Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Corinthians volta a exibir seu vasto repertório tático em vitória importantíssima sobre o Palmeiras

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Arthur Elias e Ricardo Belli no primeiro jogo da final do Brasileirão Feminino

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rebeca Reis / Staff Images Woman / CBF

Tirando a péssima arbitragem de Thayslane de Melo Costa (que picotou demais o jogo e abusou de marcar faltas inexistentes para os dois lados), Corinthians e Palmeiras fizeram uma partida intensa, cheia de alternativas táticas e vários lances de emoção. Aliás, não é exagero nenhum afirmar que o primeiro “round” da decisão do Brasileirão Feminino superou todas as expectativas. Acabou que o escrete de Arthur Elias criou soluções para os problemas que encontrou pela frente no Allianz Parque, conquistou a vitória com belíssimo gol de Gabi Portilho (em falha coletiva da defesa palestrina, principalmente da goleira Jully) e viu a equipe de Ricardo Belli perder a consistência e a força na marcação com o passar do tempo. A vitória por um a zero obtida neste domingo (12), no entanto, ainda deixa o duelo completamente aberto. E muita coisa pode acontecer até o dia 26 de setembro. Certo é que o Corinthians de Arthur Elias mereceu sim o resultado.

Isso porque o Palmeiras criou muitos problemas nos primeiros minutos. A estratégia de Ricardo Belli era clara: fechar os lados do campo (com Chú e Camilinha se somando a Bruna Calderan e Katrine) e tentar vencer os duelos por dentro com Ary Borges, Duda Santos e Júlia Bianchi forçando o erro na saída de bola do Corinthians. Depois de vinte e poucos minutos de um jogo muito truncado e faltoso, o Timão começou a levar vantagem por conta de uma alteração simples de Arthur Elias. Tamires se somou a Yasmim no lado esquerdo como uma “ponta-armadora” de rara qualidade e liberou Adriana para se movimentar mais entre as linhas das Palestrinas. Gabi Portilho e Vic Albuquerque trocavam de posição a todo momento e confundiam a marcação do Palmeiras. Não demorou muito para que Erika começasse a aparecer na intermediária com seus passes certeiros e se somasse a Gabi Zanotti e Ingryd (uma das melhores em campo na opinião deste que escreve) na criação das jogadas.

Erika aparecia como mais uma jogadora de criação no meio-campo e aproveitava o espaço aberto pela movimentação do 4-4-2/4-2-4 de Arthur Elias. Com Tamires jogando como “ponta-armadora” e Adriana mais solta, o Corinthians soube como conter os avanços do Palmeiras. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

O gol bem anulado de Adriana ainda no primeiro tempo seria o divisor de águas da partida no Allianz Parque. Tudo por conta do crescimento de produção de um Corinthians que passou a explorar ainda mais os espaços que apareciam no meio-campo do Palmeiras. Ricardo Belli, numa tentativa de dar uma resposta para Arthur Elias, voltou do intervalo com Maria Alves no lugar de Duda Santos e trouxe Ary Borges para jogar por dentro (próxima de Júlia Bianchi) numa espécie de 4-1-3-2 espaçado e que fez a festa de Gabi Portilho, Tamires, Gabi Zanotti e companhia. O ímpeto ofensivo e a aposta alta feita pelo treinador palestrino cobrariam seu preço. O Palmeiras perdeu a consistência do primeiro tempo, viu Bruna Calderan (principal válvula de escape da equipe) ser encaixotada no lado direito de ataque e sofreu para fechar os espaços na frente da última linha. Nesse ponto, o Corinthians mostrava um repertório tático muito maior do que o do seu principal rival. E com sobras.

A entrada de Maria Alves no lugar de Duda Santos acabou com a compactação do Palmeiras e fez com que a equipe se transformasse em presa fácil para o Corinthians. Gabi Zanotti, Tamires, Vic Albuquerque e Gabi Portilho encontravam espaços generosos no terço final. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

O (belíssimo) gol de Gabi Portilho (marcado aos 21 minutos do segundo tempo) mostrava também que uma das armas mais letais desse Corinthians é a bola aérea e que a defesa do Palmeiras vacilou demais num lance que não era difícil de ser marcado. Méritos do ataque corintiano. E também prova de que o escrete de Ricardo Belli já havia se desmanchado completamente dentro de campo antes mesmo de levar o gol. As Palestrinas erravam coisas fáceis, abusavam das tomadas de decisões erradas, embolavam demais o jogo pela direita e deixavam Katrine (que foi uma gigante na marcação enquanto teve fôlego para contar os avanços de Gabi Portilho) completamente sobrecarregada na criação das jogadas pelo esquerda (já que Camilinha fez outra partida muito ruim). E olha que o Corinthians ainda teve seus momentos de desatenção no final do segundo tempo, quando Gabi Zanotti recuou demais e abriu espaços demais na frente da área de Kemelli. O Palmeiras não se achou.

Gabi Zanotti e Tamires recuaram demais e abriram espaços na frente da área do Corinthians que o Palmeiras não conseguiu aproveitar nem com mais jogadoras ofensivas em campo. A ótima lateral Katrine era uma das poucas palestrinas lúcidas na partida. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Mais do que exibir seu vastíssimo repertório tático, o Corinthians de Arthur Elias encontrou soluções rápidas para cada problema que aparecia em campo. O Palmeiras forçava o jogo por dentro? Gabi Zanotti se aproximava de Ingryd e fechava o setor. Bruna Calderan era a principal válvula de escape? Tamires foi jogar como “ponta-armadora” e encaixotou a camisa 2 palestrina junto com Yasmim. Cada investida do escrete de Ricardo Belli era respondida à altura e com alterações simples por parte de Arthur Elias. Pontos que deixaram o primeiro “round” da decisão do Brasileirão Feminino com cara de jogo de xadrez. Por mais que Thayslane de Melo Costa tenha irritado demais as duas equipes ao picotar demais uma partida que tinha tudo para ser mais emocionante do que foi. Ingryd, Katiuscia, Tamires, Gabi Portilho, Erika e Yasmim foram importantíssimas na leitura de tudo o que o jogo apresentava e na busca por soluções. O Palmeiras, por sua vez, já mostrou que pode fazer mais.

A vitória simples, no entanto, deixa a disputa do título do Brasileirão Feminino Série A1 de 2021 completamente aberta. Arthur Elias sabe muito bem disso e deve manter o estilo mais ofensivo e intenso do seu Corinthians na partida do dia 26 de setembro na Neo Química Arena. Já Ricardo Belli terá que buscar soluções para deixar seu Palmeiras mais forte no ataque sem perder o equilíbrio defensivo. Há como recuperar a consistência da primeira fase da competição. Mesmo sem Bia Zaneratto.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Força mental do Red Bull Bragantino foi importantíssima na conquista do Brasileirão Feminino Série A2; confira a análise

Corinthians volta a aproveitar falhas defensivas da Ferroviária e controla as ações do jogo sem muitos problemas

Cruzeiro sobe de produção e ganha consistência defensiva, mas número excessivo de empates ainda preocupa

Everton Ribeiro, sistema defensivo e volume de jogo são as grandes notícias da Seleção Brasileira