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Presença de Philippe Coutinho parece estar fazendo muito bem ao time do Aston Villa; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação do brasileiro na vitória da sua equipe sobre o Everton em jogo válido pela Premier League

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Aston Villa

Antes de mais nada, é preciso deixar bem claro que ainda é muito cedo para se afirmar com toda a certeza de que Philippe Coutinho finalmente recuperou seu futebol e sua melhor forma. O camisa 23 do Aston Villa teve atuação apenas discreta na vitória da sua equipe sobre o Everton de Richarlison, Allan e comandada interinamente por Duncan Ferguson após a demissão de Rafa Benítez. Mesmo assim, é possível notar nos Lions uma certa mudança no ânimo e na maneira de jogar depois que o brasileiro chegou ao clube. Prova disso está na boa apresentação coletiva da equipe de Steven Gerrard no segundo tempo contra o Manchester United e na organização e intensidade notadas no primeiro tempo contra os Toffees no jogo deste sábado (22), no Goodison Park. Mesmo sem ser brilhante, Philippe Coutinho parece estar fazendo muito bem ao Aston Villa em todos os sentidos.

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É verdade que o Everton entrou em campo sobre forte pressão por conta da péssima campanha na Premier League (os Toffees haviam conquistado apenas um dos últimos doze pontos disputados na competição) que culminou na demissão do técnico Rafa Benítez. Difícil não concluir que o Aston Villa teve sua vida muito facilitada com a péssima atuação do seu adversário. Mas nem isso diminui o mérito dos comandados de Steven Gerrard. Principalmente do trio ofensivo formado por Buendía (o melhor em campo na opinião deste que escreve), Ollie Watkins e Philippe Coutinho. A simples presença do brasileiro no time titular parece ter resolvido algumas das questões ofensivas dos Lions. Sem exagero.

Isso porque o time de Birmingham estava muito melhor organizado e muito melhor distribuído em campo do que o Everton. O 4-4-2 de Duncan Ferguson estava espaçado demais e concedia espaços generosos para que Philippe Coutinho partisse da esquerda para dentro e arrastasse a marcação com ele. Ao mesmo tempo, Buendía saía da direita para buscar o jogo no meio enquanto Ollie Watkins arrastasse a linha defensiva dos Toffes para trás. O 4-3-3/4-4-2 de Steven Gerrard gerava profundidade e boa ocupação de espaços.

Philippe Coutinho começou jogando no lado esquerdo de ataque do 4-3-3 de Setevn Gerrard. O brasileiro entrava em diagonal na direção da área enquanto que Buendía e Watkins arrastavam a marcação de um Everton bagunçado e espaçado. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Mas Philippe Coutinho não ficava preso no lado esquerdo. O camisa 23 encontrava muito espaço entre as linhas do 4-4-2 de Duncan Ferguson e, ao mesmo tempo, todo o sistema ofensivo do Aston Villa aproveitava muito bem a marcação mais frágil na entrada da área do Everton. Fora o fato de que Doucouré teve que jogar por ele e por todo o meio-campo dos Toffees, visto que André Gomes estava numa péssima tarde e que Towsend e Gray encontravam muita dificuldade para conter os avanços constantes dos laterais Cash e Digne. Era a partir desse processo que os Lions transformavam seu 4-3-3 num 2-3-5 com Philippe Coutinho mais recuado, Watkins dando profundidade e Buendía buscando a entrelinha. Não é exagero nenhum afirmar que o escrete comandado por Steven Gerrard poderia ter ido para o intervalo vencendo a partida em Goodison Park por dois ou três gols de vantagem.

Philippe Coutinho recuva, os laterais Cash e Digne avançavam e o 4-3-3 de Steven Gerrard se transformava num 2-3-5 de muita profunidade e amplitude. Tudo isso era bastante facilitado pela marcação frouxa no meio-campo do Eveton. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

O gol marcado por Buendía aos 48 minutos do primeiro tempo fazia justiça ao que se via no Goodison Park. Enquanto o Aston Villa executava bem seu modelo de jogo, o Everton patinava dentro de seus domínios e sofria para conseguir concluir a gol. Os Toffees só conseguiram equilibrar um pouco as ações quando Duncan Ferguson fez o óbvio: sacou o apagado André Gomes e mandou o brasileiro Allan para o jogo. Mesmo assim, o que se via era uma equipe que só conseguia levar perigo mais na base do “abafa” do que por conta de alguma jogada mais trabalhada. Enquanto isso, Seteven Gerrard recuou as linhas do Aston Villa e teve em Philippe Coutinho seu “camisa 10” de fato numa variação para algo próximo de um 4-2-3-1. Por mais que o adversário tenha crescido com as substituições, os Lions conseguiram segurar a onda e garantir três pontos importantíssimos fora de casa.

Philippe Coutinho jogou como um “camisa 10” de fato na variação do 4-3-3 para um 4-2-3-1 no segundo tempo. O Everton melhorou com as substituições de Duncan Ferguson, mas continuou desorganizado e sem um padrão definido de jogo. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Já bastante cansado (e ainda buscando a melhor forma física), Philippe Coutinho foi substituído aos 28 minutos do segundo tempo e viu o Aston Villa frear o ímpeto do Everton no final da partida em Goodison Park. E por mais que ainda seja muito cedo para se fazer análises mais profundas do brasileiro, a impressão que fica é a de que o camisa 23 parece estar fazendo muito bem aos Lions por conta de dois motivos básicos. O primeiro é de ordem tática. Steven Gerrard tem em Philippe Coutinho o meia criativo que faltava na sua equipe e seu futebol se encaixa muito bem nas características da equipe de Birmingham. E o segundo é de ordem mental. Dá gosto ver a bandeira do Brasil nas arquibancadas e o Aston Villa jogando com mais ânimo e desenvoltura. O início dessa mudança de postura se deu no empate contra o Manchester United. Estamos vendo o processo em curso.

Ao que parece, Premier League e Philippe Coutinho parecem feitos um para o outro. É impressionante como o camisa 23 do Aston Villa se sente à vontade em campo. E mesmo sem fazer a diferença e tendo atuação no máximo discreta, o brasileiro parece estar no caminho certo para retomar o ótimo nível que já alcançou não faz muito tempo. Certo é que ele vem fazendo muito bem aos Lions e Steven Gerrard percebeu isso. Enquanto isso, Tite vai observado tudo.

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