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Ferroviária aposta alto na janela de transferências e monta elenco altamente competitivo para 2022

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as contratações das Guerreiras Grenás e explica como Roberta Batista pode montar sua equipe

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Tiago Pavini / Flickr / Ferroviária SA

Não é exagero nenhum afirmar que a atuação da Ferroviária nessa janela de transferências do futebol feminino foi simplesmente fantástica. Este que escreve se arrisca a afirmar que poucos clubes foram tão precisos e tão arrojados como as Guerreiras Grenás na busca por jogadoras competitivas e que se encaixam perfeitamente nas necessidades da equipe comandada por Roberta Batista. Após o título da Libertadores Feminina de 2020, da terceira posição na edição de 2021 e de ter chegado nas semifinais do Brasileirão Feminino e do Paulistão Feminino, a Ferroviária queria mais e agiu de acordo. A chegada de nomes como Eudimilla, Fany Gauto, Ingryd, Camila, Victoria Liss num elenco já bastante qualificado mostra que as Guerreiras Grenás podem ir muito longe em 2022. Quem sabe até brigar pelo protagonismo junto com Corinthians, Palmeiras e outras equipes.

O amigo Thiago Ferreira fez uma análise precisa e detalhada sobre as necessidades da Ferroviária em setembro do ano passado no canal do Planeta Futebol Feminino no YouTube pouco depois tempo depois da após a chegada de Roberta Batista. O link está aqui para quem quiser ver, mas podemos resumir tudo em pontos simples. As Guerreiras Grenás possuíam boa qualidade técnica com a bola no pé, conseguiam vencer duelos pela imposição física com relativa facilidade e sempre mostravam muita força na bola parada ofensiva. Difícil não notar a qualidade de Aline Milene, Raquel, Luana, Sochor, Aline Gomes e Rafa Mineira com espaço para chegar na área adversária.

Por outro lado, o escrete afeano sofria para fazer a transição defensiva (o famoso “correr para trás”) com eficiência, tinha muitos problemas de compactação entre suas linhas e não marcava bem na frente da sua área por conta do primeiro motivo. E tudo isso era causado por conta da presença de várias jogadoras de características semelhantes no elenco. Faltavam nomes que pudessem dominar os espaços e percorrer grandes distâncias. Ao que parece, essas lacunas começaram a ser preenchidas a partir dessa janela de transferências.

Estava claro que a Ferroviária precisava de uma volante “box-to-box”, isto é, que percorresse todo o campo de área a área, que pudesse ajudar nesse balanço defensivo e que fosse bastante intensa. Difícil não ver na chegada da ótima Ingryd o nome ideal para ocupar esse posto. As tentativas de Roberta Batista em trazer Aline Milene ou Sochor para uma parte mais recuada do campo residem na necessidade de se ter uma atleta que pudesse ajudar em todos esses pontos levantados acima. Ingryd chega com status de titular e com plenas condições de cumprir as funções táticas relatadas anteriormente. A sua transferência para as Guerreiras Grenás, inclusive, indica uma busca por mais espaço e por mais minutos em campo, visto que ela brigava com Gabi Zanotti e Diany no Corinthians de Arthur Elias. Passo interessante na carreira de uma das melhores volantes do país atualmente.

Mas também faltava uma organizadora, uma referência técnica no time da Ferroviária para suprir a saída da atacante Patricia Sochor. E é aí que entra a paraguaia Fany Gauto. Uma das grandes estrelas do Independiente Santa Fe vice-campeão da Libertadores em 2021, a jogadora de 29 anos se encaixa como uma luva em vários setores do campo. Pode jogar mais recuada alinhada a Ingryd num 4-4-2 (em determinados cenários), jogar mais por dentro no 4-3-3 preferido de Roberta Batista e ainda tem capacidade de atuar como uma espécie de “falsa nove” tal como Sochor fazia na variação para um 4-3-1-2 ou até mesmo numa variação para um 3-2-5 com Luana entrando entre as zagueiras, Ingryd e Rafa Mineira entre as zagueiras e Fany Gauto recuando para abrir espaços para as chegadas em diagonal de Aline Gomes, Lurdinha, Larih ou Victora Liss do lado para dentro.

E falando do setor ofensivo, é impossível não concluir que a Ferroviária ganhou excelentes opções com as chegadas das novas contratadas. Principalmente Eudimilla, de ótima passagem pelo Grêmio e com capacidade para jogar pelos lados do campo e buscar a entrada em diagonal. Não é difícil imaginar uma série de formações que podem incluir ela, a jovem e extremamente promissora Aline Gomes, a experiente Aline Milene, Victoria Liss ou Laryh formando uma trinca ofensiva logo à frente de Ingryd e Fany Gauto. Fato é que a técnica Roberta Batista agora possui um leque muito bom de alternativas para pensar e trabalhar as Guerreiras Grenás em 2022.

Somando as novas contratadas com a espinha dorsal à disposição de Roberta Batista, podemos afirmar sem medo de parecer exagerado ou emocionado que a Ferroviária tem tudo para fazer uma grande temporada nesse ano de 2022. Uma equipe que tem Luciana, Carol Tavares, Géssica, Ana Alice e Barrinha formando o sistema defensivo (com a ótima Camila como opção para a zaga), um meio-campo formado por Luana, Ingryd e Fany Gauto e um trio ofensivo formado por Aline Gomes, Eudimilla e Laryh só pode pensar em chegar longe nas competições que vai disputar.

Ferroviaria - Football tactics and formations

Possível formação da Ferroviária para 2022. Fany Gauto e Ingryd resolveriam o problema no meio-campo e o ataque afeano ganharia força e habilidade com Eudmilla, Laryh e Aline Gomes.

Apesar de entender que as Guerreiras Grenás vão entrar muito forte em 2022, este que escreve lembra que dois ingredientes serão fundamentais para que a equipe da técnica Roberta Batista tenha sucesso nessa temporada: TEMPO e PACIÊNCIA. O elenco conta com muitas caras novas e muitas delas não estão familiarizadas com a proposta de jogo que será colocada em prática na Ferroviária e nem entrosadas com as novas companheiras de equipe. Esse processo de entendimento, se bem realizado, poderá colocar o escrete afeano num patamar muito mais alto do que aquele que foi atingido pela equipe em anos anteriores. Possivelmente até entrar ainda mais forte na briga pelos principais títulos de 2022. Mas sempre lembrando que Roberta Batista e as Guerreiras Grenás vão precisar desse tempo e dessa paciência para que esse processo aconteça sem maiores percalços.

Sobre o ótimo mercado da Ferroviária até o momento, indico a excelente LIVE realizada pelos amigos Thiago Ferreira, Amanda Viana e Rafael Zocco nesta terça-feira (12) no canal do Planeta Futebol Feminino no Youtube. Foram pouco mais de noventa minutos de muita informação e análise das novas contratações das Guerreiras Grenás em 2022 e as mais diferentes formas de se pensar a equipe titular. Ah, e não deixe de assinar o canal deles.

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