A Copa do Mundo 2022 no Catar sequer começou, mas já está acompanhada de polêmicas. Somente nos últimos dias, um repórter dinamarquês foi ameaçado por autoridades locais e a cerveja foi proibida nos estádios, mesmo que uma das principais patrocinadoras do Mundial seja uma marca de bebida.
Com isso, se abriu a discussão sobre levar a Copa para um país conservador e com tradições tão firmemente inseridas. O jornalista e comentarista Mauro Cezar Pereira, no Posse de Bola, do UOL Esporte, lembrou que todos os problemas que acontecem e que acontecerem no Catar são de responsabilidade da Fifa, que costumeiramente tenta mudar o costume dos países que sediam a Copa, mas que não deve conseguir o mesmo no Catar.
“Não somos nós que vamos mudar essa sociedade. Não é a Fifa que tem que mudar”, disse Mauro durante o podcast sobre o Mundial no país do Oriente Médio.
“Acho que a Fifa deveria ter feito uma escolha mais razoável, e não uma escolha movida por uma série de acusações, suspeitas e comprovações com relação à escolha da sede do Mundial.”
Mauro ainda reforçou que algumas tradições do Catar não passam de discursos retrógrados e preconceito, como na questão do preconceito e da homofobia. A homossexualidade no Catar é considerada crime no país, por exemplo, e pode levar a vários anos de prisão.
“A Fifa enfiou a Copa do Mundo ali. Eles têm suas tradições. Então, faz o quê? Rasga tudo?”
Catar é governado pela mesma família há quase 200 anos
O país, que é um emirado no Oriente Médio, é absolutista e hereditário, ou seja, comandado por uma família, a Casa de Thani. A família Al Thani governa o país desde 1825 e o Catar sequer ter uma legislatura independente. Partidos políticos também são proibidos e não existem eleições. A fonte de legislação do local em que será disputada a Copa do Mundo é a Charia, que é uma mistura entre direito civil e direito islâmico.

