Atuação apenas razoável do Flamengo contra o Coritiba é a prévia do que virá nas próximas semanas

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação do escrete rubro-negro contra o Coxa de Gustavo Morínigo em jogo válido pela Copa do Brasil

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

Gabigol, Rodrigo Caio, Pedro, Gerson, Isla, Arrascaeta e até mesmo o técnico Rogério Ceni. Dentre convocados para seleções nacionais, jogadores negociados, atletas lesionados e afastados por conta da COVID-19, o Flamengo que enfrentou (e venceu) o Coritiba nesta quinta-feira (10) entrou em campo com sete desfalques. Era de se esperar que a atuação do time comandado (interinamente) por Maurício Souza fosse encontrar algumas dificuldades na imposição do seu estilo por conta da ausência de mais da metade do seu time considerado titular e também pelo período de inatividade na temporada. Não é difícil concluir que a atuação apenas OK contra um Coritba que só conseguiu equilibrar as ações no segundo tempo é uma prévia do que virá pela frente nas próximas semanas para o Flamengo de Rogério Ceni. Não existe outra alternativa a não ser a mais simples: se virar com o que se tem.

Apesar de todos os desfalques, eu e você vimos um Flamengo que não abriu mão de seu estilo. Marcação alta, bom toque de bola no meio-campo e muita intensidade nas transições com Vitinho jogando atrás de Rodrigo Muniz, João Gomes e Diego Ribas (os melhores em campo na humilde opinião deste que escreve) e várias chances de gol criadas com a movimentação constante de todo o setor ofensivo. Do outro lado, o Coritiba de Gustavo Morínigo tentava se fechar na defesa para explorar os espaços às costas de Willian Arão e Gustavo Henrique. O problema é que o 4-4-2 do Coxa Branca deixava espaços generosos entre as suas linhas. Não demorou muito para que o Flamengo impusesse seu estilo de jogo com Vitinho, Everton Ribeiro e Bruno Henrique abrindo o campo e criando espaços no terço final. O gol de Rodrigo Muniz (marcado aos 15 minutos do primeiro tempo) era o resultado de toda essa superioridade.

Flamengo vs Coritiba - Football tactics and formations

Mesmo com as ausências de seis titulares (e de Rogério Ceni), o Flamengo manteve seu estilo de jogo a partir do seu 4-4-2 costumeiro. Vitinho, Bruno Henrique e Everton Ribeiro abriam espaços, Diego e João Gomes cuidavam da saída de bola e Rodrigo Muniz decidia lá na frente.

O Flamengo fez o que quis com o Coritiba até a metade do primeiro tempo e poderia até ter aumentado a vantagem no placar se a arbitragem não tivesse anulado gol legítimo de Rodrigo Muniz aos 42 minutos do primeiro tempo. No entanto, por mais que o ritmo do escrete rubro-negro tenha diminuído, o que se via era um domínio técnico e tático sobre o time comandado por Gustavo Morínigo. Ainda mais quando o Coritiba atacava de maneira desorganizada e marcava pior ainda. Não foram poucas as vezes em que Willian Farias, Val e Matheus Sales ficaram sobrecarregados na perseguição dos atacantes adversários. O Flamengo, por sua vez, tinha em Matehuzinho ótima válvula de escape pela direita, profundidade com Bruno Henrique se movimentando da esquerda para dentro e presença de área com Rodrigo Muniz prendendo os zagueiros Nathan Ribeiro e Luciano Castán. Fora a bagunça que toda essa movimentação fazia na defesa do Coritiba.

Everton Ribeiro abria o corredor, Matheuzinho avançava e encontrava Rodrigo Muniz prendendo os zagueiros e Bruno Henrique dando profundidade ao ataque. O Coritiba não conseguia fechar o espaço entre as suas linhas e sofria com o volume de jogo do seu adversário. Foto: Reprodução / SPORTV

No entanto, o tal domínio técnico e tático parou por aí. O que se viu no segundo tempo foi um Flamengo muito mais interessando em controlar o jogo do que em aumentar a vantagem no confronto contra o Coritiba. Gustavo Morínigo ainda tentou dar mais consistência à sua equipe com as entradas de Tailson, Dalberto e Waguinho nos lugares de Matheus Sales, Léo Gamalho e Robinho respectivamente. O Coritiba ganhou mais mobilidade no setor ofensivo e passou a ficar mais com a bola. No entanto, o primeiro chute a gol da equipe paranaense só aconteceu aos 20 minutos da segunda etapa. Muito pouco diante de uma equipe superior tecnicamente, mas que entrou no “modo cruzeiro” nos minutos finais e apenas administrou o resultado até o apito final. Rodinei, Hugo Moura e Michael ainda ganharam oportunidade de mostrar serviço, mas pouco acrescentaram numa partida que já estava mais do que encaminhada para o Flamengo.

Coritiba vs Flamengo - Football tactics and formations

Gustavo Morínigo tentou dar mais mobilidade e intensidade ao Coritiba com as entradas de Tailson, Dalberto e Waguinho, mas viu sua equipe criar apenas uma oportunidade de gol em todo o segundo tempo. O Flamengo, por sua vez, administrou o resultado até final do jogo no Couto Pereira.

O zagueiro Nathan Ribeiro ainda levaria o segundo cartão amarelo depois de falta feia em cima de Vitinho nos acréscimos. Diante de um Coritiba que tentou fazer o que era possível (mas que pecou demais na compactação e na postura muito mais cautelosa que o normal), o Flamengo teve atuação apenas razoável. Poderia ter sido melhor? Certamente. Ainda mais quando se sabe que o escrete rubro-negro possui jogadores extremamente qualificados. Por outro lado, era uma postura até certo ponto esperada por parte de uma equipe que entrou em campo com seis desfalques e mais o técnico Rogério Ceni. Aliás, a única alternativa viável para o escrete rubro-negro (pelo menos a curto prazo) é se virar com o que o elenco possui. Já se sabe há muito tempo que o Flamengo não possui peças confiáveis no banco de reservas e que cada ausência no time titular era bastante sentida por todos dentro de campo.

É o momento de se encontrar alternativas para suprir as ausências. A mais sentida, com toda a certeza do mundo, será a de Gerson, negociado recentemente com o Olympique de Marselha. Só que a partida desta quinta-feira (10) mostrou que Diego Ribas pode ser o substituto do camisa 8 no meio-campo e formar boa dupla com o excelente João Gomes. Além disso, o espírito de liderança do veterano de 36 anos será importantíssimo nesses próximos jogos. O Flamengo vai precisar demais de Diego.

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