Home Extracampo Relatório aponta que zagueiro que morreu sofria de demência por conta do futebol

Relatório aponta que zagueiro que morreu sofria de demência por conta do futebol

Ex-jogador sofreu com “demência precoce”, o que volta a levantar discussões

Matheus Camargo
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), colaborador do Torcedores.com desde 2016. Radialista na Paiquerê 91,7.

Um relatório sobre a morte de um zagueiro pouco conhecido no futebol brasileiro, mas que foi ídolo no Cardiff City, maior clube do País de Gales, reacende uma discussão sobre os traumas na cabeça durante a carreira de um atleta de futebol. Segundo publicação do Lei em Campo, coluna no UOL do jornalista e advogado Andrei Kampff, o relatório saiu após quase dois anos da morte de Keith Pontin, zagueiro que disputou mais de 200 jogos pelo maior clube do País de Gales entre os anos 1970 e 1980.

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Esse seria um relatório fundamental para que seja dada ainda mais importância aos desdobramentos de uma concussão em atletas. Isso porque Pontin teria ficado com demência precoce, diagnosticada aos 59 anos. Ele morreu aos 64 de uma doença conhecida pela sigla ‘ETC’. Em uma pesquisa básica, se descobre o significado da sigla:

“Encefalopatia traumática crônica (ETC) é uma doença degenerativa progressiva do cérebro que pode ocorrer após trauma craniano repetitivo.”

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Ligas e confederações podem sofrer até mesmo problemas jurídicos por casos como este

O exame no ex-zagueiro foi feito após sua morte. Ele foi a óbito em agosto de 2020 e o exame foi realizado em maio de 2021. Foi descoberta então a condição da ETC, que acredita-se que tenha sido pelas múltiplas concussões sofridas em treinos e jogos.

Segundo Andrei Kampff, ligas podem ter que arcar com consequências jurídicas por casos parecidos, como foi com a NFL (liga de futebol americano) recentemente.

“Além da obrigação permanente de cuidar da saúde dos atletas, a situação traz um risco jurídico. A NFL já sofreu uma derrota bilionária na justiça, quando atletas ingressaram pedindo ressarcimento em função das sequelas proporcionadas pelas concussões. Isso trouxe aprendizado à força, e a NFL passou a investir mais na saúde dos atletas. A Fifa e o futebol também correm esse risco”, disse o jornalista.

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A discussão sobre concussão no futebol é algo recente, que se deu após familiares de jogadores campeões da Copa do Mundo com a Inglaterra em 1966 revelaram o diagnóstico de demência precoce em vários deles. Apenas em dezembro de 2020 foi aprovado um protocolo de concussão pela International Football Associoation Board, que regulamenta as regras do futebol. Segundo a publicação do Lei em Campo, o protocolo do futebol ainda é “muito superficial” se comparado a outros esportes.

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