Atacante é um dos destaques do Real Madrid (Foto: Juan Manuel Serrano Arce/Getty Images)
O debate sobre o racismo sofrido por Vini Jr. no futebol espanhol e em outras competições europeias segue em pauta no cenário mundial. Desta vez, quem se manifestou sobre o tema foi Javier Tebas. O presidente da LaLiga reconheceu publicamente que os episódios envolvendo o atacante do Real Madrid expuseram limitações no enfrentamento à discriminação racial dentro do futebol espanhol.
Segundo o dirigente, a repercussão dos casos foi determinante para provocar uma mudança de postura institucional. Ele abordou diretamente o impacto das denúncias feitas pelo brasileiro.
— Com o caso do Vinicius, nos demos conta de que não fazíamos o suficiente. Havia uma situação que precisávamos mudar. Não podemos continuar iguais — afirmou, em entrevista ao GE.
Além disso, Tebas destacou que o protagonismo do jogador ampliou a visibilidade do problema e, consequentemente, intensificou as reações contra ele.
— Acredito que outras competições também terão que realizar esse trabalho. Creio que Vinicius recebe mais insultos racistas porque se tornou um líder na luta contra o racismo. É muito claro nesse aspecto, não tem dúvidas, é valente em suas manifestações, atitudes e feitos. Muito do que acontece se deve a essas circunstâncias.
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Pressão por punições mais duras
O caso mais recente ocorreu em uma partida da Champions League contra o Benfica, quando o atacante denunciou uma ofensa do argentino Prestianni. No entanto, os registros de ataques vêm desde 2021, tanto em estádios quanto nas redes sociais.
Diante da recorrência, a LaLiga criou mecanismos de monitoramento e lançou a plataforma “LALIGA VS Racism”. A entidade também passou a enviar equipes especializadas para acompanhar jogos fora de casa e identificar manifestações discriminatórias. Ainda assim, não possui autonomia legal para punir diretamente torcedores ou clubes, já que as decisões cabem à federação espanhola e à Justiça comum.
Presidente defende medidas severas
Contudo, mesmo com essa limitação, Tebas defende medidas mais severas. Para ele, o fechamento de arquibancadas e até de estádios pode ser uma ferramenta eficaz.
— Precisamos ter a possibilidade de fechar arquibancadas. Se há insulto racista e os responsáveis não são identificados, algo precisa ser feito. O autor é quem insulta, mas quem encobre também contribui para o problema. Em alguns casos, pode ser necessário fechar o estádio. O importante é retirar dos estádios quem pratica esse tipo de conduta. Da mesma forma, quando grupos organizados são identificados fora do estádio, deve haver mecanismos para impedir sua entrada posteriormente.
Além das ações administrativas, houve avanços na esfera judicial. Nos últimos meses, a Justiça condenou torcedores por crimes de ódio relacionados a episódios ocorridos em partidas do Real Madrid. Ainda assim, especialistas alertam que o problema persiste nas redes sociais e exige vigilância constante.
Assim, o movimento liderado pelo brasileiro contribuiu para transformar o cenário espanhol. O tema deixou de ser tratado como um caso isolado e a entidade passou a incluí-lo em uma agenda estrutural. Contudo, como o próprio Tebas admite, ainda é preciso avançar — especialmente em outras competições do futebol europeu.

