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Cruzeiro sobe de produção e ganha consistência defensiva, mas número excessivo de empates ainda preocupa

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação dos comandados de Vanderlei Luxemburgo contra o Goiás de Marcelo Cabo

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rosiron Rodrigues / Goiás EC

É preciso dizer que Vanderlei Luxemburgo conseguiu sim dar mais competitividade ao Cruzeiro. A equipe celeste tem um padrão de jogo mais definida, não sofre tanto na defesa e tem se mostrado mais agressiva nos contra-ataques ainda que a postura adotada seja um pouco mais pragmática por conta de todo o contexto envolvido. Apesar da melhora dentro de campo, a Raposa segue estacionada na parte de baixo da tabela da Série B por conta do número excessivo de empates. O Cruzeiro não foi derrotado nas últimas nove partidas, mas venceu apenas três e empatou nove vezes (apenas 55% de aproveitamento). Muito pouco para quem sonha com a volta para a elite do Campeonato Brasileiro e (principalmente) com dias melhores. O empate contra o Goiás nesta terça-feira (7) em Goiânia é um bom resumo da situação do escrete mineiro nessa temporada. A realidade, meus amigos, é muito mais dura do que Vanderlei Luxemburgo afirma ser. O fantasma do rebaixamento ainda está presente.

Isso porque a Raposa teve chances de sair com a vitória, subir um pouco mais na tabela da Série B e seguir sonhando com o acesso. O Goiás (que acumula quatro vitórias e quatro empates nas últimas oito rodadas) teve mais a posse da bola e tentou encurtar espaços através do 4-2-3-1 costumeiro de Marcelo Cabo. No lado direito, Apodi tinha liberdade para apoiar pelo corredor aberto por Dieguinho, que centralizava e buscava a aproximação com o meia Elvis no meio-campo. Vanderlei Luxemburgo repetiu a formação do seu adversário, mas teve que fazer adaptações na sua estratégia após a saída de Bruno José do jogo após sentir a perna direita. Marcinho tem velocidade, mas tende a buscar mais o jogo por dentro do que dar profundidade desejada pelo treinador celeste. Com Rafael Sóbis jogando como um “falso nove”, Giovanni e Rômulo pisando na área do Goiás com frequência e Cáceres e Matheus Pereira firmes no apoio, o Cruzeiro conseguia fazer jogo equilibrado na Serrinha.

Goias vs Cruzeiro - Football tactics and formations

Vanderlei Luxemburgo apostou no mesmo 4-2-3-1 de Marcelo Cabo, mas a lesão de Bruno José e a entrada de Marcinho alteraram um pouco o planejamento para a partida desta terça (7). Marcelo Cabo, por sua vez, dava liberdade para Apodi aparecer no ataque como um autêntico ponta-direita.

Apesar das dificuldades, o Cruzeiro conseguia levar certo perigo ao gol de Tadeu. Com Wellington Nem saindo do lado e aparecendo por dentro (como mais um jogador de meio-campo), o escrete celeste até ganhava um pouco mais de rapidez nas suas transições. Mas Luxemburgo precisava recuperar a mobilidade perdida com a saída de Bruno José e fez duas mexidas que mudaram a postura da Raposa: Rafael Sóbis e Giovanni deram lugar a Thiago e Claudinho respectivamente, reorganizando a equipe num 4-4-2 mais ortodoxo. Duas linhas com quatro jogadores na frente da área e muita velocidade nos contra-ataques. Tudo para aproveitar bem os espaços que apareciam entre o meio-campo e a defesa do Goiás. Principalmente do lado direito do Esmeraldino, onde Apodi avançava com frequência. Numa das primeiras jogadas bem executadas, Wellington Nem deixou Thiago em ótimas condições e o camisa 18 abriu o placar na Serrinha com um belo toque por cima do goleiro Tadeu. Belo gol.

Luxemburgo melhorou o desempenho do Cruzeiro com as entradas de Claudinho e Thiago. Foi deste último o gol que abriu o placar no Estádio da Serrinha após contra-ataque bem executado e que explorou bem os espaços que surgiam na defesa do Goiás. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

É verdade que o gol de empate do Goiás deveria ter sido anulado pelo VAR após saída de bola completamente errada por parte do Goiás. Aliás, é impressionante como uam ferramenta que pode ser extremamente preciosa no jogo vem sendo operada de maneira tão irresponsável e criminosa. Mesmo assim, o gol marcado por Elvis em belo chute da entrada da área nasceu de um dos poucos momentos em que o Cruzeiro baixou a concentração e permitiu que o Esmeraldino trocasse mais passes na frente da sua área. Com Dieguinho e Nicolás puxando a defesa para trás, o camisa 10 teve espaço suficiente para ajeitar o corpo e acertar a passada sem que fosse lá muito incomodado após rebatida errada de Eduardo Brock. Daí para o final da partida, tanto Marcelo Cabo como Vanderlei Luxemburgo fizeram mais modificações nas suas equipes, mas a igualdade permaneceu até o apito final. Enquanto o Goiás se mantinha no G4 com o ponto conquistado na Serrinha, a Raposa deixava o campo com a sensação de que poderia ter feito mais.

Cruzeiro vs Goias - Football tactics and formations

Após os gols de Thiago e Elvis, Cruzeiro e Goiás mantiveram as posturas dentro de campo e não criaram mais chances reais de gol. Vanderlei Luxemburgo foi bem nas substituições e deixou a Raposa muito mais veloz num 4-4-2 que aproveitou bem os espaços que apareceram na frente.

O aproveitamento do Cruzeiro com o “Pofexô” é satisfatório e que a equipe joga um futebol muito mais consistente do que o apresentado com Mozart e Felipe Conceição. Por outro lado, as derrotas acumuladas no primeiro turno da Série B deixaram a Raposa numa situação complicada. A impressão que fica é a de que a Raposa, apesar dos bons números e da clara melhora no desempenho sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, patina nos próprios erros nos momentos decisivos. Há empates e empates. E pelo menos boa parte deles aconteceu num contexto bastante favorável ao Cruzeiro. Havia como a equipe ter conquistado pelo menos duas boas vitórias nessas últimas nove rodadas. Caso do jogo contra o Goiás. Por mais que o VAR tenha vacilado feio ao não anular o gol de Elvis, fica também a certeza de que o escrete celeste tem condições de chegar sim um pouco mais longe. Pelo menos figurar na parte de cima da tabela da Série B. Brigar pelo acesso pode ser tarde demais.

Também é necessário lembrar que o Cruzeiro ainda está muito próximo do Z4 e que qualquer sequência negativa pode ser altamente prejudicial na confiança da equipe. Ao passo que o Goiás vem fazendo campanha consistente no Brasileirão da Série B, a Raposa ainda segue extremamente irregular e abusando do direito de empatar. E numa competição em que a vitória vale três pontos, empatar em demasia é preocupante. Ainda mais com tanto em jogo nessa temporada. Dentro e fora de campo.

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