Seleção Feminina usa velocidade de Debinha e Bia Zaneratto para desmontar a China na estreia nos Jogos Olímpicos

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como Pia Sundhage montou a sua equipe e potencializou o talento da dupla de ataque brasileira

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Sam Robles / CBF

Este que escreve ponderou numa outra oportunidade que reconhece a qualidade do trabalho de Pia Sundhage à frente da Seleção Feminina nesses dois anos à frente da equipe. Há como não gostar ou não concordar com as escolhas da treinadora sueca, mas a grande verdade é que o Brasil é hoje um time extremamente competitivo. E a estreia nos Jogos Olímpicos com goleada sobre a China deve dar ainda mais confiança para Marta, Bárbara, Formiga, Bia Zaneratto e Debinha para a sequência da competição em terras nipônicas. Aliás, a dupla de ataque da Seleção Feminina foi a grande arma ofensiva da equipe e ajudou a descomplicar um jogo difícil (não se deixe enganar pelo placar final) contra um adversário que criou muitos problemas para todo o sistema defensivo do escrete canarinho. A atuação das atacantes do Palmeiras e do North Carolina Courage foram os pontos altos da goleada brasileira em Miyagi.

Conheça a 1xBet:

Um novo jeito de fazer sua aposta esportiva!

Pia Sundhage acertou em cheio na entrada de Duda pelo lado direito. Por mais que este colunista tenha admiração pela atacante Ludmila, fato é que a camisa 7 se encaixou muito melhor no 4-4-2/4-2-4 da treinadora sueca ao aliar força física e bom posicionamento para auxiliar Formiga e Andressinha na marcação no meio-campo. O início da partida, no entanto, ficou marcado por um certo nervosismo da equipe brasileira com a China forçando bastante pelo lado esquerdo (lado onde Bruna Benites mostrava muitas dificuldades na marcação). A partir do momento em que conseguiu fazer a bola chegar na dupla de ataque, o jogo fluiu a favor do escrete canarinho. Bia Zaneratto levava ampla vantagem na base da velocidade e da força física. E Debinha dava o toque de habilidade ao setor com muita movimentação. As duas foram fundamentais para que o plano tático de Pia Sundhage funcionasse como o esperado.

Duda entrou bem do lado direito e ajudou a dar consistência ao meio-campo. Mas a dupla de ataque foi o grande trunfo da Seleção Feminina na estreia nos Jogos Olímpicos. Debinha e Bia Zaneratto ajudavam a dar profundidade e se movimentavam demais no terço final. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

É óbvio que o jogo da Seleção Feminina ficou mais concentrado no lado esquerdo, onde Marta impunha muito respeito e participava ativamente das jogadas de ataque. Após o segundo gol brasileiro, o técnico Jia Xiuquan sacou a volante Wang Yan e mandou atacante Wurigumula, espelhando o 4-4-2 de Pia Sundhage e expondo a falta de compactação entre as linhas e os problemas defensivos pelo lado direito de defesa. A China adiantou sua marcação e passou a pressionar ainda mais a saída de bola brasileira, obrigando Bárbara a fazer pelo menos três defesas de cinema entre os minutos finais do primeiro tempo e o início da segunda etapa. No entanto, ao mesmo tempo em que subia suas linhas, a equipe chinesa também abria espaços no seu campo, fato que deixou a vida de Debinha e Bia Zaneratto muito mais fácil. A entrada de Andressa Alves no lugar de uma exausta Duda também deu mais consistência nas transições.

A atacante Wurigumula deu muito mais fluidez ao ataque da China e expôs os problemas na compactação das linhas da Seleção Feminina. Pia Sundhage respondeu mandando Andressa Alves para o jogo e posicionando Debinha e Bia Zaneratto para aproveitar os contra-ataques. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

O terceiro gol da Seleção Feminina saiu de uma das poucas subidas de Bruna Benites ao ataque. As jogadas de ultrapassagem de Marta e Andressa Alves pelos lados e procurando Debinha (à esquerda) e Bia Zaneratto (à direita) começaram a acontecer com mais frequência na medida em que a China se lançava para frente para tentar descontar. A camisa 21 teve toda sua dedicação na marcação e sua boa atuação premiada com o gol de pênalti (o quarto do Brasil na partida). E com a vitória praticamente definida, ainda houve tempo para Pia Sundhage descansar Formiga e Marta e dar minutos para Júlia Bianchi e Ludmila respectivamente. Mas sem desmontar seu 4-4-2/4-2-4 costumeiro. O quinto gol da Seleção Feminina (marcado por Bia Zaneratto) nasceu de uma bola interceptada por Debinha e no contra-ataque de manual puxado pela camisa 9. Ótima atuação coletiva e ótima tarde da dupla de ataque brasileira.

Com Ludmila, Júlia Bianchi e Andressa Alves em campo, a Seleção Feminina manteve seu 4-4-2 básico, mas baixou um pouco as suas linhas de marcação para ganhar espaço e acionar Debinha e Bia Zaneratto nos contra-ataques. O quinto gol brasileiro nasceu de bola interceptada pela camisa 9. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

Embora o placar final em Miyagi indique uma vitória sem sustos da Seleção Feminina, é preciso dizer que as coisas não funcionaram desse jeito. Isso porque a China percebeu que os pontos mais fracos da equipe comandada por Pia Sundhage estão nas laterais. Bruna Benites não conseguiu se achar na marcação e foi facilmente envolvida em alguns lances. Já Tamires teve muitos problemas para fechar seu lado e conter os avanços das atacantes chinesas. As duas, é verdade, acabaram prejudicadas pela falta de compactação e pela queda no ritmo da equipe depois do segundo gol. E isso sem falar na tarde mais discreta de Andressinha na criação das jogadas e na marcação no meio-campo. Por mais que os 5 a 0 empolguem, é preciso ter os pés no chão e entender que o nível de exigência irá aumentar consideravelmente a partir dos jogos contra a Holanda e contra a Zâmbia (que deve ser o “fiel da balança” no Grupo F).

Seja como for, a vitória desta quarta-feira (21) ajuda a consolidar a estratégia de Pia Sundhage e a dar mais confiança para as jogadoras. Marta teve boa atuação, assim como Bárbara, Rafaelle e Érika. Mas o diferencial da Seleção Feminina foi mesmo a desenvoltura e a fluidez da sua dupla de ataque. Bia Zaneratto e Debinha unem força física e muita habilidade para encontrar espaços em defesas mais fechadas. A maior prova disso está na atuação das duas na goleada sobre a China.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Athletico Paranaense mostra evolução e maturidade em ótima vitória sobre o América de Cali

Caras conhecidas, futebol ofensivo e pressão por vitórias: o que esperar da Seleção Masculina nos Jogos Olímpicos

Atlético-MG volta a flertar com o perigo em classificação mais suada do que o normal contra o Boca Juniors