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Santos encontra caminho a seguir apesar de derrota para o Athletico Paranaense e eliminação na Copa do Brasil

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as atuações de Fábio Carille e Paulo Autuori na partida realizada nesta terça-feira (15) na Vila Belmiro

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos FC

Quem acompanha a coluna aqui no TORCEDORES.COM já sabe que qualquer avaliação de qualquer treinador com apenas DOIS JOGOS no comando de um time não passa de exercício de argumentação vazia e sem sentido. Simplesmente não há como se falar em erros e acertos de Fábio Carille em tão pouco tempo. Mas é possível falar em caminhos que podem ser seguidos e nos problemas crônicos de uma equipe que sofre com os erros cometidos pelas suas diretorias há algum tempo. Ao mesmo tempo, a derrota para o organizado e bem estrutura do Athletico Paranaense (que também passa por um período de turbulência após a saída do português António Oliveira) deixou a sensação de que as coisas podem melhorar lá pelos lados da Vila Belmiro com a possibilidade de Fábio Carille aproveitar os reforços que chegara recentemente e os jogadores que forem deixando o departamento médico. A eliminação na Copa do Brasil é sim um golpe duro nas pretensões do Santos, mas pode significar um novo começo.

É interessante notar que os dois treinadores fizeram o simples na partida desta terça-feira (15). Fábio Carille apostou num 4-2-3-1 com Gabriel Pirani um pouco mais adiantado em relação a Jean Mota e Carlos Sánchez no meio-campo e recuando para ajudar na saída de bola do Santos em determinados momentos. Pelos lados, Marinho e Lucas Braga tentavam bagunçar a defesa adversária alternando movimentação por dentro e profundidade nas jogadas de ataque. Ideias que soam promissoras, mas que ainda necessitam de tempo para serem assimiladas por todo o elenco santista. Já o Athletico Paranaense se organizava num 3-4-2-1 com bastante compactação na frente da área do goleiro Santos e muita intensidade nos contra-ataques. Nesse ponto, o uruguaio Terans era a principal arma ofensiva do escrete de Paulo Autuori (que teve sabedoria para não alterar o estilo de jogo da equipe), saindo do lado para dentro, arrastando seus marcadores e distribuindo bons passes na intermediária.

Santos vs Athletico Paranaense - Football tactics and formations

Fábio Carille apostou num 4-2-3-1 com mais movimentação no terço final, mas acabou vendo o Santos ser contido pela boa marcação do Athetico Paranaense na frente da área. Marinho e Lucas Braga puxavam o jogo do lado para dentro e Gabriel Pirani recuava para armar as jogadas de ataque.

O que se via em campo era um Athletico Paranaense mais fechado e agressivo nos contra-ataques e um Santos sem tanta contundência por conta dos fatores levantados anteriormente. Ainda que Marinho tenha levado perigo com suas arrancadas pelo lado direito e Raniel tenha feito jogo razoável como referência móvel do 4-2-3-1 de Fábio Carille. Mas estava mais do que claro que o escrete da Vila Belmiro ainda precisa de tempo para assimilar os conceitos do seu novo treinador. É impossível cobrar padrão de jogo ou atuações mais seguras num contexto que engloba os problemas extracampo, o alto número de atletas lesionados e a impossibilidade de se contar com os reforços recém-chegados na Copa do Brasil. Do outro lado, Paulo Autuori apenas foi mantendo aquilo que vinha sendo feito por António Oliveira. Richard e Erick controlavam bem os avanços do escrete santista e ainda faziam a bola chegar no trio ofensivo com qualidade. Além de levar mais perigo ao gol do que seu adversário.

Mas se teve algo que ficou bem evidente para Fábio Carille foram os problemas defensivos da sua equipe. Bastou que o Athletico Paranaense colocasse um pouquinho mais de velocidade nas suas trocas de passe para que a defesa do Santos se desarrumasse. Principalmente pelo lado direito, onde Pará sofreu para fechar o espaço entre ele e Vinícius Balieiro (volante que jogou improvisado na zaga). Isso porque o Furacão apresentava boa dinâmica nas variações do 3-4-2-1 para um 3-4-1-2 que tinha Renato Kayzer recuando e abrindo espaços para as chegadas de Terans e Nikão em diagonal. Até mesmo os alas Marcinho e Abner Vinícius se aproveitavam dos espaços que apareciam na frente da área do (ótimo) goleiro João Paulo. Sem ter quem os acompanhasse, o Santos sofreu com as investidas dos dois em vários momentos da segunda etapa. O golaço marcado por Zé Ivaldo (aos 33 minutos da segunda etapa) praticamente sepultou qualquer chance (tardia) de reação do Peixe na Vila Belmiro.

Renato Kayzer recuava e abria espaços para as infiltrações dos alas Marcinho e Abner Vinícius (no destaque entrando na área santista) e para que Terans distribuísse o jogo no meio. Fábio Carille já sabe que o sistema defensivo precisa de atenção e ajustes. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Enquanto o Athletico Paranaense (apesar de ter visto o português António Oliveira deixar o comando da equipe recentemente) já tem um padrão de jogo estabelecido e bem treinado (mantido por Paulo Autuori nas últimas partidas), o Santos precisa de tempo e paciência para que todas as peças se encaixem. Mesmo assim e apesar de todos os problemas vistos no jogo desta terça-feira (14), ficou claro (pelo menos na humilde opinião deste que escreve) que Fábio Carille tem um plano, um caminho a seguir. Marinho e Lucas Braga foram razoavelmente bem saindo do lado para dentro num 4-2-3-1 que pode ganhar ainda mais liga com os retornos de Sandry, Camacho e outros que não atuaram contra o Furacão. Fora isso, Léo Baptistão e Emiliano Velásquez chegam com a missão de assumirem o papel de referência técnica de uma equipe repleta de garotos. Ainda mais com o declínio físico de Carlos Sánchez. E um dos pontos mais fortes dos trabalhos de Fábio Carille é o sistema defensivo.

Seja como for, este colunista ainda espera coisas boas de Fábio Carille num Santos que pode jogar muito mais do que vem jogando nesse ano de 2021. Os reforços chegaram, o departamento médico deve ser esvaziado aos poucos e a tendência é que o time ganhe consistência com o passar do tempo. Mas além dele (o remédio para todos os problemas), o Peixe também vai precisar de paciência. Não será de uma hora para outra que Carille vai implementar seus conceitos. É preciso ter isso em mente.

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