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UEFA sinaliza apoio à expansão do Mundial de Clubes da FIFA para 48 times

Entendimento entre Aleksander Ceferin e Gianni Infantino destrava projeto para 2029 e indica nova fase nas relações políticas do futebol mundial

Douglas Nunes
Formado em Jornalismo e com especialização em jornalismo esportivo, Douglas é jornalista há mais de 10 anos. Trabalhou com assessoria na Escola Zico e no Audax-RJ, além de ter sido repórter do Grupo O Dia. Está no mercado de iGaming desde 2016.
UEFA sinaliza apoio à expansão do Mundial de Clubes da FIFA para 48 times

Gianni Infantino, Presidente da FIFA. Foto Alamy.

A FIFA avançou em um dos projetos mais ambiciosos do futebol internacional após receber sinal positivo da UEFA para ampliar o Mundial de Clubes. O entendimento marca uma mudança política relevante entre as entidades que comandam o esporte. Nos bastidores, dirigentes avaliam que o acordo representa uma tentativa de estabilizar o calendário global e reduzir conflitos institucionais. A proposta prevê uma competição maior já na edição de 2029, mas preserva limites considerados essenciais pelos europeus.

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UEFA muda posição e abre caminho para novo formato

A UEFA decidiu apoiar a expansão do Mundial de Clubes para 48 equipes, desde que o torneio não passe a ocorrer a cada dois anos. Antes disso, a entidade europeia resistia ao projeto por entender que a mudança poderia diminuir a relevância da Liga dos Campeões.

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Agora, porém, o cenário político mudou. A aproximação entre os presidentes Aleksander Ceferin e Gianni Infantino contribuiu diretamente para o avanço das negociações. Assim, a entidade europeia passou a enxergar a ampliação como um ajuste controlado, e não como ameaça direta às suas competições.

Além disso, dirigentes consideram que limitar a frequência do torneio reduz impactos no calendário e evita desgaste excessivo dos atletas.

Proposta anterior previa edição bienal

Durante reuniões realizadas em Miami no ano passado, representantes do Real Madrid defenderam que o Mundial fosse disputado a cada dois anos. Entretanto, a ideia encontrou forte oposição tanto da UEFA quanto das ligas nacionais europeias.

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Dessa forma, o modelo bienal perdeu força rapidamente. A FIFA passou então a concentrar esforços apenas na ampliação do número de participantes, considerada uma alternativa mais viável politicamente.

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Ao mesmo tempo, o abandono oficial do projeto da Superliga Europeia por parte do Real Madrid ajudou a reduzir tensões institucionais. O gesto sinalizou maior alinhamento entre grandes clubes e as entidades que controlam o futebol global.

Expansão busca incluir mais clubes europeus

A FIFA já estudava ampliar o torneio desde a última edição disputada nos Estados Unidos. A principal motivação foi garantir a presença de mais gigantes europeus, após clubes como Barcelona, Liverpool e Manchester United ficarem fora da competição.

Com o novo formato, o número de representantes da UEFA pode aumentar de 12 para 16 equipes em 2029. Consequentemente, clubes europeus devem ser os principais beneficiados financeiramente.

Na edição anterior, por exemplo, o Chelsea recebeu cerca de 85 milhões de libras pela conquista do título dentro de uma premiação total de 774 milhões. Portanto, a ampliação tende a elevar ainda mais o peso econômico do torneio no calendário internacional.

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Desafios jurídicos ainda permanecem

Apesar do avanço político, o projeto ainda enfrenta obstáculos fora das negociações esportivas. Um grupo que representa ligas europeias move ação junto à Comissão Europeia questionando decisões relacionadas ao calendário internacional.

O processo envolve diretamente o Mundial de Clubes e discute possíveis impactos sobre competições domésticas. Mesmo assim, dentro da UEFA cresce a avaliação de que a expansão para 48 clubes gera menos desequilíbrio do que um torneio realizado com maior frequência.

Ainda existem preocupações sobre concentração financeira no futebol europeu. No entanto, dirigentes consideram que o acordo atual representa um compromisso aceitável entre interesses comerciais e esportivos.

Relação entre FIFA e UEFA vive momento de distensão

O novo posicionamento também simboliza uma fase mais estável entre FIFA e UEFA após anos de atritos públicos. Em 2025, a relação chegou ao ponto mais crítico quando dirigentes europeus abandonaram um congresso da FIFA em protesto contra atrasos de Infantino.

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Desde então, ambas as partes passaram a buscar maior cooperação institucional. Com eleições previstas para o próximo ano nas duas entidades, aliados dos presidentes avaliam que um período de estabilidade interessa politicamente a todos os envolvidos.

Enquanto isso, a organização da edição de 2029 já começa a ganhar forma. Espanha e Marrocos aparecem como favoritos para sediar o torneio, o que também funcionaria como preparação para a Copa do Mundo de 2030.

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