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Movimentação, leitura de espaços e gols: Richarlison foi o grande trunfo da Seleção Olímpica na boa vitória sobre a Alemanha

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica o encaixe quase perfeito do “Pombo” no plano de jogo de André Jardine na estreia brasileira nos Jogos Olímpicos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Mesmo com o susto provocado pelo “apagão” brasileiro no segundo tempo, precisamos reconhecer que a Seleção Olímpica fez um grande jogo contra a Alemanha e poderia ter vencido por um resultado até mais elástico do que os 4 a 2 em Yokohama. Mais do que isso, a vitória também mostrou como Richarlison será importante nessa luta pela segunda medalha de ouro do futebol brasileiro. Com muita movimentação, ótima leitura dos espaços e um excelente aproveitamento nas finalizações, o “Pombo” formou excelente dupla de ataque com Matheus Cunha e se transformou no principal jogador da equipe comandada por André Jardine. Ainda que o treinador do escrete canarinho precise fazer alguns ajustes em alguns setores (principalmente no sistema defensivo), o que se viu em Yokohama foi uma Seleção Olímpica muito forte, ofensiva e intensa. E a vitória sobre a Alemanha só aumenta a confiança desse time.

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Com Richarlison e Douglas Luiz (outro que fez ótima partida) entre os titulares, André Jardine deixou seu 4-3-3 costumeiro e adotou um 4-4-2 de muita mobilidade na Seleção Olímpica. Mas a variação para o 3-2-5 no “jogo de posição” já conhecido do treinador brasileiro continuava. Com muito volume de jogo e uma postura muito mais vertical do que nos amistosos de preparação para os Jogos de Tóquio, o escrete canarinho conseguia atrair a Alemanha (armada por Stefan Kuntz num 4-1-4-1 espaçado e sem consistência) para seu campo e abrir espaços no campo adversário. Nesse cenário, Bruno Guimarães aparecia como o “ritmista” da Seleção Olímpica. O camisa 8 distribuía bons passes no meio-campo e aproveitava as subidas de Guilherme Arana no corredor aberto por Claudinho no lado esquerdo. Toda essa dinâmica de jogo somada à constante movimentação de Richarlison foram fatais para uma Alemanha desorganizada e espaçada em Yokohama.

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Richarlison e Matheus Cunha formavam boa dupla de ataque no 4-4-2 de André Jardine. Com Bruno Guimarães jogando como uma espécie de “ritmista”, a Seleção Olímpica conseguiu dominar facilmente a Alemanha no primeiro tempo com amplo destaque para a atuação do “Pombo”. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

Por mais que a equipe da Alemanha seja formada por jovens que ainda buscam sua afirmação em clubes menos badalados e que apenas Arnold (volante de ótimo passe e visão de jogo) e Amiri (meia-atacante habilidoso e com uma capacidade incrível de quebrar as linhas com ótimos passes), a Seleção Olímpica cumpriu bem seu papel nesta quinta-feira (22). Com jogadores muito mais experientes e com muito mais rodagem internacional, o escrete comandado por André Jardine soube como envolver seu adversário utilizando a variação do 4-4-2 para um 3-2-5 através do posicionamento dos laterais Daniel Alves e Guilherme Arana. Ao mesmo tempo Richarlison e Matheus Cunha também apareciam pelos lados e deixavam o corredor central para Claudinho e Antony. Ainda que a equipe tenha desperdiçado chances cristalinas de aplicar uma goleada histórica, a atuação coletiva foi muito boa. Muito melhor do que o esperado.

A variação do 4-4-2 para o 3-2-5 funcionou muito bem com a movimentação constante de Matheus Cunha e Richarlison no campo de ataque. Ao mesmo tempo, os “pontas” Claudinho e Antony tinham espaço para aparecer por dentro com Guilherme Arana (fora da imagem) vindo pela esquerda. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

No entanto, como diziam os antigos, nem tudo são flores na Seleção Olímpica. Além da queda na concentração e no ritmo imposto pela equipe (até certo ponto naturais diante da vantagem obtida no primeiro tempo), a impressão que fica é a de que os jogadores se “desligam” da partida. Principalmente depois da saída de Richarlison. Com isso, a compactação das linhas do 4-4-2 de André Jardine começou a não ser feita da maneira mais adequada, os volantes Douglas Luiz e Bruno Guimarães ficaram sobrecarregados na cobertura e na marcação pelo meio. Fora isso, o miolo de zaga da Seleção Olímpica pecou demais nas bolas aéreas e sofreu com a reação da Alemanha no segundo tempo (mesmo quando Arnold foi justamente expulso após falta feia em Daniel Alves). As falhas do sistema defensivo (e também do goleiro Santos) quase complicaram um jogo fácil para a Seleção Olímpica. O alívio só veio com o gol de Paulinho nos acréscimos.

A queda no ritmo imposto no primeiro tempo e na concentração da equipe de André Jardine foram facilmente notadas na segunda etapa. A Alemanha contou com as falhas do sistema defensivo e os problemas de compactação no 4-4-2 da Seleção Olímpica para reagir e marcar duas vezes. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

Este que escreve já falou anteriormente que o desempenho da Seleção Olímpica poderia melhorar muito com as entradas de Douglas Luiz e (principalmente) Richarlison. Os dois possuem muita qualidade, experiência e ótima leitura de jogo para executar o plano tático de André Jardine com a máxima eficiêcnia. Sobre o jogo contra a Alemanha, é preciso lembrar que estrear com vitória é sempre muito bom. Por mais que o escrete canarinho ainda precise de ajustes no seu sistema defensivo e mais capricho nas finalizações a gol, o saldo final foi muito positivo. Os 4 a 2 desta quinta-feira (22) também servem para dar confiança e mais respaldo ao trabalho realizado na equipe brasileira. E o “Pombo” já começou os Jogos Olímpicos assumindo o protagonismo que se esperava de um jogador da sua qualidade. Foram três gols marcados em menos de 30 minutos de jogo contra um rival de camisa pesada. Não é pouca coisa.

Mesmo assim, os próximos jogos da Seleção Olímpica terão um contexto bem diferente da goleada sobre a Alemanha (sim, 4 a 2 é goleada). Os jogos contra Costa do Marfim e Arábia Saudita vão exigir muita atenção nas transições defensivas e nas bolas levantadas na área. Nino, Diego Carlos e Santos serão colocados a prova mais uma vez contra ataques rápidos, de imposição física e de muita disposição. Ao mesmo tempo, Richarlison e companhia vão precisar manter os nervos e preparar as canelas para suportar as entradas mais ríspidas das zagas adversárias. A equipe de André Jardine não terá vida fácil.

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