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Bélgica aproveita desastre defensivo da Rússia e constrói boa vitória com relativa facilidade

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação das seleções comandadas por Stanislav Cherchesov e Roberto Martínez no jogo deste sábado (12)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / UEFA EURO 2020

É preciso dizer que a Bélgica não precisou fazer muita força para vencer uma Rússia completamente desorganizada e espaçada na estreia das duas seleções na Eurocopa. Muito dessa facilidade veio por conta da estratégia adotada pelo técnico Stanislav Cherchesov diante de um adversário que sabia muito bem como ocupar espaços e cortar as linhas de passe. A equipe comandada por Roberto Martínez pode não ter sido brilhante, mas soube como explorar bem o desastre defensivo em que o escrete russo através da velocidade de Carrasco pela esquerda, pela ótima distribuição de jogo feita por Tielemans no meio-campo e pela intensa movimentação do sempre decisivo Lukaku por todo o terço final. O que não faltava eram espaços para serem aproveitados e trabalhados pelos Diabos Vermelhos na partida deste sábado (12), em São Petersburgo. A Rússia simplesmente não conseguiu jogar.

Isso porque Stanislav Cherchesov apostou numa postura mais conservadora diante de uma Bélgica que já vinha se mostrando absurdamente intensa nas transições nas últimas partidas dos Diabos Vermelhos. A ideia do treinador russo era marcar em bloco mais baixo num 4-2-3-1 que se transformava num 5-3-2 conforme a movimentação de Kuzyaev pelo lado esquerdo. Pressão no portador da bola para retomar a posse e acionar o gigante Dzyuba no comando de ataque e esperar as chegadas de Golovin e Zobnin para construir as jogadas ofensivas. Tudo muito bonito no papel, mas a prática se mostrou completamente diferente do planejado. Muito por conta da enorme desorganização defensiva vista no terço final. A Bélgica de Roberto Martínez, por sua vez, manteve seu 3-4-2-1 de intensa movimentação ofensiva e via sua equipe encontrar enorme facilidade para levar a bola até a área adversária.

Kuzyaev voltava pela esquerda para formar uma linha de cinco na defesa da Rússia. O problema é que a equipe Stanislav Cherchesov marcava muito mal na entrada da sua área e concedia espaços generosos para uma Bélgica concentrada em cada ação ofensiva. Foto: Reprodução / GE / SPORTV

Não demorou muito para que a Bélgica abrisse o placar com Lukaku (aos 10 minutos do primeiro tempo) em lance bastante duvidoso (há como se discutir se o toque zagueiro Semenov dava condições de jogo ao camisa 9 dos Diabos Vermelhos). A partir daí, já era possível notar que a Rússia fazia um esforço hercúleo para levar a bola ao ataque. A impressão que ficava era a de que os comandados de Stanislav Cherchesov estavam sempre mal posicionados e precisavam correr muito mais do que seus adversários na partida. Chamava a atenção também a quantidade de jogadores lesionados. Kuzyaev, Zhirkov e Castagne deixaram o jogo ainda na primeira etapa por conta de problemas físicos. só que a equipe de Roberto Martínez manteve a intensidade e seu plano de jogo e conseguiu marcar seu segundo gol com Meunier aproveitando sobra do goleiro Shunin depois de cruzamento da esquerda.

O panorama da partida não mudou na segunda etapa (como é possível ver acima no “Attack Momentum” do ótimo SofaScore). A Bélgica seguia dominando as ações sem forçar muito e explorando todos os problemas crônicos do sistema defensivo de uma Rússia que pouco ameaçou a meta de Courtois. O time de Stanislav Cherchesov ainda conseguiu equilibrar um pouco o jogo com as entrada do zagueiro Diveev lugar do volante Barinov, mas sem conseguir ser agressivo nas transições contra um adversário que cadenciava o jogo e atacava na hora certa. E mais: a marcação no meio-campo seguia completamente espaçada e desarrumada. Não foi por acaso que Meunier teve espaço suficiente para receber a bola e esperar a movimentação certeira de Lukaku (às costas dos zagueiros russos) no lance que originou o terceiro gol da Bélgica. O abismo tático entre as duas equipes era muito grande e isso ficou claro no jogo deste sábado (12).

Meunier carrega a bola pelo meio e espera a movimentação de Lukaku às costas da linha de cinco defensores russos para fazer o passe. O terceiro gol da Bélgica escancarou a desorganização da equipe de Stanislav Cherchesov contra uma Bélgica bem postada em campo. Foto: Reprodução / GE / SPORTV

Resumidamente, o que se viu nesse sábado (12) em São Petersburgo foi um abismo tático entre duas seleções de relativa tradição no Velho Continente. Se Roberto Martínez conseguiu fazer com que a sua Bélgica construísse as jogadas com extrema facilidade e alternasse a postura mais ofensiva com marcação mais baixa para explorar a velocidade de Lukaku e Carrasco, Stanislav Cherchesov não conseguiu dar um mínimo de consistência à sua equipe. A Rússia (que tem potencial e condições de entregar muito mais com e sem a bola) se transformou em presa fácil por conta dos problemas de execução nos movimentos, dos enormes equívocos nas tomadas de decisão e do desastre defensivo que tomou conta dos donos da casa. Bastou que os Diabos Vermelhos acelerassem um pouco para que os espaços aparecessem no campo ofensivo e para que o adversário deste sábado (12) simplesmente se desmanchasse em campo.

A primeira rodada da UEFA Euro 2020 já nos reservou fortes emoções. O problema com o dinamarquês Eriksen (que ganhou homenagem de Lukaku no primeiro gol da Bélgica) e a recusa de algumas seleções em participar do protesto antirracista antes do apito inicial são alguns exemplos do que virá pela frente. Ainda mais num contexto ainda especial de estádios liberados parcialmente para o público e com todas as pol~emicas que ainda estão por vir.

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