Nem mesmo a vitória sobre o Bahia conseguiu esconder os problemas crônicos do Internacional

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação das equipes comandadas por Osmar Loss e Dado Cavalcanti

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

A demissão de Miguel Ángel Ramírez já vinha se desenhando nos últimos jogos e se tornou praticamente insustentável após a eliminação na Copa do Brasil diante do Vitória. No entanto, quem esperava um Internacional de ânimo renovado com o “fato novo” provocado pela saída do treinador espanhol, acabou se deparando com uma equipe sem objetividade e sem confiança. Nem mesmo a vitória (suada) sobre o Bahia por 1 a 0 (a primeira no Campeonato Brasileiro) conseguiu esconder os problemas crônicos da equipe colorada. Por mais que a ruptura no processo de assimilação dos conceitos do antigo técnico expliquem as dificuldades encontradas na partida deste domingo (13), o escrete colorado ainda carece de intensidade nas transições, de mais consistência defensiva e (principalmente) controle dos nervos. A tola expulsão de Lucas Ribeiro é o retrato da instabilidade do Internacional na temporada.

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É preciso dizer que o maior mérito de Osmar Loss esteve na escalação da sua equipe. Não somente pela opção do 4-1-3-2 adotado por Eduardo Coudet, mas pela escolha dos jogadores que iniciaram a partida no Pituaçu. Destaque para o balanço defensivo realizado por Patrick no lado esquerdo junto a Léo Borges e para Taison como “ponta-armador” saindo da direita para o meio. O Internacional tinha boas ideias, mas esbarrava nos próprios erros e no eficiente bloqueio defensivo de um Bahia embalado pela classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil. Acabou que o Colorado Gaúcho só conseguiu efetivamente chegar na área adversária quando o Bahia errou na saída de bola e Edenilson converteu a penalidade (bastante discutível) sofrida pelo próprio após choque com Matheus Teixeira. Esse foi o primeiro e único chute a gol do Internacional em todos os noventa e poucos minutos de partida.

Taison saía da direita e vinha organizar o jogo no meio-campo e Edenilson se lançava ao ataque como opção de passe e infiltração no miolo de zaga do Bahia. Osmar Loss mostrava boas ideias, mas todo o problema do Internacional estava na execução das jogadas. Foto: Reprodução / GE / Premiere

O Bahia dominava completamente as ações no jogo através do 4-4-2/3-5-2 preferido de Dado Cavaltanti. O recuo de Patrick de Lucca para entre os zagueiros liberava os laterais para subirem ao ataque e participarem da criação das jogadas. O grande problema, no entanto, é que o Tricolor de Aço também pecava pela falta de objetividade e frieza diante de um adversário que sofria para encontrar um rumo. Por mais que Osmar Loss tenha devolvido um mínimo de competitividade e apreço pela posse de bola, o que se via (na prática) era um Internacional que chegou a apostar num estilo mais reativo ainda no primeiro tempo e que só teve (a rigor) uma única finalização em toda a partida. Números muito baixos para uma equipe que brigou pelo título brasileiro na temporada passada e para quem pintava como grande sensação do futebol brasileiro no momento em que MIguel Ángel Ramírez assinou com o clube.

Internacional vs Bahia - Football tactics and formations

Dado Cavalcanti apostava num 4-4-2/3-5-2 com o recuo de Patrick de Lucca para entre os zagueiros e as descidas dos laterais ao ataque. O Internacional, por sua vez, se fechava em duas linhas de quatro jogadores e ainda buscava a melhor maneira de explorar a afobação do seu adversário.

A tola expulsão de Lucas Ribeiro no início da segunda etapa também ajudou a escancarar a falta de cuidado com os nervos e força mental de uma equipe que ainda passa por uma pressão violenta nos bastidores. Antes dele, Pedro Henrique havia levado o cartão vermelho nos dois últimos jogos (e por lances parecidos). Com um a menos, era mais do que natural que o Bahia fosse se lançar ao ataque, mas acabou esbarrando no eficiente bloqueio defensivo do escrete comandado por Osmar Loss. Taison ficava mais por dentro (junto a Edenilson) para fechar o meio-campo, a dupla de zaga seguia firme na cobertura dos laterais e Edenilson e Johnny fechavam mais por dentro enquanto vigiava as linhas de passe. E é nesse ponto que entra a falta de intensidade de um Bahia que sofria horrores para chegar no campo de ataque e que sempre pecava pela falta de precisão e capricho nas conclusões a gol.

Com um a menos desde o início do segundo tempo, o Internacional se fechou na defesa com uma linha de até seis defensores na linha da grande área. O Bahia tentou de tudo para fazer a bola chegar no ataque, mas esbarrou no goleiro Daniel e na própria falta de pontaria. Foto: Reprodução / GE / Premiere

Por mais que o resultado positivo conquistado fora de casa traga alguma paz para o elenco colorado, a grande verdade é que o próximo treinador (que, pelo andar da carruagem, pode muito bem ser Osmar Loss) terá um grande trabalho para resolver todos os problemas da equipe. Com as gratas exceções de Edenilson, Taison e Patrick, a impressão que fica é a de que os demais jogadores parecem sem confiança e completamente desconcentrados. E o Bahia só facilitou a vida do Internacional ao jogar de maneira desorganizada e afobada dentro de seus domínios. A equipe comandada por Dado Cavalcanti sofreu para encontrar espaços no terço final e acionar Gilberto, Rodriguinho e Rossi no setor. Faltou qualidade no passe, mais jogadas pelas laterais e um pouco mais de intensidade nas transições. E um pouco de sorte também. A defesa do goleiro Daniel no finalzinho do primeiro tempo foi cinematográfica.

Não é difícil concluir que a demissão de Miguel Ángel Ramírez foi uma ruptura no modelo que estava sendo implementado. O “jogo de posição” (taxado erroneamente por muitos como um dos principais motivos da falta de mobilidade das equipes que o adotam) é quase um idioma novo a ser aprendido. Só resta saber se o próximo treinador do Internacional terá paz e tempo para trabalhar seus conceitos mesmo com as promessas falsas de uma diretoria que parece tão perdida quanto os jogadores dentro de campo.

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