Manzur pelo Santos. Foto: Photo/Andre Penner/Alamy.
A Operação Nexus II colocou novamente o futebol no centro de uma investigação criminal no Paraguai. As autoridades prenderam Julio César Manzur, ex-jogador do Santos FC, sob suspeita de participação em um esquema internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Manzur também integrou o elenco do Paraguai que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Agora, porém, investigadores apontam que ele teria ligação com uma rede criminosa investigada há meses pelas autoridades locais. A prisão representa um avanço da operação, que busca desarticular estruturas logísticas utilizadas pelo crime organizado na região.
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Investigação aponta estrutura internacional do esquema
Segundo o Ministério Público paraguaio, a operação mira um grupo suspeito de atuar no transporte e distribuição de entorpecentes em diferentes países da América do Sul. De acordo com as investigações, a organização utilizava rotas aéreas e terrestres para movimentar cargas ilegais, além de mecanismos financeiros destinados à lavagem de dinheiro.
Nesse contexto, o nome de Manzur surgiu durante o cruzamento de informações obtidas em fases anteriores da investigação. Os promotores afirmam que o ex-jogador teria mantido vínculos com integrantes da rede criminosa, embora detalhes específicos das acusações ainda estejam sob sigilo judicial.
Além disso, a operação procura identificar como pessoas com histórico público conhecido teriam sido inseridas na estrutura investigada. Para os investigadores, a notoriedade de ex-atletas poderia facilitar contatos e negociações, reduzindo suspeitas iniciais em transações logísticas.
Outro ex-jogador também é alvo da operação
O caso não envolve apenas um nome ligado ao futebol profissional. As autoridades também prenderam Víctor Hugo Centurión, ex-goleiro do Club Olimpia, suspeito de desempenhar papel estratégico dentro da organização investigada.
De acordo com a denúncia, Centurión atuaria diretamente na logística do grupo vinculado ao uruguaio Sebastián Marset, considerado um dos principais alvos das autoridades regionais. O ex-atleta teria organizado transporte de cargas, contratação de aeronaves, fornecimento de combustível de aviação e aquisição de peças para manutenção de veículos utilizados pela rede.
Os promotores sustentam que ele aproveitava a trajetória no futebol para estabelecer contatos comerciais e abrir portas em negociações, o que teria facilitado operações clandestinas. A investigação também aponta participação em movimentações financeiras consideradas incompatíveis com atividades legais declaradas.
Autoridades ampliam alcance das apurações
Com as novas prisões, a Operação Nexus II entra em uma fase considerada decisiva pelas autoridades paraguaias. Os investigadores buscam agora rastrear conexões internacionais do grupo e identificar possíveis colaboradores em outros países.
Além disso, o caso levanta discussões sobre a utilização da imagem pública de ex-atletas em esquemas ilícitos. Para o Ministério Público, o envolvimento de figuras conhecidas aumenta a complexidade das investigações, pois exige análise detalhada de redes de contato construídas ao longo da carreira esportiva.
Enquanto o processo avança, os suspeitos permanecem à disposição da Justiça paraguaia. Novas etapas da operação não estão descartadas, e os investigadores indicam que outras prisões podem ocorrer conforme surgirem novos elementos nas apurações.

