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Seleção Feminina eleva ainda mais o nível de competitividade em boa atuação contra a Holanda; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como a leitura de jogo de Pia Sundhage foi fundamental no segundo teste da equipe nos Jogos Olímpicos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Sam Robles / CBF

Dá pra falar muitas coisas da Seleção Feminina e das escolhas da sueca Pia Sundhage. Menos que essa equipe não é competitiva. E isso ficou muito claro no empate em 3 a 3 com a Holanda (a atual vice-campeã da Copa do Mundo) na segunda rodada da fase de grupos do Futebol Feminino nos Jogos Olímpicos. O escrete canarinho (que jogou com seu belíssimo uniforme azul) teve uma atuação coletiva extremamente consistente e criou mais chances do que o time comandado por Sarina Wiegman. É verdade que Bruna Benites levou um calor tremendo no lado direito, Erika teve dificuldades para conter a craque Miedema e Bárbara deixou passar bola defensável no lance do segundo gol holandês. Mesmo assim, é preciso reconhecer que a Seleção Feminina cresceu demais nos últimos meses. E a leitura de jogo de Pia Sundhage foi fundamental para deixar a equipe brasileira ainda mais competitiva na partida.

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A partida em Miyagi também nos mostrou uma equipe muito mais forte mentalmente para superar as adversidades e manter o foco na sua estratégia e proposta de jogo. Logo aos dois minutos, Miedema recebeu passe da direita, girou em cima de Érika e abriu o placar num lance de muita categoria. Mas a Seleção Feminina também tinha suas armas. Bastou assimilar o golpe e colocar em prática tudo aquilo que foi feito nos treinamentos. Aos 15 minutos, Bia Zaneratto recebeu na intermediária, atraiu a marcação de Van der Gragt e abriu o espaço que Debinha precisava para lançar Duda às costas de Dominique Janssen. O lance que originou o empate da Seleção Feminina é fruto de muito treinamento e dos movimentos bem executados do 4-4-2/4-2-4 montado por Pia Sundhage. Volantes na intermediária, laterais fechando o corredor e muita mobilidade para bagunçar a pesada zaga holandesa com o toque mágico de Debinha.

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A construção do gol de empate da Seleção Feminina tem a execução perfeita dos conceitos de Pia Sundhage. Atração do adversário, volantes e laterais diminuindo o campo, passes rápidos e bom uso da profundidade. Bia Zaneratto, Debinha e Duda foram fundamentais do início ao fim do lance. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

O ataque brasileiro tinha boa desenvoltura e aproveitava bem a lentidão da Holanda nas transições defensivas. Faltava um pouco de refinamento na troca de passes e mais velocidade quando a bola chegava perto da área adversária. Esses devem ter sido alguns dos motivos que levaram Pia Sundhage a fazer três mexidas no intervalo. Duda, Formiga e Bia Zaneratto (que não rendeu aquilo que se espera dela) deram lugar a Andressa Alves, Angelina e Ludmila. O 4-4-2/4-2-4 foi mantido, seguia bem organizado, mas a Seleção Feminina voltou a falhar na defesa no lance do segundo gol da Holanda (e de Miedema). Bárbara falhou e acabou deixando passar uma bola totalmente defensável, mas os problemas começaram na origem do lance. Ainda “fria” no jogo, Andressa Alves permitiu que Van de Donk fizesse o cruzamento e Tamires não percebeu o deslocamento da camisa 9 por trás da linha defensiva do escrete canarinho.

Bárbara acabou falhando no segundo gol da Holanda, mas os problemas defensivos começaram na origem do lance. Jogando mais pelo lado direito, Andressa Alves não fechou o cruzamento de Van de Donk e Tamires não percebeu o deslocamento de Miedema às suas costas. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

É verdade que os erros individuais colocaram a Seleção Feminina em desvantagem contra um adversário muito forte. Mas a equipe novamente mostrou muita competitividade e um jogo coletivo muito consistente na sequência da segunda etapa. Muito por conta das entradas de Angelina e Ludmila. A meio-campista do OL Reing (equipe dos Estados Unidos) deu mais solidez ao meio-campo, aumentou o poder de marcação e ajudou Andressinha na distribuição dos passes para o quarteto ofensivo. E a atacante do Atlético de Madrid mostrou porque merece muito mais reconhecimento de todos nós. Aliando velocidade e muita força física, a camisa 12 ajudou na pressão pós-perda e criou algumas das principais jogadas de ataque da equipe brasileira. Além, é claro, de ter sofrido o pênalti convertido por Marta e ter aproveitado a indecisão da zaga holandesa no seu primeiro gol em partidas oficiais pela Seleção Feminina.

A velocidade e a explosão de Ludmila foram fundamentais na pressão pós-perda e nos contra-ataques da Seleção Feminina no segundo tempo. A atacante do Atlético de Madrid mostrou oportunismo e muita visão de jogo no segundo e no terceiro gol da equipe de Pia Sundhage. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

Este que escreve não marcaria a falta que originou o (belíssimo) gol de Janssem (o terceiro da Holanda). Mas o que importa de verdade é o fato da Seleção Feminina ter se comportado muito bem coletivamente e ter competido em alto nível contra o adversário mais complicado do seu grupo. Apenas os cidadãos dotados de um alto grau de má vontade não enxergam as boas atuações de Marta, a polivalência de Duda a categoria de Debinha e a fibra de Rafaelle na zaga. Fora toda a consistência de um time que compete demais e que tem todas as condições de chegar longe nesses Jogos Olímpicos. E no jogo deste sábado (24), a leitura de jogo de Pia Sundhage foi fundamental para explorar os pontos fracos da Holanda. Ludmila e Angelina foram ótimas sacadas da treinadora sueca. Ainda que Andressa Alves e Geyse tenham deixado a desejar, a equipe fez um ótimo segundo tempo. Isso precisa ser reconhecido.

O resultado deixa a Seleção Feminina a um empate da vaga nas quartas de final. Mesmo assim, será preciso manter o nível de excelência e de qualidade lá no alto. Ainda mais quando já se sabe que a Zâmbia conta com a qualidade de Barbra Banda no centro das ações ofensivas. Será o tipo de adversário que vai exigir muita atenção e concentração de toda a equipe de Pia Sundhage. O empate contra a Holanda mostrou caminhos a seguir e os ajustes necessários. Que a competitividade desse time continue bem alta.

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