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Como derrota para o Brasil “ajudou” Argentina na busca do primeiro título de Messi

Seleção argentina não foi derrotada desde a queda para brasileiros na semifinal da Copa América de 2019

Lucas Ayres
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pedro Vilela/Getty Images

No dia 2 de julho de 2019, a Argentina tinha à sua frente uma enorme oportunidade: encarar o Brasil pela semifinal da Copa América. Mais do que a fase, eram as condições que faziam da partida algo interessante além da conta para Messi e companhia.

Seus arquirrivais, afinal, estavam sem seu craque, Neymar, cortado antes do início da competição, e sem convencer por um só segundo dos quatro jogos que tinha disputado. Os argentinos, por sua vez, vinham de um bom momento, com seu camisa 10 mais líder do que nunca, ajudado por uma geração mais jovem e, como sempre, talentosa.

A outra semifinal, ainda por cima, seria decidida no dia seguinte entre Peru e Chile. De duas uma: os argentinos poderiam se vingar dos chilenos, algozes de 2015 e 2016, ou encarar a “acessível” seleção peruana. Em outras palavras, uma grande oportunidade para o primeiro título de Messi por seu país.

O sonho, no entanto, começou a desmoronar rápido. Se não tinha Neymar, o Brasil tinha Daniel Alves que, aos 18 minutos, fez linda jogada pela direita, com direito a chapéu, penteada que deixou seu marcador no chão e passe sem olhar para Firmino, que cruzou para Gabriel Jesus abrir o placar.

O atacante do Manchester City apareceria no segundo tempo novamente, se livrando de três defensores em uma arrancada do meio de campo, para devolver o favor à Firmino e matar o jogo. Com o 2 a 0, a seleção brasileira se encaminhou para a final e depois o título sobre o Peru. Já a seleção argentina…

Derrota impulsionou a Argentina rumo à final da Copa América

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A derrota foi duramente sentida pela Argentina. Não bastasse a oportunidade perdida, a equipe viu a melhor atuação de Messi na competição, parada num desempenho melhor ainda do goleiro Alisson.

Da dor, porém, a transformação. Primeiro, curiosamente, com uma manutenção. Apesar da terceira colocação na Copa América (“conquistada” sobre o Chile), o técnico Lionel Scaloni foi mantido no cargo para as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, quebrando um ciclo vicioso de derrotas e demissões do corpo técnico.

Com o respaldo da AFA, o treinador pode, se não reformular, aparar as arestas da equipe formulada para o torneio de 2019. A defesa, por exemplo, foi definida, com os zagueiros Otamendi e Pezzela e o lateral esquerdo Tagliafico fixados entre os 11.

O meio campo teve maior rotação, mas sempre mantendo a convicção no talento da geração de De Paul, Lo Celso, Paredes e Palacios, meias com a habilidade que corre nas veias hermanas mas com o gestual técnico e o posicionamento tático — e a versatilidade — tão característicos do futebol atual.

No ataque, é claro que Messi seguiu dono do time, mas com companheiros que privilegiassem suas características. Em outras palavras, saem de cena Agüero e Di María, e Lautaro Martínez ganha a titularidade absoluta. Nico González, Lucas Ocampo e Joaquín Correa, atacantes mais jovens e de maior potência física, também ganham maior espaço, para potencializar o jogo do camisa 10.

Toda essa configuração, no fim das contas, resultou, além de um desempenho sólido, regular e que, nos dias em que Messi é Messi flerta com o fantástica, numa das grandes invencibilidades das grandes seleções nacionais. Desde a derrota para o Brasil, a Argentina não foi derrotada, vencendo 11 vezes (uma delas contra a seleção brasileira, inclusive) e empatando outras 8.

Mais do que números para se ostentar, a invencibilidade permitiu que a seleção argentina chegasse na final da Copa América de 2021, naquela que é mais uma oportunidade para que seu camisa 10 conquiste o seu tão sonhado título por seu país.

Quis o destino que o adversário fosse o Brasil, o mesmo que o “ajudou” a chegar até aqui. Se o ciclo vai se fechar, saberemos somente no sábado (10) à noite, no Maracanã.

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