Goleada do Flamengo sobre o Defensa y Justicia comprova que concentração e confiança são fundamentais no futebol

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como a equipe comandada por Renato Gaúcho se garantiu nas quartas de final da Libertadores

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

Este colunista nunca gostou de “cortar o barato” de quem está feliz com a vitória do seu time. Mas como o espaço é de análises e mais avesso ao clubismo exagerado (e plenamente compreensível) do torcedor, é preciso dizer que ainda é MUITO CEDO para dizer qual é o tamanho do impacto de Renato Gaúcho no Flamengo quando o assunto é um planejamento tático. Dito isto, passamos para uma outra face do velho e rude esporte bretão que é tão (ou até mais) importante quanto qualquer estratégia de jogo. Falo da confiança e da concentração. E dentro desse aspecto, a presença de RENIGHT no banco de reservas deu outro clima ao time de Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e companhia. Fato é que a goleada sobre o Defensa y Justicia nos mostrou um Flamengo mais leve, mais envolvente e muito mais confiante. As boas atuações de Gustavo Henrique, Michael e Vitinho estão aí para provar essa tese.

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Os primeiros trinta minutos da partida na Arena Mané Garrincha foram marcados pelo amplo domínio tático e territorial da equipe comandada por Renato Gaúcho. Não que ele tenha realizado alguma grade alteração na sua equipe ou passado alguma orientação específica para este ou aquele jogador. Nem houve tempo hábil para mudanças mais profundas nesse aspecto. Por outro lado, estava mais do que claro que o Flamengo estava muito mais solto e muito mais leve diante de um Defensa y Justicia armado no 5-3-2 de Sebastián Beccacece e que não conseguia conter os avanços constantes de Bruno Henrique e Gabigol saindo do lado para dentro no popular movimento de “facão”. O Fla estava visivelmente mais tranquilo e mais concentrado, embora ainda concedesse muitos espaços entre suas linhas em determinados momentos. Isla e Filipe Luís avançavam e Diego tomava conta do meio-campo com bons passes.

Renato Gaúcho repetiu seu 4-2-3-1 usual no Flamengo e viu sua equipe dominar completamente o Defensa y Justicia no primeiro tempo. Gabigol e Bruno Henrique atormentavam a vida do time de Sebastián Beccacece e ainda contavam com as subidas de Diego, Isla e Filipe Luís ao ataque. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

O amplo domínio do Flamengo e a vantagem no placar (após o gol de Rodrigo Caio) acabaram fazendo com que os jogadores tentassem mais lances de efeito e perdessem um pouco a concentração e (consequentemente) diminuíssem o ritmo intenso dos primeiros minutos. Sebastián Beccacece, por sua vez, sacou o atacante Contreras e mandou o lateral Tripichio para o jogo ainda no primeiro tempo. Mas o gol do Defensa y Justicia nasceu de um verdadeiro apagão de Diego Alves e de todo o sistema defensivo do Flamengo aos 41 minutos. E o mais interessante é que a tentativa do toque de efeito quando Loaiza fechava a linha de passe não foi o único erro do goleiro rubro-negro. Momentos antes de forçar o passe pelo meio para Diego (o Ribas), Gustavo Henrique, Rodrigo Caio e até mesmo Filipe Luís apareciam como opções melhores. Trapalhada que lembrou tempos mais sombrios e menos vitoriosos da equipe rubro-negra.

Diego Alves tem opções de passe muito melhores, mas resolve forçar o passe para Diego Ribas com cinco jogadores do Defensa y Justicia fechando na marcação. O único gol da equipe argentina é fruto direto da queda no ritmo e na falta de concentração do Flamengo. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Os instantes finais do primeiro tempo e o início da segunda etapa nos mostrou um Flamengo nervoso, desconcentrado e que flertava diretamente com o azar num jogo que parecia tranquilo. Renato Gaúcho fez o óbvio diante desse cenário. Sacou Éverton Ribeiro e mandou Michael para o ataque. E logo num dos seus primeiros lances, o camisa 19 mostrou que a confiança estava em alta ao participar do gol de Arrascaeta (o segundo do Flamengo na partida) aos 20 minutos do segundo tempo. E foi a partir daí que o time como um todo recuperou a concentração e o domínio da partida. Com Matheuzinho e Vitinho nos lugares de Isla e Bruno Henrique, o Flamengo fechou o placar com dois gols do camisa 11, mais um nome que tem tudo para crescer com Renato Gaúcho, treinador conhecido por recuperar jogadores. E precisamos reconhecer que alguns dos “renegados” pela torcida estão muito mais confiantes do que em outros tempos.

Michael, Vitinho e Matheuzinho entraram muito bem na partida e foram determinantes na construção das jogadas dos gols que fecharam a vitória sobre o Defensa y Justicia. O impacto de Renato Gaúcho na leveza dos jogadores e no aumento de confiança dos “renegados” é claríssimo. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Renato Gaúcho ainda não teve tempo para implementar seus conceitos e resolveu tomar a decisão mais sábia (tal como fez em 2016 quando substituiu Roger Machado no comando do Grêmio). O treinador do Flamengo deixou seus jogadores à vontade e se concentrou naqueles que não conseguiam render. Michael, Gustavo Henrique, Léo Pereira e Vitinho são alguns dos “renegados” pela torcida que podem dar a volta por cima e se tornarem ainda mais úteis. Muito na base do papo, da conversa ao pé do ouvido e do “feeling” de ex-jogador do próprio Flamengo e de tantos outros clubes do primeiro escalão. A grande missão de Renato Gaúcho, no entanto, ainda tem relação direta com uma certa “bipolaridade” do escrete rubro-negro. Por mais que isso tenha diminuído contra o Bahia e agora contra o Defensa y Justicia, as oscilações e quedas na concentração podem ser fatais em jogos maiores e muito mais disputados.

A partida desta quarta-feira (21) também nos mostrou que tática e estratégia são importantíssimos no futebol. Mas de nada valem se o planejamento não for executado com concentração máxima e se os jogadores perderem a confiança no próprio taco. Renato Gaúcho sabe que tem um Flamengo altamente qualificado em mãos e vem fazendo o simples e nada além disso. Ao deixar seus jogadores à vontade e deixar o clima mais leve, RENIGHT causa um impacto muito maior do que muita gente pode pensar.

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