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Atuações de Gerson e Luan Peres na vitória do Olympique de Marselha mostram que os dois ainda precisam de tempo e paciência

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira aponta os erros e acertos do argentino Jorge Sampaoli na virada sobre o Montpellier na abertura da Ligue 1

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Olympique de Marseille

A adaptação de um jogador brasileiro ao futebol europeu (muito mais físico, tático e intenso do que o nosso) sempre requer tempo e paciência. O idioma, a convivência com os novos companheiros, o clube, o treinador, a maneira de jogar, tudo isso influencia no que acontece dentro de campo. É mais ou menos o que acontece com o volante Gerson e com o zagueiro Luan Peres. Os dois marcaram presença na virada do Olympique de Marselha sobre o Montpellier neste domingo (8), na rodada de abertura do Campeonato Francês. O ex-jogador do Flamengo teve atuação apenas discreta e ficou meio perdido jogando mais avançado do que o costume no confuso 3-4-3 de Jorge Sampaoli. O ex-defensor do Santos, por sua vez, cresceu de produção com as mexidas do técnico argentino no segundo tempo. A vitória dá confiança ao elenco, mas está claro que os dois ainda precisam de tempo, paciência e confiança.

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Embora tenha iniciado melhor o jogo, o Olympique de Marselha viu o Montpellier dominar rapidamente as ações no meio-campo com o 4-2-3-1 de Olivier Dall’Oglio. É difícil saber se Jorge Sampaoli desejava reforçar o meio-campo com Gueye e Kamara na frente do seu trio de zagueiros ou se queria melhorar o passe no setor ofensivo com Gerson e Guendouzi encostando em Ünder, De la Fuente e Payet. Este último jogou como uma espécie de “falso nove” no 3-3-3-1 inicial do treinador argentino. Mas sempre que recebia a bola, todo o time do Olympique de Marselha estava espalhado demais em campo e as jogadas de ataque não fluíam como o esperado. Do outro lado, o Montpellier aproveitava esse início extremamente confuso do seu adversário para abrir dois gols de vantagem com Luan Peres marcando contra (aos 30 minutos do primeiro tempo) e com Laborde acertando belo chute da entrada da área quatro minutos depois.

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Montpellier vs Olympique de Marselha - Football tactics and formations

O confuso e desorganizado 3-3-3-1 de Jorge Sampaoli mais desarrumou o Olympique de Marselha do que deixou a equipe com mais consistência no meio-campo. O Montpellier aproveitou bem as chances que teve e abriu dois gols de diferença ainda no primeiro tempo da partida dentro de casa.

É verdade que se espera muito desse Olympique de Marselha por conta de todo o dinheiro investido na janela de transferências. Mas até mesmo Jorge Sampaoli precisa de tempo para implementar seus conceitos, conhecer as características dos seus jogadores e encontrar a formação ideal. O que é certo é que a atuação da sua equipe no primeiro tempo foi muito abaixo do esperado. A intensidade conhecida dos seus times deu lugar a uma apatia enorme e a problemas de posicionamento que minavam o potencial de jogadores como Gerson e Luan Peres. Era muito difícil não ver as dificuldades do zagueiro jogando como uma espécie de “falso lateral” pela esquerda e a do volante jogando quase como um ponta pela esquerda. Havia um buraco naquele setor que só seria corrigido com uma mexida óbvia por parte do treinador argentino no segundo tempo e que mudaria por completo a postura do Olympique de Marselha.

Gerson não conseguiu render o esperado jogando mais avançado do que o costume no confuso esquema tático de Jorge Sampaoli. O Olympique de Marselha foi presa fácil para um Montpellier mais ligado, concentrado e compactado no meio-campo nos primeiros 45 minutos. Foto: Reprodução / ESPN Brasil

A virada só começou a ser construída quando Jorge Sampaoli fez aquilo que deveria ter feito assim que sua equipe voltou do intervalo: sacar um dos quatro volantes escalados e mandar o argentino Benedetto para o jogo. O escolhido do argentino para deixar o jogo foi Gerson que realmente não esteve bem. Com Payet próximo do camisa 9, o Olympique de Marselha ganhou mais força no ataque e passou a pressionar de maneira mais eficiente a defesa do Montpellier. Até mesmo o zagueiro Luan Peres cresceu de produção aparecendo no campo ofensivo como zagueiro construtor pelo lado esquerdo. O gol de Ünder e as duas pinturas de Payet decretaram a virada em pouco menos de quinze minutos. Ao invés daquele confuso 3-3-3-1, o Olympique de Marselha jogou de maneira muito mais consistente e fazendo a inversão do 4-4-2 para o 3-2-5 com muita eficiência e volume de jogo. Era só fazer o simples.

Com Benedetto no lugar de Gerson, o Olympique de Marselha conseguiu ser muito mais efetivo no ataque. Payet ganhou companhia na intermediária e se juntou a Ünder, Guendouzi e De la Fuente na inversão para o 3-2-5 bem característica e conhecida de Jorge Sampaoli. Foto: Reprodução / ESPN Brasil

Mas nada disso quer dizer que Gerson será deixado de lado por Jorge Sampaoli. Como este que escreve colocou nas primeiras linhas desta análise, todos no elenco do Olympique de Marselha precisam de tempo para se adaptarem uns aos outros. Esse conhecimento, essa troca de relação é importantíssima no futebol. Sempre foi aliás. Se Luan Peres cresceu de produção no segundo tempo e se destacou como “zagueiro construtor” com ótimos passes de ruptura para De la Fuente, Payet e Benedetto, a tendência é que o mesmo aconteça com Gerson. Fica a sensação de que Sampaoli ainda tenta encontrar o melhor posicionamento para o camisa 8 na sua equipe. Ao mesmo tempo, por conta das suas características bem conhecidas de todos, é bem possível que Gerson comece a brigar por posição com Kamara e Gueye, ambos melhores defensivamente, mas sem seu cuidado e categoria quanto tem a bola no pés.

É muito cedo para se realizar análises mais profundas. O que se sabe é que Gerson, Luan Peres, Jorge Sampaoli e todos no elenco do Olympique de Marselha vão precisar de tempo e paciência mútua para adquirir a confiança necessária para vencer os jogos do “Francesão” e das competições que virão pela frente. E como se sabe, o treinador argentino gosta de variar bastante a formação das duas equipes e pode ser que os jogadores se adaptem melhor a outro tipo de esquema tático. É ter calma, trabalhar e colher os frutos dentro de campo.

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