. Tudo se encaminhava para uma vitória tranquila até que o maratonista teve sua prova interrompida por um padre irlandês, que o empurrou para fora da rua. O público que acompanhava a corrida na calçada conteve o invasor, e ajudou Vanderlei a se recompor e continuar seu percurso.

Com o incidente, o brasileiro perdeu ritmo, e foi ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini e pelo americano Mebratom Keflezighi, mas completou a prova com o sorriso no rosto, e com os braços abertos, celebrando a sua medalha de bronze, a primeira conquistada pelo Brasil na maratona. Vanderlei Cordeiro de Lima se tornou um símbolo de humildade esportiva, e conquistou a medalha Pierre de Coubertin, uma das maiores honrarias que um atleta pode receber. Em 2016, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foi ele quem acendeu a pira olímpica no Maracanã.

Maurren Maggi – do drama pessoal ao ouro

O ano era 2003. A atleta Maurren Maggi era favorita para a medalha de ouro no salto em distância, nos Jogos Pan Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana. Mas às vésperas da competição, foi flagrada no exame antidoping, por uso de clostebol, substância proibida presente em um creme que ela usou após um procedimento de depilação. Ela foi suspensa por dois anos, e perdeu não apenas o Pan, mas também os Jogos Olímpicos de 2004.

De volta às competições, Maurren Maggi recuperou seu bom rendimento, sendo medalha de ouro no Pan do Rio de Janeiro, em 2007. E um ano depois, veio o ápice na sua superação. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, Maurren fez um salto de 7,04m, apenas um centímetro a mais que a russa Tatiana Lebedeva, e conquistou o ouro, se tornando a primeira mulher campeã olímpica no atletismo brasileiro.

Mo Farah – Da queda para a glória

Nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, Mo Farah já era conhecido por ser um astro nas provas de fundo no atletismo. Ouro nos 5 mil e 10 mil metros em Londres, em 2012, esperava-se um bom rendimento dele também nos Jogos Olímpicos no Brasil. Porém, um susto tornou dramática sua prova dos 10 mil metros. Quando os atletas passavam da metade do percurso, o britânico perdeu o equilíbrio e caiu na pista, perdendo muitas posições. 

Porém, Mo Farah não desistiu após a queda. Se levantou e continuou o percurso, ultrapassando um adversário por vez. A menos de um quilômetro para o final, retomou a liderança, mas ainda em disputa com um adversário. De forma dramática, na última volta, nos últimos metros, o britânico voltou para a ponta da prova. Mo Farah conquistou o ouro em uma recuperação histórica. E poucos dias depois, faturou também a medalha dourada nos 5 mil metros.

Seleção feminina de vôlei – Um bicampeonato heroico

Então atual campeão olímpico, o time brasileiro de vôlei feminino chegou aos jogos de Londres, em 2012, com status de seleção favorita ao ouro. Mas durante a competição, a equipe de Fernanda Garay, Sheilla, Fabi, Jaqueline, entre outras, passou por vários momentos de drama desde a fase de classificação. Ainda na estreia, uma duríssima vitória sobre a Turquia por 3 sets a 2. Na sequência, duas derrotas consecutivas para os Estados Unidos e Coreia do Sul (esta, por 3 sets a 0), colocavam em dúvida a classificação para as quartas de final. Mas a recuperação veio, com vitórias sobre China e Sérvia. Apesar disso, o Brasil avançou ao mata-mata com a última vaga de seu grupo.

Nas quartas de final, o drama brasileiro atingiu o seu ápice. Contra a Rússia, até aquele momento a responsável por dolorosas derrotas da seleção feminina, o Brasil sofreu muito a cada set, mas conseguiu levar o jogo ao tie break. As russas ficaram a um ponto da vitória em seis oportunidades no set derradeiro, e com valentia, as brasileiras conseguiram vencer por 3 sets a 2. Nas semifinais, o Brasil derrotou o Japão, e na decisão, o bicampeonato olímpico veio com vitória sobre os Estados Unidos, assim como em 2008. As brasileiras se consagraram com mais um título, marcado por inúmeras histórias de superação.

Rafaela Silva – Um golpe no racismo

Em sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, em 2012, a judoca brasileira Rafaela Silva foi desclassificada em sua luta contra a húngara Hedvig Karakas, por ter aplicado um golpe irregular. Sofreu inúmeras críticas nas redes sociais e foi vítima de ataques racistas. Ela não se calou diante das injúrias recebidas, e continuou trabalhando para não errar em 2016, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu e se criou.

A recuperação de Rafaela após o drama vivido em Londres veio já no ano seguinte, com a medalha de ouro no Mundial de Judô em 2013, e se classificou com sobras para as Olimpíadas no Rio. A volta por cima nos tatames ainda teve o reencontro da brasileira com Karakas, nas quartas de final, desta vez vencido. Na decisão, ela derrotou a judoca Dorjsürengiin Sumiya, da Mongólia, para conquistar a sua tão sonhada medalha de ouro. Assim, Rafaela Silva se tornou campeã olímpica, calou críticos e se transformou em uma importante voz no combate ao racismo.

Eric Moussambani – o último que virou herói nacional

Faltavam quatro meses para os Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália, em 2000, quando Eric Moussambani ouviu na rádio que o Comitê Olímpico de seu país, a Guiné Equatorial, na África, procurava por nadadores para disputar as Olimpíadas. A iniciativa do Comitê Olímpico Internacional (COI) era de oferecer vagas para países sem tradição na modalidade. Assim, o jovem de 22 anos se candidatou para competir. Só havia um problema: ele nunca tinha disputado nenhuma competição profissional. E além disso, seu país não tinha uma piscina olímpica.

Restou para Moussambani treinar em um rio em seu país, e na piscina de um hotel, bem menor que uma piscina olímpica. Assim, viajou para a Austrália, para disputar a prova dos 100 metros nado livre. Em sua bateria, o atleta nadou sozinho, porque seus dois adversários foram desclassificados na largada. Com muito drama, o nadador da Guiné Equatorial foi ovacionado ao completar o percurso, com 1min52s, sendo mais de um minuto de diferença para o medalhista de ouro nesta prova em Sydney. Foi o maior tempo registrado na história para a conclusão dos 100 metros. Moussambani virou herói não só em seu país, como também de todo o continente africano. O nadador ainda tentou voltar para as Olimpíadas de Atenas, em 2004, mas por conta de um problema em seu visto, não pôde viajar para a Grécia. Hoje, é engenheiro eletrônico e atua como selecionador para jovens nadadores da Guiné Equatorial.