Entenda por que a Inglaterra é uma das grandes decepções da Eurocopa 2020 até o momento

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação do time de Gareth Southgate no empate sem gols com a Escócia nesta sexta-feira (18)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / UEFA EURO 2020

A prudência e a experiência de outros tempos fazem com que este colunista evitem declarações como a do título desta humilde análise. Mas é preciso ser fiel aos fatos. A Inglaterra de Gareth Southgate é uma das grandes decepções dessa Eurocopa 2020 até o presente momento. E o empate sem gols contra uma Escócia aplicada e esforçada só reforça essa tese. Primeiro por conta da ótima safra de jogadores do English Team. Além dos experientes Harry Kane, Sterling, Stones e Pickford, ainda há nomes como Mason Mount, Recce James, Ben Chilwell, Calvert-Lewin, Marcus Rashford e Jadon Sancho. E depois pelo futebol pobre de ideias apresentado nas duas partidas da equipe na competição continental. Mesmo com um ótimo elenco à disposição, o técnico Gareth Southgate simplesmente não consegue dar um mínimo de conjunto ao seu time. A verdade é que o jogo desta sexta-feira (18) foi duro de se ver.

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Os números do SofaScore dizem muito sobre a atuação do English Team. Apesar de ter encerrado a partida com 60% de posse de bola, quem finalizou mais a gol foi a Escócia (onze chutes a gol do time de Steve Clark contra nove da Inglaterra). E o que se via era uma Inglaterra lenta nas transições, estática e sem muito poder de fogo com a bola rolando. A equipe de Gareth Southgate até encontrava espaços no 3-4-1-2 escocês e contava com Sterling, Harry Kane e Phil Foden bem posicionados no terço final, mas ainda sem a intensidade necessária para quebrar a linha de cinco formada com os recuos de O’Donnel e Robertson para junto do trio de zagueiros e sem a mobilidade necessária para criar situações de real perigo com a bola rolando. Na prática, a melhor oportunidade do English Team surgiu após cobrança de escanteio da direita em cabeçada de Stones que explodiu na trave de David Marshall.

Escocia vs Inglaterra - Football tactics and formations

Gareth Southgate armou a Inglaterra num 4-4-2/4-3-3 mais tradicional contra o 5-3-2 da Escócia no jogo desta sexta-feira (18). O English Team pecou demais pela lentidão na saída de bola e nas transições, pontos que facilitaram demais o trabalho da defesa armada por Steve Clark.

A impressão que fica do jogo desta sexta-feira (18) é a de que o técnico Gareth Southgate não vem conseguindo unir todos os talentos que tem à disposição no elenco da Inglaterra numa equipe coesa e bem coordenada. Não foram poucas as vezes em que o English Team encontrou espaços entre as linhas da Escócia, mas não foi feliz nas decisões que tomou quando esteve com a bola. E mais: embora o quarteto ofensivo impusesse muito respeito, o que se via na prática era uma equipe estática e sem a mobilidade com que Mason Mount, Harry Kane, Foden e Sterling tinham nos seus clubes. Faltava o encaixe perfeito de cada peça e também um pouco mais de ousadia por parte do treinador inglês para explorar os buracos na linha de cinco defensores da seleção comandada por Steve Clark. Só que a Inglaterra falhava nos momentos capitais e parecia perder ainda mais consistência quando a Escócia apertava a marcação.

A Inglaterra encontrava espaços no campo ofensivo, mas a falta de mobilidade e de movimentação do quarteto ofensivo minaram completamente as chances do time de Gareth Southgate. A Escócia se defendia e ainda conseguia ser mais efetiva no ataque. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Pickford salvou a Inglaterra aos 29 minutos do primeiro tempo (em chute cruzado de O’Donnel) e David Marshall defendeu chute de Mason Mount no início da segunda etapa. Mas o jogo em Wembley ficou apenas nisso. A Escócia se fechou ainda mais na defesa (e melhorou seu posicionamento depois do intervalo) e criou ainda mais dificuldades para um English Team apático e sem muita vibração dentro de campo. Gareth Southgate ainda tentou colocar sangue novo com as entradas de Rashford e Grealish nos lugares de Harry Kane e Phil Foden (respectivamente), mas sem muito sucesso. Do outro lado, Steve Clark manteve o 3-4-1-2 na Escócia e não se intimidou com a “grife” do seu adversário. Dykes e Che Adams desperdiçaram boas chances de abrir o placar em Wembley no segundo tempo. Mesmo assim, a partida terminou com uma sensação grande de alívio por parte do torcedor. Como dito antes, foi duro de se ver.

Inglaterra vs Escocia - Football tactics and formations

A Escócia de Steve Clark não se intimidou com o adversário e criou vários problemas para a Inglaterra de Gareth Southgate. Os alas O’Donnel e Robertson batiam de frente com Recce James e Luke Shaw a todo momento e ainda ajudavam o meia John McGinn na criação das jogadas.

É verdade que a Inglaterra pode se recuperar na Eurocopa, ir vencendo seus jogos e levantar a taça após a decisão do dia 11 de julho. Mesmo não apresentando um futebol à altura do elenco que Gareth Southgate tem à sua disposição. O problema nem está na formação, mas na maneira como o treinador do English Team pensa a estratégia para cada partida. E partindo desse princípio, a simples entrada de Jadon Sancho (um dos nomes mais promissores da nova geração inglesa) pouco acrescentaria a uma equipe que parece ter se acostumado a jogar de maneira lenta, descoordenada e sem vibração. E olha que boa parte dos jogadores vêm de Chelsea, Manchester City, Liverpool e várias outras equipes que tem a intensidade nas transições como uma das suas marcas registradas. Se o gol da vitória saiu contra a Croácia (e o nervosismo da estreia era compreensível), a atuação contra a Escócia foi frustrante.

Este que escreve, apesar do título com tom mais ranzinza do que o costume, ainda vai dar mais um voto de confiança para Gareth Southgate e a (ainda) promissora equipe da Inglaterra. Ainda mais sabendo que essa geração promissora ainda precisa de tempo e experiência para alçar voos mais altos no cenário mundial. Mesmo assim, o empate sem gols com a Escócia mostra que o problema do English Team reside muito mais na estratégia escolhida do que em quem a executa dentro de campo.

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