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Alemanha aproveita problemas defensivos de Portugal, vence com autoridade e mostra que ainda merece respeito

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como Joachim Löw venceu o duelo de estratégias contra Fernando Santos na Arena de Munique

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / UEFA EURO 2020

É praticamente impossível não exaltar a atuação da Alemanha na goleada sobre Portugal em jogo disputado neste sábado (19), na Arena de Munique. Não somente por vencer o atual campeão da Eurocopa, mas pela maneira a equipe de Joachim Löw construiu a vitória (incontestável) em cima do escrete comandado por Fernando Santos. E isso tudo explorando muito bem os problemas crônicos no sistema defensivo do seu adversário com muita intensidade nas transições, muita inteligência nas viradas de jogo de Kimmich para Gosens (o melhor jogador da partida de acordo com a organização do torneio) e na maneira como Gnabry, Thomas Müller e Havertz bagunçaram a vida de Semedo, Pepe, Rúben Dias e Raphaël Guerreiro. Resultado para recuperar a confiança depois da derrota para a França (na primeira rodada) e para reafirmar a qualidade de uma Alemanha absurdamente letal nos contra-ataques.

Mesmo com o gol de Cristiano Ronaldo aos 15 minutos (em contra-ataque de manual puxado por Bernardo Silva), a Alemanha de Joachim Löw já controlava as ações com relativa (e até certo ponto surpreendente) facilidade na Arena de Munique. Tudo por conta da maneira como o escrete germânico entrou em campo. O 3-4-2-1 tinha amplitude com Kimmich e Gosens abrindo bem o campo, preenchia o meio com Gündogan e Toni Kroos e tinha muita mobilidade no terço final. Ao invés da passividade apresentada na estreia da equipe na Eurocopa, muita intensidade nas transições e ótimas viradas de jogo. Do outro lado, Fernando Santos apostava num 4-5-1 que não fechava os lados do campo da melhor maneira. Principalmente pelo lado direito da defesa portuguesa, onde Semedo (completamente sobrecarregado na marcação) tinha que se desdobrar para conter das descidas de Gosens e Thomas Müller pelo seu lado.

Fernando Santos armou a Seleção de Portugal com uma linha com quatro jogadores à frente da área de Rui Patrício e mais cinco jogadores no meio-campo. Só que a Alemanha atacava com muita intensidade e abusava das viradas rápidas da direita para a esquerda. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Os gols da virada da Alemanha nasceram de lances que exploraram os espaços generosos que Portugal deixava na sua defesa. Aliás, é preciso lembrar que Gosens participou ativamente nas duas jogadas, sempre buscando a linha de fundo ou entrando em diagonal na direção da área. Este que escreve ainda se pergunta por que Fernando Santos demorou tanto para posicionar um jogador no lado direito para auxiliar Semedo na marcação, formar uma linha de cinco na frente da área e acabar com a superioridade numérica do escrete de Joachim Löw. Além disso, Gnabry segurava Pepe e Rúben Dias por dentro, Thomas Müller se juntava a Gosens na esquerda e Havertz fazia ótima dupla com Kimmich no lado direito. Some a isso tudo um grande volume de jogo e a intensidade já conhecida do escrete de Joachim Löw nas transições e você vai entender como Portugal se desmanchou em pouco tempo depois de abrir o placar.

O bem organizado 3-4-2-1 de Joachim Löw se desdobrava num 2-3-5 com o avanço de Kimmich e Gosens como autênticos pontas ofensivos. A Alemanha tinha superioridade numérica no terço final e encontrava enorme facilidade para superar o 4-5-1 de Fernando Santos. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Depois do terceiro gol da Alemanha (marcado por Havertz) no início do segundo tempo, o técnico Fernando Santos finalmente percebeu que o escrete lusitano precisava de mais gente na última linha e mandou Rafa Silva para o jogo no lugar de William Carvalho. No entanto, o comandante de Portugal se deparou com outro problema grave na sua equipe: a passividade dos jogadores na marcação. Resumindo bem essa questão, a Alemanha fazia o que queria com a bola no meio-campo sem ser muito incomodada. Renato Sanches (que havia entrado no lugar de Bernardo Silva depois do intervalo), Danilo Pereira, Diogo Jota e Bruno Fernandes apenas assistiam o escrete germânico trocar passes e fazer as já mencionadas viradas de jogo da direita para a esquerda. Gosens fez o quarto e Diogo Jota diminuiu o estrago para Portugal, mas o estrago já estava feito. A Alemanha dominava amplamente e fez por merecer o resultado.

Nem mesmo a entrada de Rafa Silva conseguiu resolver o problema na última linha portuguesa. A equipe comandada por Fernando Santos marcava mal e mostrava muita passividade diante de uma Alemanha ligada, concentrada e extremamente intensa em cada transição. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

A equipe comandada por Joachim Löw mostra em apenas um jogo que ainda merece muito respeito por parte dos adversários e que vai sim brigar pelo título dessa Eurocopa. Ainda mais com a vitória incontestável em cima do atual campeão e com a mudança clara na postura com e sem a bola (bem diferente da derrota para a França). Gosens e Kimmich foram fundamentais para abrir espaços e na criação das jogadas junto a Gündogan e Toni Kroos no meio-campo. Ao mesmo tempo, a movimentação do trio ofensivo bagunçou completamente a (frágil) defesa lusitana. Falando em Portugal, a partida deste sábado (19) escancarou todos os problemas coletivos da equipe de Fernando Santos. A defesa não mostrou segurança em nenhum momento, o meio-campo pouco criou e Cristiano Ronaldo ficou isolado no comando de ataque sem receber muitas bolas. Mais uma atuação bem abaixo do esperado por parte da Seleção das Quinas.

Enquanto a Alemanha mostra poder de reação com a vitória em cima do atual campeão da Eurocopa, o escrete lusitano parece ter sentido o golpe. Nem tanto pela goleada na Arena de Munique, mais pela maneira como ela aconteceu. A passividade dos jogadores dentro de campo e do técnico Fernando Santos na beira do gramado chamaram a atenção até de quem não estava acompanhando a partida. Pontos que podem ser determinantes na sequência da competição europeia. Repito: há como Portugal jogar mais e melhor.

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